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jun11

Professores do ensino básico privado também recebem salários de subemprego

É o que constatamos na notícia abaixo, em que se anuncia uma greve para a próxima semana:

Professores da rede privada decretam greve. Paralisação deve começar na quarta

Em assembleia realizada na tarde desta terça-feira (31), os professores da rede privada de ensino decidiram continuar em campanha e decretar greve. A partir de agora, a categoria, que possui 45 mil profissionais, irá aguardar o retorno dos donos das escolas particulares, que deverá ser dado em no máximo três dias. Caso não haja a negociação, a greve será deflagrada na assembleia marcada já para o próximo dia 08 de junho, às 9h.

A assembleia ocorreu na sede do Sindicato dos Professores no Estado de Pernambuco (Sinpro PE), no bairro de Santo Amaro, no Recife. No último dia 20 de maio, os professores já haviam aprovado estado de greve.

REIVINDICAÇÕES – Em campanha salarial, os professores aprovaram a pauta de negociações que reivindica, principalmente, o piso salarial de R$ 10 por hora de aula (atualmente é pago entre R$ 4,43 e R$ 5,82), melhores condições de trabalho, educação continuada, o cumprimento das bolsas de estudos para os filhos.

O último reajuste recebido foi de 3%. Com ele, a hora da aula de um professor de ensino médio, por exemplo, subiu de R$ 5,39 para R$ 5,82, acréscimo considerado irrisório pelos professores.

Considerando um professor/a que trabalha 40 horas semanais (ou seja, 8 horas por dia), 22 dias por mês: R$5,82 x 8 x 22 = míseros R$1.024,32 de salário, perfeitamente comparável aos salários no ensino público.

E eu que, na minha ingenuidade sedentária, ainda acreditava que professores de escolas particulares ganhavam pelo menos 30% mais que de escolas públicas.

Eu, que estou vendo a tudo de fora, me sinto impelido a apoiar a greve deles, mas me vem à mente a necessidade de se acordar com os alunos uma estratégia de unir as duas categorias (professores e alunos) em torno do ideal de uma educação melhor. Até como forma de as escolas exercerem a função de formar cidadãos aptos a usufruir de todas as possibilidades da democracia. Ou seja, não defendo a greve simples e pura, deixando-se de lado toda uma massa adolescente e mesmo infantil que poderia ser orientada, com educação prática, à cidadania ativa.

Greves docentes puras, que deixam os alunos de lado, encostados em casa, despertam não a solidariedade dessa massa juvenil, mas o repúdio pela interrupção das aulas e pelo entronxamento do calendário escolar. Ou então a comemoração dos mais sedentos de viver, que desfrutam da juventude, despreocupados com o mundo ao redor, enquanto seus professores lutam por um pouco de dignidade, para deixarem de receber salários vergonhosos e para terem condições de trabalho mais decentes.

O ideal para mim seria uma greve que promovesse atividades mobilizatórias envolvendo os corpos docente e discente e os pais e mães dos alunos. Escreverei em breve um artigo detalhando melhor essa minha opinião.

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