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jun11

Enquanto o mundo arranca os cabelos para salvar os atuns, o Brasil e sua imprensa incentivam pescá-los mais ainda

A empresa Atlântico Tuna está investindo naquilo que vem descabelando ambientalistas e governos de todo o mundo: investir em tecnologia para pescar mais atuns ainda. Não lhes importa que estejam ameaçados de extinção em grandes regiões oceânicas, tampouco que os animais em questão sofram com o encurralamento e a asfixia derradeira. A ordem da empresa é tapar os ouvidos ante a grita do mundo e o sofrimento animal e faturar alto na arte de matar animais marinhos e esgotar suas populações.

Diz a Folha.com, abordando o assunto com a tradicional “imparcialidade parcial”:

A imagem destoa no porto de Natal: 140 toneladas de atum são retiradas de um freezer gigante, abaixo do convés. Congelados a 60 graus negativos, em alto mar, os peixes foram capturados entre 200 e 400 metros abaixo da superfície.

O instrumento da pesca é o espinhel -fio de nylon com 150 quilômetros de extensão, onde são presos 3.000 anzóis. Após lançados, são controlados por computador.

[…]

“Queremos ser protagonistas na pesca oceânica e assumir o papel do Brasil no Atlântico”, diz Gabriel Calzavara, presidente da empresa.

Em um ano, a empresa quer pescar 8 mil toneladas de albacoras -hoje, o volume nacional é de 4,7 mil toneladas.

O portal ainda diz no final da reportagem, num escancarado incentivo para que o Brasil invista em esgotar o quanto antes as populações de peixes da sua faixa territorial oceânica:

Os gargalos em pesquisa e pessoal mostram o atraso do Brasil na pesca. Apesar de possuir 13% da água doce do planeta e uma costa de 8.500 quilômetros de extensão, o país tem papel de coadjuvante. Produz cerca de 1,2 milhão de toneladas, o equivalente a 2% da produção chinesa.

Falta de políticas públicas direcionadas ao setor e a abundância de outros tipos de proteína animal no país são apontados como razões para o atraso. Mas o cenário muda aos poucos. Nos últimos quatro anos, a aquicultura, principal aposta do governo para o setor, cresceu 60%.

Divulga-se com orgulho matérias que deveriam causar apreensão. Temas de cunho ético-ambiental são abordados como assuntos meramente econômicos. A existência e vida dos atuns são consideradas nada perante a perspectiva de se ganhar dinheiro pela pesca que invade territórios oceânicos que outrora estavam em paz. Se não têm o direito de continuar vivos no oceano nem podem recompor suas populações, problema.

Agem de forma ético-ambientalmente reprovável a empresa em questão e a Folha.com, esta última indiretamente incentivando que o Brasil não se importe com o ambiente marinho e mate ainda mais animais que já estão ameaçados de extinção. A ética da senciência e a responsabilidade ambiental passaram longe.

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7 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Jessica Meireles

junho 8 2011 Responder

O redator da notícia da Folha.com chamou de “atraso” o fato do Brasil ter “pouca” pesca em um tempo em que todos sabem que os ecossistemas aquáticos estão ameaçados por excesso de pesca. Atraso é incentivar ações que prejudiquem o meio ambiente. Vi esse post a partir do link do comentário no blog do MaisEcoEducação onde há três vídeos mostrados no Fantástico (Rede Globo) alertando do problema que é a disposição incorreta de resíduos para os oceanos e realmente a mídia não tem uma postura sólida quanto os problemas ambientais. Na televisão há escassez de bons programas, principalmente em horário mais acessível. Programas educativos passam de madrugada, fofocas e novelas passam a tarde toda na maioria das emissoras. Por isso conversando com outra colaboradora do blog há semanas atrás tivemos a ideia de fazer uma lista de programas que “salvam” a TV brasileira (e também programas de rádio) e colocar no Blog para aquelas pessoas que têm mais acesso à TV (e ao rádio) que à Internet, por exemplo. Aceitamos a ajuda de todos: maisecoeducacao@hotmail.com | Um abraço. =)

    Robson Fernando de Souza

    junho 8 2011 Responder

    É, Jessica, essa TV aberta é uma contradição vivificada. Tome como exemplo a própria Globo mesmo, que tem paralelamente o Globo Ecologia, que faz a emissora ter boa pinta perante alguns ambientalistas de paradigmas tradicionais, e o Globo Rural, a vedete televisiva do agrocriminegócio desmatador e explorador de animais.

Guilherme Jungbluth

junho 7 2011 Responder

Estou contigo !!

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