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jul11

Bárbara Dias: Educação Ambiental NÃO serve para conscientizar (mais autocrítica minha)

Um texto que, ainda que pequeno, me obrigou a rever os conceitos do papel conscientizador que sempre atribuí ao Consciencia.blog.br, do blog Educação Ambiental Crítica.

 

A Educação Ambiental NÃO conscientiza ninguém!
por Bárbara de Castro Dias, do blog Educação Ambiental Crítica

Ao trabalharmos Educação Ambiental devemos nos preocupar em não reproduzir certos jargões ambientalistas, como, por exemplo, o uso da palavra conscientização. Isto se deve [ao fato de que] a Educação ambiental não tem como objetivo conscientizar, ela visa [sim] sensibilizar e motivar os envolvidos para o despertar em relação aos problemas socioambientais. A conscientização é intrínseca [a] cada um, e este processo só pode ser conseguido sozinho.

Ou seja, o processo de conscientização parte de dentro para fora. Temos que ter em mente que o uso inadequado do termo conscientizar é um fato, quando se fala em Educação Ambiental; vista por este enfoque, a Educação Ambiental teria apenas o objetivo simplista de tornar ciente os envolvidos, assumindo um carater informativo e não transformador.  Não estou dizendo que não seja importante a informação, mas Educação Ambiental não deve apenas se resumir a isto.

Ela deve ser, antes de mais nada, um processo de reflexão, entre os envolvidos, de modo que cada uma das pessoas, através de um ponto de vista crítico em relação ao ambiente que o cerca, possa se ver como parte do todo e [ver] que os problemas socioambientais não atinge somente o ambiente, mas também quem vive e depende dele.

Neste contexto, a Educação Ambiental pode levar a uma conscientização individual e coletiva do grupo, considerando as representações sociais que norteiam o pensar e agir dos envolvidos no processo educativo, identificando pontos de fragilidade que podem ser usados para que o indivíduo seja posto em situação de conflito e saia de sua zona de acomudação, entrando [ele] em contato com o seu pensar e agir, refletindo sobre suas práticas e decidindo a partir daí quais procedimentos deverá adotar.

Logo, a Educação Ambiental Crítica objetiva mediar para efetivas mudanças, para mudanças atitudinais, não por informar, e sim por fazer o envolvido no processo se reconhecer como parte do problema, tornando-o capaz de transformá-lo, resolvendo ou propondo soluções, não somente aceitando-as.

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Autocrítica minha:

O texto acima me iluminou na questão da conscientização e também me alentou para a questão de eu não conseguir conscientizar nem gente da própria família: apenas informar sobre as más consequências de certos comportamentos não é conscientizar. Isso é apenas incitar um futuro processo de conscientização.

De fato a conscientização vem de dentro para fora, a partir do processo da autorreflexão. E o texto acima era aquilo que faltava para me fazer entender isso. E ele também me faz rever o propósito do próprio Consciencia.blog.br.

O blog não conscientiza ninguém por si só, não injeta em ninguém a consciência de fora para dentro. O certo é dizer que ele ajuda as pessoas a refletirem sobre seu papel na dinâmica do mundo e em seus efeitos positivos e negativos e influi a consciência adormecida a acordar aos poucos.

Ele ajuda os relutantes (segundo a classificação de pessoas conscientes trazida por Tom Regan no livro Jaulas Vazias) a reverem seus hábitos e crenças. E foi exatamente assim que eu pessoalmente criei a consciência ateísta, a veg(etari)ana, a feminista, a de esquerda e tantas outras subdivisões de meu ideário de consciência – a influência externa não me transformou por si só, mas me induziu a transformações internas.

E o ato de influenciar consciências também leva em conta a realidade em que o indivíduo está imerso. Dar as mesmas informações abridoras de olhos não funciona de forma igual para alguém de classe média-alta e alguém abaixo da linha de pobreza. Por exemplo, é fácil falar que o vegetarianismo estrito é em todos os sentidos a melhor opção alimentar de todas, mas isso não é suficiente quando o intelocutor tem muitas dúvidas sobre a viabilidade financeira do vegetarianismo estrito e inclusive acha que o vegetarianismo necessariamente se sustenta com produtos naturais caros.

Portanto, desde já o propósito do blog é reconhecido não como conscientizador, mas sim como influenciador de consciências. E ele deverá se obrigar a compreender os mais diversos contextos, não mais tomando a classe C como classe padrão, mas sim enxergando os contextos e dificuldades peculiares a cada classe socioeconômica.

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3 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Grace Eclesia

agosto 5 2016 Responder

ola Barbara! Sou uma estudante me graduando, o meu TCC fala sobre um tema relacionado com a conscientização e a educação ambiental nos alunos do 1o ciclo. Estou há meses investigando sobre esse assunto, confesso que o termo conscientização e novo para mim; apos tanta procura, hoje me deparei com o vosso blog(realmente pensei que a conscientização ajudaria a potenciar a EA desses alunos). Agora fiquei com muita duvida sobre isso. gostaria de ter uma opinião vossa sobre este tema. Será possível continuar com este assunto, por favor!

    Robson Fernando de Souza

    agosto 5 2016 Responder

    Olá, Grace. Eu obtive o texto dela (com autorização) do blog dela. Este aqui não é o blog de Bárbara Dias. Abs

      GraceEclesia

      agosto 6 2016 Responder

      E como obter a autorização dela, por favor!

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