Quando digo que sou cético quanto à suposta guinada ambiental do governo Eduardo Campos (que teria sido proporcionada por Sérgio Xavier), falo muito sério.

Ao mesmo tempo em que o PV/PE jorrava no seu clipping notícias positivas sobre essa suposta virada verde do governo estadual, “O Máquina” anunciava a pretensão de construir um porto no estuário do Rio Itapessoca. O estuário em questão é esse abaixo:

Fonte da imagem: http://escadaedesenvolvimento.wordpress.com/2011/06/06/ppp-pode-levar-novo-porto-para-pernambuco/

Enfatiza Verônica Falcão, autora do blog Ciência e Meio Ambiente do NE10:

O governo do Estado revelou detalhes, na tarde desta segunda, do projeto do porto que pretende construir, numa parceria público-privado (PPP), no estuário do Rio Itapeçoca, em Goiana, Litoral Norte de Pernambuco. Mas não disse ainda quanto de manguezal vai aterrar, quanto de Mata Atlântica vai desmatar e quantos pescadores vai desalojar sem ter um local para transferi-los. Tudo isso ocorreu no Porto de Suape, sendo a compensação ambiental pelos impactos quase nula, como admite o próprio governo.

O projeto de “justificativa e implementação” para o que eu desde já chamo provisoriamente de Porto Norte é a cara do Eduardo Campos de sempre: extremamente antropocêntrico, economicista, abordando marginalmente o meio ambiente em promoção do fator econômico:

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Fonte: Blog Ciência e Meio Ambiente

Podemos perceber no documento acima uma abordagem, como eu disse acima, extremamente concentrada nos aspectos econômicos do Litoral Norte e do possível futuro porto. Mesmo a dimensão social ficou reduzida, referida de forma um tanto indireta na abordagem econômica do projeto. O meio ambiente por sua vez ficou confinado no simplismo das Unidades de Conservação hoje existentes – e passíveis de destruição no futuro -, como se sustentabilidade não fosse nada além de manter UCs intactas.

O outro “momento” de “presença” da questão meio ambiente no projeto foi a fantasiosa alusão a um projeto “portuário-aeroportuário-industrial-ecológico“. Aí eu pergunto: que complexo “…-ecológico” é esse cujo aspecto ambiental se reduz ao mantimento (?) de UCs e nada mais – e, aliás, destruirá parte significativa delas durante sua concretização? E por que o projeto acima não fala de nada que será feito em prol do meio ambiente durante a construção e funcionamento do Porto Norte?

Se não virmos nas próximas semanas um relatório realmente sustentabilista – ambiental-social-econômico em proporções uniformes -, teremos a certeza de que os avanços divulgados pelo clipping do PV/PE são apenas contrapesos a megaempreendimentos industriais altamente danosos e insustentáveis. E será a hora de a população do Litoral Norte – ou melhor, toda a população pernambucana ambientalmente consciente – reagir contra a instalação do Porto Norte assim como o Brasil vem reagindo contra Belo Monte.

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7 respostas a Sobre o porto do litoral norte pernambucano pretendido por Eduardo Campos

  1. [...] meio ambiente. Considerando essa posição, teremos também outro ecocídio de grandes proporções no estuário do Rio Itapessoca dentro de não muito [...]

  2. SAULO FLAVIUS BORBA LINS DA SILVA disse:

    Comentário editado por duas razões: trollagem e grosseria.

    Sem mais,
    RFS

  3. Angela Marques disse:

    Moro em Goiana, no distrito de Atapuz. Sabemos desse Porto e até agora nãotemos noção do quanto poderemos ou não ser prejudicados, muito menos da proporção.

  4. maria silva disse:

    todos no momento estão pensando no progesso, mas , até a presente data não ouvi se quer nenhum comentário sobre a consequencia desse progresso que está vindo de vento em popa.Não pensaram se quer no meio ambiente , na degradação dos manguesais.Acredito que com tanto propgresso,não vai ter mais pescador,não vai exxistir mais manguesais e como ficará o nosso eco sistema? Será que esse pessoal no momeno só pensa em capacitar,preparação da mão de obra local e as consequencias ficam por conta de quem?será que estão sonhando com um novo litoral norte sema arvores sem vida animal só com viadutos e prédios.Onde está o projeto e ou planejamento das consequencias do progresso do litoral norte?gostaria muito de saber pis sei que um futuro com muito calor poucas arvores e pouca vida animal.

  5. Guiomar Melo disse:

    O que poderemos fazer mais efetivamente para evitar que esse projeto destrua uma área ecologicamente tão bonita como o estuário de Itapeçoca? Será que em nome do progresso devemos permitir um crime ambiental dessa natureza? Por que o Governo não cria projetos de ecoturismo para promover riquezas, aproveitando o potencial ecológico da região como se observa em outros Estados do Brasil, sem destruir a natureza? São poucos os pernambucanos que conhecem esse paraíso e talvez por isso desconheçam as consequências que um projeto desse porte pode ocasionar à região. O que foi feito pelo governo durante anos pela comunidade esquecida de Atapuz, quando a população não tinha como se deslocar no inverno, porque não havia uma estrada descente. Quantos não morreram por falta de assistência à saúde e ainda hoje essa população de pescadores sobrevive sem educação digna,pois a maioria dos jovens para continuar os estudos precisa se deslocar para Goiana quando termina a 4ª série. Surpreendeu a construção da estrada Hilton Guedes Alcoforado, que foi concluída esse ano, porém o lugarejo talvez tenha que pagar um preço muito alto pelo presente de grego que recebeu, pois o projeto irá atingir o coração da cidadezinha de Atapuz e possivelmente destruí-la sem considerar a história de todos aqueles que ali vivem. A comunidade de Atapuz precisa ser consultada quanto à realização desse projeto para se manifestar quanto ao seu futuro.

  6. Anônimo disse:

    A chamada Grande Política, não há pouco, está corroendo a sociabilidade em Atapuz: algumas poucas pessoas vinculadas a essa política semeiam um estado de desconfiança, invabilizando articulações que podem gerar planos, projetos sócio-ambientais que se desdobrem em um conjunto de práticas que beneficie de fato os residentes; interesses que, por vezes, são distintos dos anseios almejados por políticos-empresários que já começam suas visitações ao local… Se liga Atapuz!

  7. Anônimo disse:

    Simplesmente certas mazelas acumuladas pelos moradores, consequência de promessas não cumpridas (pra variar) acometem também outras pessoas que não estão vinculadas com a política institucional e que realmentem vislumbram a melhoria da qualidade de vida dos residentes. Estes, muitas vezes, já se tornaram impermeáveis à projeções de novas ideias para localidade. O perigo é justamente esta descrença generalizada: as pessoas têm que permitir o diálogo sem tensão e depois procurar se informar melhor para poder tomar decisões conjuntas. Abraço!

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