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maio11

Tortura em nome da ciência (Parte 41)

Biomecânica cria separador de costelas que evita quebra de ossos

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Crenshaw e Pell estão começando com um separador de costelas mais suave e delicado. Cirurgiões costumam enxergar as costelas quebradas, e outras dolorosas consequências das cirurgias abertas de coração, como inevitáveis.

Porém, Crenshaw e Pell inventaram um novo tipo de separador de costelas que leva em conta como os ossos podem se curvar, em vez de quebrar. Seus estudos pré-clínicos em porcos sugerem que a técnica reduz bastante os danos.

Caso funcione como o esperado, os inventores partirão para outras ferramentas nesse campo. “Toda a bandeja cirúrgica será transformada”, declarou Pell.

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Crenshaw e Pell colaboraram com Greg Buckner, engenheiro da North Carolina State University, e o Dr. Gil Bolotin, chefe de cirurgia cardíaca do Rambam Health Care Campus, em Haifa, Israel. Buckner e Bolotin haviam desenvolvido uma tecnologia para mensurar as forças geradas pelo separador de costelas. A Physcient licenciou a tecnologia.Em seguida, a equipe da Physcient começou a medir a força do separador em porcos, animais biomecanicamente similares aos humanos, e descobriram que o separador de costelas de Finochietto aplicava golpes de força que se intensificavam até igualar o peso total do porco. “Seria quase o equivalente a pendurar o paciente pela costela depois de aberta, simplesmente suspendê-lo no ar”, afirmou Pell.

“Eu disse: ‘Bem, se eu entendo alguma coisa do assunto, aqui temos um projeto de biomecânica”, completou Crenshaw.

[…]Seus primeiros testes foram conduzidos em porcos comprados num açougue, onde registraram a tensão das costelas em diferentes velocidades. Eles notaram que, alguns segundos antes de uma costela se fraturar, era possível detectar pequenos estalos. O som vinha de fibras individuais se rompendo dentro do osso. Crenshaw e Pell perceberam que poderiam usar os estalos para evitar fraturas ósseas.

“Se você pegar um galho e começar a dobrá-lo, poderá ouvir algo estalando mesmo antes de perceber qualquer dano real ao galho em si”, explicou Crenshaw. “Estamos fazendo algo parecido aqui”.

Crenshaw e seus colegas programaram o computador de bordo do separador para interromper o avanço um quarto de segundo após sentir um desses estalos.

Isso permite que as fibras e ligamentos do osso se desloquem e estiquem antes que o equipamento volte a se mover.

Recentemente, Crenshaw e Pell colaboraram com colegas da N.C. State University para testar a invenção, num estudo financiado pelo Instituto Nacional de Saúde e pela Fundação Nacional de Ciência dos EUA. Os veterinários abriram a caixa torácica de 10 porcos vivos – metade com o novo projeto, metade com o dispositivo convencional. O tempo para abrir os porcos foi praticamente o mesmo nos dois grupos. Porém, o separador tradicional fraturou costelas de quatro dos cinco porcos. O separador da Physcient quebrou apenas uma costela, no segundo porco aberto pelos cirurgiões, quando o dispositivo emperrou acidentalmente. Os inventores aprimoraram o projeto e nenhum dos porcos restantes sofreu fraturas.

Os pesquisadores também descobriram que, nos experimentos com o dispositivo da Physcient, os porcos apresentaram níveis mais altos de oxigenação no sangue do que com o separador tradicional ” simplesmente porque podiam respirar mais profundamente. Os porcos também usaram menos analgésicos e se recuperaram mais facilmente.

“Atingimos todos os pontos pré-clínicos que estávamos buscando”, explicou Crenshaw. Ele e seus colegas pretendem lançar seu separador de costelas no mercado no final de 2012.

Se tudo correr conforme o planejado, os inventores devem examinar outras ferramentas cirúrgicas que puxam e empurram os corpos de pacientes. “Temos anos e anos de produtos para reformular”, disse Pell.

Karl Marx ensinou ao mundo que a história humana é cheia de contradições – ou melhor, a própria humanidade é muito contraditória. Para ele, até a revolução que derrubaria o Estado burguês-capitalista teria várias contradições atreladas a si.

Dentre essas contradições, há muitas com graves consequências negativas na humanidade e na Natureza não humana. Dentre elas, pegamos três que são diretamente relacionadas com a notícia acima:

1. A ciência moderna em seu advento, ao invés de trazer uma relação mais amistosa e harmônica entre a humanidade e o meio ambiente não humano, degenerou a antiga relação a algo análogo a uma relação torturador-vítima, ou sequestrador-refém – qualquer semelhança à vivissecção não é mera coincidência.

2. O avanço da tecnologia desde a Primeira Revolução Industrial causou impactos ambientais negativos extremamente severos, muito piores do que em qualquer época da história da humanidade, ao invés de melhorar os impactos já existentes nas sociedades tradicionais.

3. Os avanços da tecnologia biomédica hoje em dia lançam mão de mais tortura contra animais não humanos, ao invés de contribuir para a progressiva diminuição e futura abolição da mais que centenária exploração animal em nome da ciência.

Dessa vez é um promissor avanço nas cirurgias intertorácicas, mas que veio acompanhada de severas torturas de porcos. Animais que, incapazes de qualquer escolha, foram forçados a ter seus corpos operados – mesmo sem estarem necessitados de cirurgia – e suas costelas abertas – muitas delas quebradas quando se aplicou o método tradicional. O destino mais provável desses animais explorados que tiveram as costelas quebradas pelo separador tradicional foi o assassinato, o mesmo destino sangrento que os esperava no açougue de onde foram comprados, tratados como mercadorias. Porque, afinal, qual seria o retorno útil de salvar a vida desses animais, de recompor-lhes as costelas fraturadas?

Uma tecnologia, por mais avançada que seja, que se sustente na exploração animal, na causação de dor, é tão primitiva quanto uma lança com cabeça de pedra feita para matar.

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