Em discurso contraditório, presidente da ABIEC diz que vegetarianismo é “coisa de elitista”
Em meados deste mês, em palestra no Congresso Mundial da Carne, em Campo Grande, o diretor da ABIEC – Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, Fernando Sampaio, fez uma declaração polemista sobre a acessibilidade financeira do vegetarianismo à população.
Disse Sampaio, entre 0:38 e 1:02 do vídeo:
Eu tenho orgulho de comer carne, porque vegetariano (sic) é coisa de elitista, eu nunca conheci um vegetariano pobre.
[aplausos]
Porque quando você precisa, a carne é ao mesmo tempo necessária e ela é desejada… né, vegetariano (sic) é pra quem pode comer granola de manhã e jantar no restaurante japonês à noite.
Em seguida, entre 1:09 e 1:31 ele cai em evidente contradição com o seu discurso antivegetariano, associando claramente o acesso ao consumo de carne ao aumento do poder aquisitivo da população:
Tem gente precisando de carne, e à medida que a renda dessas pessoas aumenta, elas vão poder ter acesso à carne. É lógico que o trabalho que a Austrália faz é maravilhoso, mas aqui no Brasil e nos países emergentes eu não preciso convencer ninguém a comer carne. As pessoas comem carne porque quando elas ganham mais dinheiro, elas entendem que elas precisam colocar a carne no prato das famílias delas.
O discurso deve ter agradado, no clima do momento, aos presentes na plateia (só não sei como os espectadores não ovacionaram com gritos de “uhuu!”, uma vez que esse público costuma plantar tantos preconceitos sobre o vegetarianismo e até sobre os veg[etari]anos), mas, visto hoje com mais tranquilidade e com as facilidades da visualização flexível de vídeos – pelas quais você pode assistir o trecho desejado do vídeo quantas vezes precisar -, percebemos que o diretor da ABIEC deu um tiro de fuzil no pé. Primeiro diz que vegetarianismo é “coisa de elitista”, e em seguida admite, sem qualquer constrangimento, que a carne é algo que só pode ser consumido maximamente mediante a elevação do poder aquisitivo – em outras palavras, o consumo de carne é essencialmente elitista.
Sem falar que ele ignora o fato de já existirem meios de propaganda panfletária do consumo de carne, como o Serviço de Informação da Carne (copie e cole por sua conta e risco: http://www.sic.org.br/) e o finado Instituto Pró-Carne, ambos criados por pecuaristas que temem a perspectiva futura de crescimento em grande escala do vegetarianismo no Brasil.
A contradição foi um deleite para nós veg(etari)anos, e, de qualquer forma, o discurso foi uma amostra para lá de relevante de que o vegetarianismo no Brasil finalmente está começando a incomodar os intere$$es daqueles que lucram com a exploração e morte de bilhões de animais não humanos.
Em resposta à declaração de Fernando Sampaio, minha irmã de consciência Renata Octaviani deu uma contra-argumentação fatality nos comentários da versão do Vista-se desta notícia:
”Vegetarianismo é coisa de elitista; mas as pessoas comem mais carne quando ganham mais dinheiro”. Olha que belo raciocínio! (pára e pensa, povo, as coisas que eu como eu compro na droga do mercado municipal e em feira livre). Eu como feijão, arroz, farinhas, frutas, legumes. E não como granola de manhã, aliás, tomo café preto com pão (embora o quilo da granola muitas vezes seja mais barata que o quilo do pão francês!). Mas comprar um quilo de aveia a R$ 4,00 e colocar um cereal nas suas refeições não é um feito heróico, é saber lidar com economia doméstica o que, infelizmente, parece que tem muita gente querendo que continue sendo “coisa de elitista”. Comer mais feijões – que rendem mais e são mais baratos que a carne – não é coisa de elitista, é coisa de gente esperta.
As pessoas não sabem o que comprar, comer e cozinhar, não sabem variar, não sabem boicotar preços altos e aproveitar safras; isso é SIM uma questão de educação, muito mais do que uma questão de acesso. É tão “elitista” quanto livros são elitistas. Queimem os livros então, pecuaristas! Não estou discutindo linha da pobreza e miséria absoluta, essas são situações limites em que as pessoas sequer comem com freqüência e dificilmente têm opção de escolha. Mas um pecuarista falar que comida vegetariana é “elitista” chega a ser comédia! Poucas coisas são mais elitistas que um latifúndio, não é por nada. E quem tem mais interesse nessa questão? Pecuaristas que dependem financeiramente da venda de carne ou Vegetarianos que são pessoas diversas geralmente não ligadas à produção e que defendem vegetarianismo/veganismo e consumo de itens da agricultura em detrimento da pecuária simplesmente pq acham isso uma coisa CORRETA?
Fora que vegetais são muito mais iguais para todos. Um tomate é um tomate, uma cebola é uma cebola, feijão é feijão, arroz, banana… Geralmente leva-se a coisa inteira; se quiser cortar, separar, aproveitar, é uma escolha só sua. Há vegetais mais caros e mais baratos de acordo com produção, disponibilidade e alguns são mais raros até, mas quando se compara um vegetal ele simplesmente é o que é. Já carne (seja de qual bicho for) tem normalmente “partes” ou “cortes”. É o mesmo bicho mas tem de primeira, de segunda, víceras, ossos, pele… E comer um filé, um músculo, língua, cozido de tripas, um embutido ou caldo de mocotó são coisas vistas pela maioria como muito diferentes embora todos possam vir do mesmo animal. Quanto mais pobre pior o tipo que se come, negando mesmo acesso dos mais pobres (e não são nem os miseráveis) às partes ditas “nobres”. Isso não é elitista, então? O senso de realidade dos produtores chegou aí e parou.
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8 respostas a Em discurso contraditório, presidente da ABIEC diz que vegetarianismo é “coisa de elitista”
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A mina disse tudo :). E, ao meu ver, o cara não tem argumentos. Se contradiz por que sabe que mente.
Hm…
Se vegetarianos são ricos…
E ricos comem carne…
Os pobres fazem fotossíntese?
kkkkkkk Bem bolado :P
Só rindo mesmo…
o melhor foi sobre comer em restaurante japonês.
Muito conhecedor do assunto este senhor…para imaginar que vegetarianos comam peixe…enfim…
Pertenço ao proletário e não como carne há muuuito tempo.
Eletista é produzir carne as custas da degradação das florestas BRASILEIRAS para criar gado e preferir vender para gringo do que alimentar os pobres a quem ele se refere.
Hipócrita!
Mais uma vez: nossos destinos nas mãos de imbecis…
Então a FAO é mentirosa? Quero saber quanto de água eles admitem que gastam na produção! 10 litros?
Eu sou pobre e não gastar dinheiro com carne é o que salva meu fim de mês.
Fui pesquisar os preços para comparar.Um kg de carne custa em média 9 reais o Kg ( como o Acem) ou 23 reais (como o filet mingon). 5 KG DE FEIJÃO custam em média de 7 a 10 reais.
Ok, elitista são os vegetrianos mesmo? .-.
Cada um, viu…
E isso aí.. votem por piada ó no que dá!?
Esse digníssimo senho deveria no míiiinimo ter feito uma pesquisa de campo com a propina que os pecuaristas pagaram pra ele dar esse discurso.
Engraçado… 1kg de contra filé custa em média R$24,00
1 kg de carne de soja na cerealista custa R$ 3,79.
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