40 dias depois de Izabella Teixeira, ministra do meio ambiente, ter dito que não é “eco-histérica nem biodesagradável”, agora foi a vez do presidente do IBAMA, Curt Trennepohl, vomitar besteiras que jamais deveriam sair da boca de dirigentes ambientais de qualquer escalão.

Dessa vez a mídia se ligou e denunciou. A Folha.com é um exemplo de veículo que não deixou barata a desfeita de Trennepohl.

Em entrevista a uma TV australiana, ao ser perguntado sobre Belo Monte, ele assumiu que seu trabalho não é cuidar do meio ambiente, mas apenas “minimizar os impactos”:

A repórter da Nine Network perguntou a Trennepohl se ele estava tranquilo com a decisão de licenciar a obra.

“Sim, a decisão foi minha”, respondeu Trennepohl.

“Mas seu trabalho não é cuidar do ambiente?”

“Não, meu trabalho é minimizar os impactos.”

Após a entrevista, sem saber que ainda estava com o microfone ligado, Trennepohl tentou argumentar com a jornalista australiana:

“Vocês têm os aborígenes lá e não os respeitam.”

“Então vocês vão fazer com os índios a mesma coisa que nós fizemos com os aborígines?”, questionou Landgon.

“Sim, sim”, respondeu Trennepohl.

Hoje há cerca de 500 mil aborígines na Austrália, compondo menos de 3% da população do país.

Ao longo do século 19, os colonos britânicos que ocuparam a ilha chegaram a conduzir campanhas de extermínio, com recompensas pela morte de aborígines. O caso mais grave foi o da Tasmânia, Estado onde toda a população aborígine não mestiça tinha sumido em 1876.

Depois de ter sido procurado pela Folha, ele teve como desculpa ter sido “agredido” pela repórter Allison Langdon e “acusado” de estar acabando com os índios.

É o segundo caso em dois meses de alta autoridade ambiental brasileira declarando-se hostil à verdadeira causa ambiental. É difícil acreditar que ele possa ser um pretendente a etnocida convicto, mas essas palavras saíram de uma das piores bocas possíveis para ter saído num ato falho de grandes proporções.

Novamente percebemos que o governo Dilma não está nem aí para o meio ambiente, ao manter em seus cargos gente completamente despreparada e alienada daquela que é a legítima preocupação ambiental. Como diz Raphael Tsavkko, votamos na Dilma e ganhamos o Serra. E o Brasil anda na contramão do mundo com pelo menos dois ecocídios majoritários no horizonte – Belo Monte e o “novo Código Florestal” -, não tendo o governo a mínima intenção de proteger a Natureza de mais grandes devastações.

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4 respostas a Depois da ministra não “biodesagradável”, agora é a vez do presidente do IBAMA vomitar grosseria

  1. Tanira disse:

    … “belo monte” de asneiras!

  2. É impressionante o grau de despreparo das pessoas que estão no comando do meio ambiente deste mandato. Se fosse para falar m*rda, agir incoerentemente e não se responsabilizar pelas suas responsabilidades, então até eu poderia estar ganhando essa boquinha parlamentar.
    Ah, vá!

  3. [...] grosserias que jamais sairiam da boca de dirigentes ambientais sérios: em defesa de Belo Monte, ele consentiu que os índios brasileiros sejam exterminados em nome do “desenvolvimento” – O Consciencia.blog.br tem seu primeiro recesso. É o [...]

  4. [...] de uma ministra conservadora que acha que ambientalistas são histéricos e desagradáveis e de um presidente do IBAMA a favor do genocídio de indígenas, política dos ouvidos moucos contra os protestos da população contrária a Belo Monte e ao [...]

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