09

jun11

Tortura em nome da ciência (Parte 46)

Uma pesquisa da Universidade de Iowa (EUA) envolvendo o ácido ursólico, substância presente na casca da maçã, infligiu em ratos danos nervosos e jejum forçado e consequente atrofia muscular.

A notícia no Ciência Hoje parece não envolver atos violentos, mas o seu último parágrafo arranca a máscara de uma experiência que aparentava aos olhos leigos uma mera terapia nutricional:

Nas experiências que realizaram provaram que os ratos alimentados com ácido ursólico estavam protegidos da atrofia muscular causada pelo jejum e por danos nervosos, enquanto os ratos saudáveis alimentados com ácido ursólico desenvolveram músculos maiores e mais fortes do que os que não receberam essa dieta.

O artigo original da pesquisa-tortura conta que:

Mice were fasted by removing food, but not water, for 24 hr. […] Unilateral hindlimb muscle denervation was performed by transsecting the sciatic nerve under anesthesia […]

(Os camundongos foram postos em jejum pela privação de alimentos, mas não de água, por 24 horas. […] A desenervação de músculo unilateral de um dos membros traseiros foi feita pela transsecção do nervo ciático sob anestesia […])

Ou seja, a notícia do Ciência Hoje errou na tradução ao plantar a crença de que nenhum rato foi submetido a paralisia e jejum. Segundo o artigo, todos eles tiveram uma de suas patas traseiras paralisadas e foram forçados ao jejum. Para você ter uma ideia de como é angustiante passar fome por 24 horas, experimente comer apenas o café-da-manhã do dia e esperar em fome até a manhã do dia seguinte.

Com o detalhe visto no artigo: ratos “de laboratório” têm marcas, como se fossem produtos, com formato de código referencial – a marca das vítimas da experiência em questão é C57BL/6.

Devem pensar esses vivissectores: posso fazer o que bem entender, exceto o que é proibido pela Comissão de “Ética”, com esses animais. Porque, afinal, eles são só objetos instrumentais para nós – têm até marca, como todo produto industrializado deve ter!

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