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Alerta a feministas e defensores da liberdade de expressão: Marcelo Tas quer processar Lola

Alerta de ameaça à liberdade de expressão: o CQCista Marcelo Tas ameaçou Lola Aronovich, minha irmã de consciência autora do blog Escreva Lola Escreva, por causa do post dela CQC antiamamentação, vai pra PQP, onde, crê o líder do CQC, ela teria insinuado que ele seria misógino e antiamamentação:

De todo modo, ontem mais ou menos no almoço recebi um email do Marcelo Tas, curto e grosso, querendo saber onde e quando ele se posicionou contra a amamentação. Eu respondi, com a mesma educação que me foi dispensada, que nem ele nem o CQC se opuseram à amamentação, e sim à amamentação em público, como está claro no meu texto. E que eu só citei o Tas uma vez, num parênteses sem referência à amamentação em si, em que eu dizia que é claro que a sociedade gosta de seios (desde que direcionados a sua função única, a de fazer babar os homens) porque a TV não sobreviveria só de Rafinhas ou Marcelos Tas. Mas ele me mandou um outro email, subindo o tom, pedindo retificação imediata, porque ele não se disse contra a amamentação em público, ele não disse nada daquilo, e ele não é misógino. Comentei no Twitter que eu tinha recebido email do Tas e, mais tarde, publiquei nos comentários do meu post esses dois emails curtinhos como resposta dele, como um “outro lado”. Recebi outro email em seguida, em que ele diz: “Você vai aprender através de um processo por calúnia e difamação a ser mais responsável com o que publica, esta troca de e-mails documenta a minha tentativa de dialogo com voce antes de tomar o caminho da Justiça”. Quer dizer, o que foi isso? Ameaça de processo, certo? [Negrito meu]

Ela reitera que não fez nenhuma afirmação do tipo, sobre Tas ser antiamamentação, na citação acima:

E que eu só citei o Tas uma vez, num parênteses sem referência à amamentação em si, em que eu dizia que é claro que a sociedade gosta de seios (desde que direcionados a sua função única, a de fazer babar os homens) porque a TV não sobreviveria só de Rafinhas ou Marcelos Tas.

Você pode reparar no post citado sobre amamentação que Lola, assumindo não ter editado nada, apenas falou na única parte em que citou Tas:

O problema, segundo o filósofo Rafinha Bastos, não é que a mulher queira se mostrar (isso pode na nossa sociedade! Imagina se não pudesse, a TV ia viver do quê? Só do talento de Rafinhas e Marcelos Tas?), “é que quem quer mostrar a teta é quem não deveria querer mostrar. Nunca é aquela gostosa. Geralmente é aquela mãe com aquelas buchibas”. E os três machos lamentam que nunca viram a Giselle Bundchen amamentar, apenas aquela mulher “que não precisa de um sutiã, precisa de joelheira”. [Grifo meu]

Fora isso, apenas uma foto dele no post, que não passa nenhuma mensagem específica à parte.

Que vergonha, Tas. Logo você, um daqueles que fazem toda questão de exaltar ao máximo a liberdade de expressão nos meios de comunicação (leiam aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, sobre eventos e declarações dele sobre a livre expressão), querer processar Lola, com uma alegação tão frágil!

É como dizem: se o CQC critica e é repreendido, levanta às alturas a bandeira dessa liberdade, mas, se é criticado, um integrante se empenha em ameaçar o crític@ de processo! É essa a liberdade de expressão pela qual o CQC tanto luta? Uma liberdade relativa, seletiva?

Aliás, Tas, se você realmente não é um misógino ou um antiamamentação, por que não criticou em público seus colegas quando eles fizeram piadinha com o naturalíssimo ato de a mãe dar de mamar a seu bebezinho em público? Por que o silêncio? Não tens receio da máxima “Quem cala, consente” que tantas pessoas agora estão dirigindo contra você?

Logo você que apoia a luta do Desculpe a nossa fAlha contra o ato de censura promovido pela Folha de S. Paulo contra a paródia FAlha de S. Paulo? Agora você usa o mesmo método dos censores da Folha, a ameaça/repressão judicial?

Marcelo Tas, assim você perde a razão dos seus discursos pró-expressão. Perde também o respeito dos brasileiros, que viam em você e os outros CQCistas uma figura combativa e politizada e agora está vendo os integrantes do CQC caírem em indignidade – Danilo Gentili fazendo piadinhas antissemitas, Rafinha Bastos “brincando” de apoiar o estupro de mulheres feias, e você processando quem te cita em discursos anti-CQC.

Você tanto inspirou milhares de defensores da liberdade de expressão. Agora sofrerá a represália moral e social daqueles que você inspirou. Enquanto não voltar atrás, não desistir de processar a guerreira Lola e começar a aceitar mais as críticas feitas ao seu programa e ao conjunto de apresentadores do CQC.

É difícil que ganhe a causa na justiça. Mas, mesmo se ganhar, perderá algo ainda mais importante: o respeito dos brasileiros e dos próprios defensores da liberdade de expressão.

imagrs

27 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Ludo Final

março 17 2015 Responder

Tá faltando coerência nessa Lola, ou “melhor”, ela é comunista. Tá faltando é boa fé, mesmo.

Yume

setembro 25 2011 Responder

Denise,vc então considera normal fazer ofensas contra mulheres? Os homens deste programa infame estão nos “direito deles” e devem ser respeitados e não agredidos e por que para justificar as ações dele vc escreveu tanto de maneira “filosófica”? Os que não participaram da piada,foram coniventes com ela,o que torna sim,todos misógenos.O que isso tem aver com rotulagem? Pra mim parece mais tolerância á ofensa contra mulheres.

Eu fico pasma como a violência contra mulher caba sendo dissimulada e no final,a mulher que é errada de se manisfestar! Algum de vcs parou para pensar nisso,no que etsá por trás de tantas palavras bomnitas aqui escritas em vão? Se fosse piada racista,teria tantas “reflexões sobre a subjetividade do ser humano”? E pior que foi uma mulher a começar estes discursos!E sobre generalizações,Denise,vc não conseguiu ver que estes caras da CQC são generalistas e temos o dirieto de nos defender? Ah,certo,nós mulheres é que somos,não é?

Se vcs estão levando a violência contra mulher para o lado da “democracia e liberdade de expressão”,então estupro,pedofilia e violência doméstica não podem ser considerados crimes,afinal,os agressores estão no dierito deles,é essa a “opinião” deles!No caso da piada com judeus,Danili teve que pedir desculpas,ninguém ficou “filosofando” em cima da liberdade de expressão dele!

Não tem como combartermos a violência contra mulher se vemos mulheres tentando justificar comportamentos misógenos achando que isos é ser democrática.

Ricardo Dirani

junho 5 2011 Responder

Queria deixar registrado meu apoio total à argumentação desenvolvida por Denise. Reflete exatamente o que eu pensei sobre toda essa questão.
Denise, se você tem um blog, eu gostaria de acompanhá-lo :-)

    Denise

    junho 5 2011 Responder

    Oi, Ricardo. Realmente tive que desenvolverrrrrrrrrrrrr bem muito. E acho que ainda continuo desenvolvendo. Não sou contra o direito de ninguém, mas considerei as piadas ofensivas, sim. Também não discordei totalmente da Lola. Eu adoro o blog dela, de verdade. O que acho injusto, como já falei pro Robson, são as generalizações e as agressões verbais. Porque estamos fazendo mais do mesmo. Na minha humilde opinião. Tenho um blog, mas pode não ser exatamente o que você acha que é… Mas se quiser dar uma olhada: http://lembrarounaoesquecer.blogspot.com/

    Até :)

Gezuyz Kryztu

junho 5 2011 Responder

li o artigo da lola e alguns comentários e ,realmente, acho que ela generalizou demais os comentários, individuais, proferidos durante a discussão (que não foi reproduzida em tv aberta como muitos citaram no blog), não apenas por ela abusar de “minors” generalizações como “os caras do cqc”, mas por citar explicitamente “E os três machos lamentam…” e “porque é difícil ver três marmanjos..”. Conjuntamente, talvez pelo oq vc chama de “análise de discurso”, acho que sim, marcelo tas foi taxado,injustamente, de misógino.

Também acho pertinente a hipócrita perseguição de “minorias” contra o humor. 99% do humor produzido está relacionado com tais minorias/esteriótipos e só é perseguido quando atinge a sua “classe”. cansei desta história de humor com: índio pode, judeu não;japonês pode, negro não; animais pode, deficientes não; advogado pode, político não; com viado pode, mulher não (e ebriamente: bêbado pode,com esquizofrênico não..ebria ou sobriamente falando, defendo a completa liberdade de expressão, principalmente, para o humor ,mas também por qualquer outra razão.)
o CQC querendo ou não é um programa de humor e mesmo que os personagens não estejam completamente caracterizados, como em Zorra Total, ainda são personagens e o que eles dizem não (necessariamente) refletem sua opnião pessoal.
(comentário válido mesmo o que ato criticado tivesse se passado no CQC).
Muitos outros argumentos vazios e completamente refutáveis foram usados.. devido a minha pouca memória e alto nível de whiskey no sangue, não me lembro no momento de nenhum, deixarei o comentário aguardando o fim da minha dose e daqui pra lá, seguem os que lembrarei/lembrei:
..ok, o whiskey foi mais forte(após umas 3/4h de farra, retóóóórno) mas lembrei-me do seguinte comentário::
(não são citações diretas)
– “pq proibir alguém de algo que é natural”.. e “mulheres foram quase linchadas por usarem topless na década de xx”..
por mera curiosidade, tais pessoas são a favor de pessoas transarem na rua? pois, particularmente, considero ambos: uma coisa natural e completamente falso moralista tal proibição.
sem mais (whiskey)..

Bruna

junho 3 2011 Responder

Faz tempo que eles estão precisando de um “Desculpe a nossa falha” só deles… Com essa ameaça, então! Chega a ser cômico…
Ainda mais vindo de quem está ficando mais famoso por coisas como as abaixo, do que por algo que valha:
http://brasiliamaranhao.wordpress.com/2010/11/01/marcelo-tas-atire-primeiro/
http://brasiliamaranhao.wordpress.com/2010/09/14/para-atacar-lula-marcelo-tas-mente/
http://noticias.r7.com/blogs/hildegard-angel/2010/11/26/marcelo-tas-pede-bope-no-congresso-quer-reeditar-o-ai-5/
e mais, e mais, e mais, que a lista não acaba…
Se ele falasse isso sozinho, em vez de falar pra mais de um milhão de pessoas no twitter e não sei quantos na tv, eu sairia de casa mais tranquila.

Denise

junho 3 2011 Responder

Oi, Robson. Estou acompanhando a confusão. Mas não acho que Tas está de todo errado. Lola generaliza sempre e paga o preço por isso, também. Ela se refere a homens no geral, no próprio texto ela fala que “eles” fizeram isso, “eles” falaram aquilo. Eles = Todos do programa, certo? Eu entendo dessa forma. Que foram misóginos e, na histeria, um monte de gente tá falando que ele (e os outros em muitos comentários) são homofóbicos, preconceituosos, misóginos, tucanos. Eu acho que é muito exagero. Vivemos num país onde se deve respeitar, inclusive, a opção política de cada um. Isso a Lola não faz. Eu adoro alguns dos posts que ela faz, mas nesse ela errou e feio. E acho que as pessoas tem que parar pra refletir – coisa que é muito difícil – e deixar a empolgação de lado. Temos que ser justos. O CQC não é um jornal. Não é um programa de auditório. O CQC é de humor. Eles ali não são os cidadãos Rafael Bastos, Marcelo Tas e Marco Luque. São personagens. E como tais, não podem ser julgados enquanto personangens. Acho que temos que aprender a diferenciar. Foi por essa razão que aquele ator André Gonçalves foi espancado por fazer uma personagem homossexual numa novela global há um tempo. Isso é muito grave e sério. Acho que a intenção da Lola é boa, mas de boas intenções o inferno está cheio, como diz o ditado (apesar de não acreditar em céu nem inferno, mas acho que a idéia é bastante real). Enfim, é minha opinião. Um abraço pra você.

    Robson Fernando de Souza

    junho 3 2011 Responder

    Denise, eu pessoalmente nunca vi Lola fazendo generalizações propositais. E olha que eu venho lendo cada vez mais os artigos dela. E, como ela mesma disse, por que Tas e os outros que não discursaram contra o aleitamento em público não repreenderam seus colegas?

    E se os membros do CQC fossem apenas “personagens”, então Rafinha Bastos e Danilo Gentili estão apenas incorporando seus “personagens” da TV também no Twitter e nas “comédias stand-up”. E lhe digo mais: que “personagens” mais antipáticos esses, hein? Preconceituosos, machistas e abusadores irresponsáveis da liberdade de expressão.

      Denise

      junho 3 2011 Responder

      Nenhuma generalização é boa, Robson. Proposital ou não. Quando a gente fala “esses caras do CQC” ou “homens” sem se preocupar em citas nomes, estamos, sim, generalizando. Não concordo com isto. Eu assisti ontem a um programa chamado A Liga. Sobre direitos individuais. E lá tem o tal do Rafinha Bastos numa forma completamente diversa da exposta no CQC. O que eu acho é que temos que saber diferenciar bastante o que é o ator / humorista ou comediante ou qualquer outro papel que venha a aparecer na televisão ou internet / a personagem da pessoa enquanto cidadã (o). Eu penso assim. Eu não posso falar pessoalmente de ninguém, a menos que eu conheça. Acho que a pessoa pode, sim, se sentir ofendida de ser chamada de misógina, preconceituosa, homofóbica, machista sem sê-lo. O objetivo do programa, pelo que eu vi, não é repreender os apresentadores por um assunto polêmico, mas expôr uma posição que é, muitas vezes, observada numa grande parte da sociedade, mas que é velada, pois as pessoas tem medo de serem repreendidas mesmo. Eu conheço gente que acha desconfortável ver ou amamentar com outras pessoas ao redor. A questão não é amamentar em público ou não: amamentar é um direito da mulher. Ela tem a liberdade de amamentar em qualquer local que precisar, seja público ou não. Enfim, isso para mim é indiscutível. Mas eu vou julgar quem acha que isso não é legal? Vou dizer que a pessoa é execrável porque tem uma opinião que diverge da minha? Ela é livre para expor o que ela pensa, do mesmo modo que eu também sou. Jair Bolsonaro é um exemplo disso. Eu acho que ele faz, sim, apologia à violência, mesmo não a proferindo de forma direta, mas eu vou dizer que ele está errado em se expressar? Eu acho que há, sim, um exagero. Se por um lado, eles fizeram comentários inoportunos na internet (aquilo não é exibido na TV, como foi colocado por muita gente, aliás), por outro lado, a gente tem que ser just@ e entender que não podemos generalizar nem sair ofendendo as pessoas dessa forma. Isso é desnecessário e vai contra todos os princípios de justiça, liberdade, segurança, dignidade, que tanto pregamos. O caminho não é por aí. É esse o meu ponto de vista.

        Robson Fernando de Souza

        junho 3 2011 Responder

        Denise, pelo que interpretei dos artigos de Lola sobre o CQC, ela não generalizou. No máximo o que ela fez foi se referir aos integrantes preconceituosos como “os caras do CQC”. Da mesma forma eu poderia me referir a dois colegas meus que moram em Boa Viagem como “os rapazes de Boa Viagem” sem nenhum propósito de generalização (ex.: Vou chamar os rapazes de Boa Viagem pra ir conosco pra Tamandaré; Os rapazes de Boa Viagem são gente boa, mas às vezes soltam piadas de mau gosto).

        E mais: quando um membro fala algo no CQC e é consentido pelos demais, ele acaba falando em nome do CQC. Assim sendo, é válido eu criticar “o CQC” quando um Danilo Gentili da vida solta uma palhaçada de mau gosto sem que seja repreendido ou criticado por seus companheiros de mesa ou reitere na mesma hora, frente às câmeras, que isso seria apenas uma opinião individual dele.

        Sobre Rafinha Bastos se expor diferentemente em situações diversas, é exatamente o mesmo que Marcelo Tas está fazendo. Tas algumas vezes defende visceralmente a liberdade de expressão, em outras ele pratica ataques contra ela (vide o caso de Lola). Do mesmo jeito, Rafinha é machista numa hora e ocasião mas em outra hora e ocasião defende direitos justos.

        Quanto às acusações que Lola dirige, ela não dirigiu inicialmente a Tas nem a todos os integrantes do CQC (vide minha tese acima sobre generalização apenas aparente), mas Tas se doeu quando Lola disse que:

        O problema, segundo o filósofo Rafinha Bastos, não é que a mulher queira se mostrar (isso pode na nossa sociedade! Imagina se não pudesse, a TV ia viver do quê? Só do talento de Rafinhas e Marcelos Tas?),

        Ela não insinuou nada sobre Tas na ocasião, mas o indivíduo se doeu apenas por ter seu nome incluído num artigo que critica o CQC.

          Denise

          junho 3 2011

          Robson, eu acho muito diferente você dizer: “os rapazes de Boa Viagem são gente boa, mas às vezes soltam piada de mau gosto” DE “esses caras do CQC são uma cambada de machistas, misóginos, preconceituosos, homofóbicos, tucanos e idiotas” como está sendo feito. Sério que tu achas que são comparações equivalentes? Se você achar que sim, tudo bem, é um direito seu pensar assim. Mas eu não acho e foi isso que coloquei sobre a questão da generalização. Eu não acho que a gente tem que interpretar o silêncio, risadas ou qualquer coisa do tipo como: “ah, essa pessoa é uma ignorante, idiota, primitiva e concorda com tudo que estão falando” – especialmente num programa que não é pra ser levado a sério. Tenho amig@s homofóbicos, machistas, preconceitusos, misóginos até (devo ter, pois no meu círculo de relacionamento não conheço profundamente tod@s), esquerdistas, tucanos, e todo tipo de intolerância que você puder imaginar. Às vezes, até mesmo por cansaço, eu prefiro me recolher ao silêncio para alguns comentários que não considero interessantes, mas nem por isso eu estou sendo conivente, complacente ou eu concordo com utdo que fazem ou dizem. Mas daí a xingar todo mundo existe uma diferença. Faz parte do meu exercício diário de existência mostrar o outro lado para essas pessoas e fazê-las refletir, de alguma forma. Quando a gente (eu, você, Lola, demais leitores) coloca que o Marcelo Tas foi misógino, machista, homofóbico, contra a amamentação etc, é preciso a gente comprovar, com palavras, que ele de fato foi isso. Eu não vi, durante todo o vídeo, ele comentar nada que pudesse representar tanto. Você viu? Se viu, me diz onde foi, pois preciso rever meus conceitos.

          Robson Fernando de Souza

          junho 3 2011

          Aí é que tá, Denise. Lola não acusou Tas de nada no post dela sobre amamentação. De fato Tas não falou nada machista ali, embora tenha rido das piadinhas dos colegas.

          Sobre comparar “os rapazes de Boa Viagem” com “os caras do CQC”, falei como forma de a pessoa se referir a algumas com expressões que normalmente denotaria uma referência a todos. É possível identificar quem são “os caras do CQC” que ela criticou. Se não desse, aí sim seria motivo de criticar Lola.

          Quanto a vc se recolher ao silêncio quando algum colega fala besteira, vc não está no ar, diante de câmeras que estão transmitindo um programa televisivo a milhões de pessoas. Nem vc riu da besteira deles diante das câmeras.

          Denise

          junho 3 2011

          Aliás, um dos melhores comentários que tem no post, que eu li, foi exatamente esse daqui:

          “Tenho certeza que Rafinha pensa assim.”

          “Note como ele diz mamaço, com a maior cara de asco.”

          Toda a fundamentação teórica e prática do Nazismo e da Inquisição partem desse poder místico que algumas pessoas têm de advinhar telepaticamente os propósitos alheios. Como Hitler podia advinhar que todo e qualquer judeu era contra o Estado alemão, como a Igreja podia advinhar que todo e qualquer homem q nao comesse porco era porque era judeu, logo anti-cristão. Fico muito decepcionado de gente escrever artigos assim e de muita gente boa como voce apoiar. O papel do humor é denegrir para exaltar, para chamar atenção. Se uma pessoa reclama que nunca viu a Gisele Bundchen amamentar, nao é porque realmente se revolta com o fato de nunca ter visto uma gostosa amamentar e ter que aturar feiosas amamentando. É justamente o contrário. É pra enaltecer que apenas pessoas estúpidas se preocupariam com essa questão pueril. Pessoas estupidas como os donos do Itau Cultural. O humorista, naquele momento de crítica, incorpora a atitude que quer repudiar, incorpora a atitude que quer castigar, transfigurando-se num personagem que emite uma opinião exageradamente vã, a qual todos repudiam. O humorista personifica, temporariamente, aquilo que quer repudiar, adotando a atitude que quer repudiar e botando pra fora o pensamento alheio mediocre.

          O que posso falar desse artigo:
          1. ele é altamente inquisitorio porque tenta advinhar o que se passa na cabeça alheia, e essa é a peça-chave do nazismo, segundo Carl Schmitt, teórico do nazismo e braço direito de Hitler.
          2. Ela “advinha” errado.
          3. Ela nao entende de humor.

          Ok, chega. Não costumo “explicar” coisas assim, mas realmente gosto de voce e me decepcionei um pouquinho. um bjin

          Robson Fernando de Souza

          junho 3 2011

          O papel do humor é denegrir para exaltar, para chamar atenção. Se uma pessoa reclama que nunca viu a Gisele Bundchen amamentar, nao é porque realmente se revolta com o fato de nunca ter visto uma gostosa amamentar e ter que aturar feiosas amamentando. É justamente o contrário. É pra enaltecer que apenas pessoas estúpidas se preocupariam com essa questão pueril. Pessoas estupidas como os donos do Itau Cultural. O humorista, naquele momento de crítica, incorpora a atitude que quer repudiar, incorpora a atitude que quer castigar, transfigurando-se num personagem que emite uma opinião exageradamente vã, a qual todos repudiam. O humorista personifica, temporariamente, aquilo que quer repudiar, adotando a atitude que quer repudiar e botando pra fora o pensamento alheio mediocre.

          Por que então os CQCistas não explicaram depois suas atitudes, já que elas foram tão controversas?
          E quando um Danilo Gentili da vida faz piadinha antissemita relacionando os judeus idosos de Higienópolis com Auschwitz?

          Sobre ela “adivinhar” o que Rafinha e outros pensam, como ela falou, isso se chama Análise do Discurso, não um inquerimento pseudocientífico qualquer.

          Enfim, é uma pena que vc tenha se chateado, mas estou do lado de Lola e não abro. Compreendo, não por aceitação cega, os motivos dela. Aliás, falta Marcelo Tas dar a versão dele da história, pra que, como você deseja, haja uma análise mais justa por parte da opinião pública sobre o que aconteceu.

          Denise

          junho 5 2011

          Robson, fico confusa ao responder aqui, pois o “Responder” não aparece imediatamente após sua última mensagem… ahahahahah

          Uma coisa: no fundo, eu não sei se concordo totalmente com o que a Lola falou. Eu acho que não concordo com a generalização em si e com o exagero que as pessoas fazem em cima do assunto – como te falei: tem gente já chamando o cara de homofóbico, e não acho isso justo.

          Mas eu concordei com esse post aqui ó:
          http://redemulheremae.blogspot.com/2011/06/blogagem-coletiva-basta.html

          Com isso, concordo mesmo.

          Mas deixa eu te falar que não sinto pena da ridicularização que eles fazem dos políticos. Não mesmo. Eles consideram que o povo brasileiro é mesmo tudo idiota, então tem mais que colher o que plantam. Eu acho justo e merecido.

          Outra coisa: de jeito nenhum me senti decepcionada com ninguém. Eu acho que é de se orgulhar, na verdade. Mesmo não concordando com muitos aspectos, sempre é muito inspirador ver pessoas lutando por seus direitos. Acho que amamentação é um direito de toda mulher. E não tem que se discutir isso mais não. É até um pouco vergonhoso ter que ficar discutindo esse tipo de coisa, porém, extremamente necessário!

          Robson Fernando de Souza

          junho 5 2011

          Que bom que chegamos a um acordo =)

          Sobre o responder, é porque tem um limite de comentários aninhados: no máximo é permitida a resposta (5) à resposta (4) à resposta (3) à resposta (2) ao comentário (1). Por isso as respostas de nível 5 não têm o link de responder.

          Abs

          Denise

          junho 5 2011

          Oi, Robson. Entendi o lance dos comentários. Então, o que me incomodou, como já te falei, não foi o que a Lola falou. Eu me incomodei com as piadas sem graça que vi no vídeo, sim. Mas o que mais me incomoda são as generalizações e as atribuições equivocadas, só para encher os espaços – já que ele tava rindo, ele é misógino, homofóbico, machista, preconceituoso e, porque não, tucano. Isso eu acho lamentável mesmo. Abraço e eu vi sim, os comentários sobre Bolsonaro. Sabe aquela palavra esperança? Comigo é sempre a primeira a morrer… :( Como é que vamos ter esperança diante disso?

          Robson Fernando de Souza

          junho 5 2011

          Digo mais uma vez: Tas não foi chamado disso no post “CQC antiamamentação, vai pra PQP”.

        Denise

        junho 3 2011 Responder

        Oi, Robson. Não estou chateada com o que aconteceu não. As motivações pra minha chateação foram aquelas que coloquei no comentário anterior. Eu acho que eles não falam, porque era pra ser claro que aquilo lá é um programa de coméda ou humor. É quen nem pedir pro povo do Zorra Total, a cada quadro, falar: “olha, galera, isso aqui não é a gente, são as personagens”. Penso assim. Eu acho o seguinte: quando você fala sobre o pacote, ao invés do que relamente aconteceu e cita nomes é, sim, uma tentativa de generalizar e dizer que todos são aquilos que você quer dizer. Dizer que o Tas é misógino porque ele riu é muito superficial e é forçar demais a barra. É isso que eu acho o ponto principal. Ele foi acusado, sim, de misógino e anti-amamentação. É só ler os e-mails, principalmente. E eu acho isso injusto. Não existe isso de generalização aparente. Como não existe relativização aparente. As palavras são a prova de que o que foi dito, foi dito. Não tem como mudar. A não ser por retratação ou retificação. Se você me acusasse, por exemplo, de ser nazista ou qualquer outra coisa do tipo, por eu ser alemã certamente que iria usar dos meus direitos. Se você me acusasse de homofóbica por estar entre homofóbicos, também iria pedir retratação. É a mesma lógica, entende? Eu acho um jogo perigoso esse. Já estive muitas vezes do lado de Lola, e já demonstrei isso por meio dos comentários. Mas dessa vez não. Boa sorte pra ela e pra vocês que estão do lado dela também. Eu só comentei no seu blog por termos a causa animal em comum. :)

          Robson Fernando de Souza

          junho 3 2011

          Denise, os personagens do Zorra Total não vêm se envolvendo com controvérsias e recebendo moções de repúdio da população por preconceito. E ali eles de fato são personagens. No caso do CQC, ali não são “personagens” com nomes ficcionais, são eles mesmos, respondendo por Marcelo Tas, Danilo Gentili, Rafinha Bastos etc., expressando (a não ser que estejam sendo obrigados pela Band a não ser eles mesmos e a despejar preconceito no programa) seus pontos de vista.

          Eu acho o seguinte: quando você fala sobre o pacote, ao invés do que relamente aconteceu e cita nomes é, sim, uma tentativa de generalizar e dizer que todos são aquilos que você quer dizer.

          Eu não acho necessariamente assim. Até porque os dois outros integrantes do CQC3.0 (excluindo Tas) falam em nome do programa. Não há disclaimers dizendo que as opiniões expressas no ar não correspondem ao ideário editorial do CQC. Por isso ela acabou falando “o CQC”, “os caras do CQC”. Mas concordo com você quando a crítica acaba envolvendo contingentemente caras como Marco Luque e Oscar Filho, que, até onde sei, ainda não se envolveram com piadinhas antiéticas.

          E repito: Lola não disse que especificamente Marcelo Tas é misógino. Releia o post dela e compreenderá.

          Sobre estar chateada, digo não pelo acontecimento, mas por vc ter se decepcionado comigo e com outras pessoas por estarmos apoiando Lola sem abrir nessa situação.

      Denise

      junho 3 2011 Responder

      Isso sem contar as rotulagens estressantes sobre política: fulano é de direita, portanto não merece o menor respeito. Isso não dá mais moral pra ninguém, percebe? O Brasil é um país democrático, em tese, portanto, podemos ser de direita, de esquerda, de fundo, de banda, do que quisermos sem precisar escutar piadas ou comentários maldosos em função disto. Eu acho insuportável, por exemplo, para mim, que sou atéia, ter que escutar um monte de abrobrinha desrespeitosa por minha escolha.

        Denise

        junho 3 2011 Responder

        Aliás… Esse seu post me lembra o de Datena. Ele não gosta de ateus, mas não pode xingá-l@s ou adjetivá-l@s. Do mesmo modo que a gente pode ter nossa crítica a respeito do que foi falado sobre a amamentação, mas não é por isso que vamos acusar as pessoas de misógin@s, machistas, preconceituos@s e tudo o mais que nos der na telha. Isso é calunioso, sim, e difamatório. Do mesmo jeito que Datena o foi quando condenou os não-teístas.

          Robson Fernando de Souza

          junho 3 2011

          De fato às vezes ela acaba generalizando sem intenção quando fala de “os homens” em vez de colocar a categoria específica de homens a que ela se refere (ex.: “os machistas”). Isso você pode tratar com ela, alertando-a pra essa falha que a deixa passível a críticas e acusações de “misandria”.

          Mas percebi que a crítica dela é especificamente à atitude de se enojar com a amamentação e com os CQCistas que apologizam esse tipo de comportamento. Ela não diz, interpreto eu, que “todo aquele que tem nojinho de ver mulher amamentando é misógino e machista”. A não ser que você tenha interpretado assim.

          Denise

          junho 3 2011

          Eu não preciso tratar com ela. Já expus, mais de uma vez, que me incomodo com as generalizações que ela faz. Não só eu, mas muita gente também já comentou isso. Acho que se não incomoda ela, não tem porque ela mudar…

          E eu não sei, de fato, quem eles são. Por isso, não vou julgar pelo que não sei. Eu fico chateada e revoltada com homossexuais sendo mortos nas ruas. Eu também fiquei indignada com o Boris Casoy, que menosprezou os garis no jornal ao vivo. Eu fico frustrada quando vejo que as pessoas só querem uma desculpa pra fazer uma “revolução” coletiva pelo que ninguém sabe ao certo o que é, pois um vai lendo o que outr@s escreveram e a bola de neve é tão grande, mas tão grande, que ninguém sabe ao certo onde começou. É o que aconteceu neste caso. Pode ver a quantidade de pessoas que nem se deram ao trabalho de ver ou ler, apenas dizem que estão do lado. Certo, mas de quem? Ou de quê? Todos perdemos com isso.

Lola

junho 3 2011 Responder

Puxa, Robson, obrigada pelo apoio tão carinhoso. Obrigada mesmo, viu?

    Robson Fernando de Souza

    junho 3 2011 Responder

    De nada, Lola =) E eu digo o mesmo: obrigado por tantos posts carregados de inteligência, sagacidade e progressismo =D

    Abração

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