Massacre de camelos na Austrália: Northwest Carbon responde a e-mail de protesto
A empresa zoogenocida Northwest Carbon respondeu a meu e-mail em protesto contra o pretendido massacre em massa de camelos selvagens na Austrália, justificando sua posição relativa a exterminá-los pelo Outback australiano. A resposta foi feita em inglês, sendo abaixo minha tradução livre:
Obrigado por dedicar seu tempo para se corresponder conosco.
Gostaríamos de lhe dar assistência de modo a torná-lo melhor informado sobre a questão dos camelos selvagens na Austrália, permitindo-lhe fazer um comentário racional e informado sobre o problema.
A Austráia tem leis muito rigorosas no que concerne aos direitos e bem-estar dos animais. Nossa metodologia lida especificamente com questões de tratamento humanitário de animais. Em particular, todas as atividades serão cobertas sob as responsabilidades legais previstas por regulamentações relevantes:
Comitê Legislativo da Agricultura, Comitê de Saúde Animal (2002). Código-modelo de Práticas pelo Bem-estar de Animais, destruição ou captura, manejo e comercialização de animais rurais selvagens. Collingwood: CSIRO Publishing.
Comitê Legislativo das Indústrias Primárias (2006). Código-modelo de Práticas pelo Bem-estar de Animais: o Camelo (Camelus dromedaruis), Segunda Edição. CSIRO Publishing.
Importantemente, a Sociedade Real para Prevenção de Crueldade contra Animais (RSPCA) tem uma posição sobre a questão dos camelos selvagens na Austrália. Convidamos você a dedicar uma hora para ler a posição dela, a qual nós apoiamos.
http://kb.rspca.org.au/What-should-be-done-about-the-impact-of-feral-camels-in-Australia_377.html
Em seguida, gostaríamos de deixá-lo ciente da posição australiana sobre o gerenciamento de animais selvagens nos pastos, tal como adotada pela Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade (www.cbd.int) – Relatório de Incentivos à Biodiversidade em Pastos
Smyth A, Coggan A, Yunus F, Gorddard R, Whitten S, Davies J, Gambold N, Maloney J, Edwards R, Brandle R, Fleming J and Read J 2007, Enabling the Market: Incentives for Biodiversity in the Rangelands: Report to the Australian Government Department of the Environment and Water Resources by the Desert Knowledge Cooperative Research Centre, Desert Knowledge Cooperative Research Centre, Alice Springs.
http://www.cbd.int/doc/case-studies/inc/cs-inc-aus-rangeland-en.pdf
e o Plano de Ação de Camelos do Departamento Federal de Sustentabilidade, Meio Ambiente, Água, População e Comunidades
http://www.environment.gov.au/biodiversity/invasive/ferals/camels/index.html
Finalmente, nós apresentamos para você a contribuição do Secretário Parlamentar Mark Dreyfus para a discussão pública no Sydney Morning Herald.
[...]
Você parece estar agindo sob a premissa de que a eliminação de animais selvagens será o único tratamento que será feito. Nós sempre temos a preferência pelo uso de animais pelo modo menos derperdiçador possível, e vemos a eliminação como a opção menos preferida. Nós somos da opinião de que a remoção dos camelos selvagens das regiões remotas da Austrália proverá oportunidades de emprego para as comunidades indígenas economicamente desavantajadas onde há pouca ou nenhuma oportunidade, prestará assistência à redução da pressão sobre os seres vivos selvagens australianos raros e ameaçados e as espécies regionalmente ameaçadas de um modo humanitário, assim como a proteção das características culturais que as comunidades indígenas veem na paisagem como parte de sua conexão ao país que os não indígenas vieram a conhecer como “um sonho”ou “histórias de sonho”.
Nós esperamos tê-lo assistido por lhe provermos informação relevante para sua consideração de sua posição sobre essa questão, Se você costaria de mais alguma iformação, há abundância de informação sobre programas que visam reduzir os impactos dos camelos selvagens a qual pode ser acessada ao gastar algum tempo em ler a literatura disponível em http://feralscan.org.au/camelscan/default.aspx.
Nós também confiamos que você proteste com igual esforço e vigor contra todos os programas que visam remover gafanhotos, roedores, mosquitos e sapos-cururus, visto que esses animais-pragas são todos sujeitos a programas de gerenciamento na Austrália.
Justifica assim sua posição mediante posições bem-estaristas e “leis rígidas” de proteção animal. Mas continua sem dar um parecer sobre os fundamentos éticos de sua atitude que vem revoltando o mundo.
É de fato uma polêmica a questão do extermínio de espécies animais invasoras em prol da salvação de ecossistemas por elas ameaçados. Mas eticamente isso tem justificativas frágeis – se não o fossem, poderiam autorizar sem pestanejações o extermínio de populações humanas, uma vez que os seres humanos são os mais sérios agentes causadores de problemas ambientais e os mais enérgicos provocadores de extinções de animais não humanos ao redor do mundo atualmente.
É de se esperar que a posição inicial de empresas exterminadoras de animais (para fins que variam desde a produção de casacos de pele até a precaução ambiental) seja de explicar sua atitude, ainda que evitando qualquer confissão ético-filosófica. Mas a pressão crescente acaba fazendo-os desistir de suas atividades de exploração e/ou extermínio, tal como aconteceu com a Arezzo recentemente – que, depois de muita pressão nas redes sociais, desistiu da coleção Pelemania e afirmou abandonar permanentemente o uso de roupas e outros objetos feitos com peles de animais.
Portanto, mantenho a convocação: envie e-mails em inglês para info@northwestcarbon.com manifestando seu total repúdio pelo uso da “solução final” do extermínio de camelos como medida de gerenciamento do meio ambiente australiano.
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