17

jul11

Krasis: Onívoros, minha empatia caga na sua!

Texto top de linha do blog Krasis – blog que tem diversas causas em comum com o Consciencia.blog.br – que dá um bom fora nos reaças da recente onda alfacista virtual encabeçada por uma musiquinha recheada de baixaria no YouTube.

 

Onívoros: A Minha Empatia Caga Na Sua.
por Mexy & Jo, do blog Krasis

Se você defende alguma causa (animais não-humanos, mulheres, LGBTTT, negrxs, liberdade, fraternidade, igualdade ou o fim da ditadura do automóvel) você com certeza já foi chamadx de radical.

Não quis comer o torresmo com a galera? Xiita.

Não gosta da cruz dentro do ambiente de trabalho? Intolerante.

Acha que homofobia deveria ser crime? Tá impondo seu modo de vida pros outros, terrorista? Vá pra Cuba!

Enquanto isso, uma corrente de pensamento ganha força, especialmente no ciberespaço. Um backlash declarado e seboso. O culto de ódio à empatia.

Se posicionar contra algum tipo de exploração e abuso, ou adotar novas posturas políticas e de conduta são motivos de piada.

Legal mesmo é ser “anti-politicamente-correto” (leia-se, direitóide gorfador de opiniões conservadoras e que pretende manter seus privilégios no topo da sociedade, como sempre foi) e ofender quem dá a mínima sobre qualquer coisa. Bom mesmo é quem é macho e bate punheta com um bacon enrolado no pau, que é pra dar destaque na virilidade onívora.

Sim, prezadxs, virilidade onívora. Já repararam na quantidade massiva e crescente de canais, blogs, vídeos e artigos enaltecendo a carne como instrumento de empoderamento másculo? Não que seja novidade, Carol J. Adams já falava sobre essa relação no seu Sexual Politics of Meat: A Feminist-Vegetarian Critical Theory (Políticas Sexuais da Carne: Uma Crítica Teórica Feminista-Vegetariana) e eu não estou aqui para repetir tudo que foi dito por ela.
Dia desses estava trabalhando, quando o meu digníssimo me manda um vídeo de fazer retornar ao colo a refeição ingerida a pouco.

O título da belezinha é “Carnívoros Song” , e claro que é um ode a todos os grandes clichêZZzzzzZZZzzs anti-veganos. O autor é um macho branco classe média revoltz pra caralho. Ele não liga pra nada, ele não tem empatia, “ele come picanha porque acha bom”, e não tá nem aí! Não é empolgante?

Na letra, temos maravilhas como “quem não gosta de chuleta não deve gostar de buceta”, “enfia o seu hommus bem no meio do rabo” e claro “minha comida caga na sua”, a máxima preferida de 9 entre 10 pessoas que tem orgulho de comer coisas que cagam – e também fazem tanta noção dos meios de produção do seu “alimento” que possuem convicção na teoria de que o pasto e a horta são a mesma coisa, confinamento de animais não existe, e os bois na verdade cagam nas alfaces. Oi?.

 Seria apenas mais um grande “ZZzzZZZz” reacionário da Interwebz, mas o que incomoda são os seguidores. Legiões de desinformadxs aplaudem o discurso de ódio e apatia pregado. É muito descolado ser macho, tr00hardcore e entupir as artérias de bacon, porque animais são burros e feitos pra nos servir. Nós sim somos superiores, e é nosso direito explorá-los até o tutano.

Sabe, na história a gente já viu muito esse discurso. “Preto não tem alma, então vamos explorar para o nosso benefício”. “Mulheres são irracionais e histéricas, logo só podem ter utilidade enquanto nos servem”. “Homossexuais são anti-naturais, vamos queimá-lxs e estuprá-lxs”.

Eu realmente não vejo diferença nenhuma. Quando você incentiva o consumo de derivados de exploração, está defendendo a tortura, exploração, humilhação, privação, estupro  e morte de bilhares de vidas.

Homofobia e misoginia são mascaradas pelo sagrado humor, então nada pode ser questionado. Nos primeiros cinqüenta segundos de um outro vídeo – também com a participação do indivíduo citado anteriormente – vemos uma pilha de carne de embrulhar o estômago. Uma voz máscula sugere “tratar a carne como trata a sua noiva”, e segue golpeando com socos o montinho de matéria morta.

Que engraçado. Enquanto mulheres e homossexuais morrem diariamente graças a esse tipo de cultura e bilhões de animais são torturados até o fim para engordar o colesterol do sangue humano, eu sou obrigada a rir de quem incentiva isso, senão a problemática serei eu.

Empatia é a capacidade de solidarizar com aquele que não você. A compaixão de não desejar sofrimento e tortura para seres sencientes, humanos ou não. A vontade de transformar o mundo em um ambiente melhor em todos os aspectos possíveis é de intrínseca relação com a solidariedade.
Tais sentimentos são menosprezados por quem escolhe se trancar em um carro, entupir o mundo de monóxido de carbono e congestionamento, suas artérias com gordura animal, ignorar as lutas daqueles que são historicamente oprimidos e se isolar em seus privilégios. Chamar a todxs aquelxs que apresentam alternativas de vida positivas de “chatos, broxas e radicais” é muito cômodo para quem não quer perder seu topo na “cadeia alimentar”. Para essa gente que usa ambientes como a selva, o sertão e a miséria como justificativa para seus hábitos alimentares de supermercado e condomínio de luxo, a vida anda muito fácil e engraçadinha, e toda essa militância é um grande e chato exagero.

Incrível perceber a reação violenta dessas pessoas quando diante do discurso vegetariano. Se sentem ameaçadas, apesar de serem as maiorias no mundo, e vêem uma necessidade épica de confronto e ridicularização, já que são incapazes de compreender uma luta por aqueles que não podem se defender.

Entristece saber também que mesmo x mais engajadx de determinado movimento possa não enxergar a relação entre sexismo, racismo, especismo e homofobia. Ou então perdoar determinadas condutas. Por exemplo, não admitimos racismo, mas toleramos xs milhares de especistas com quem convivemos.

E meu ponto não é dizer que militantes da causa animal sejam perfeitos, pois não são. Conheço boas dezenas de veg’s sexistas e homofóbicos. E isso me incomoda. Incomoda relativizar e menosprezar as lutas dos movimentos só porque você “não liga”, porque “tem coisa mais importante” pra se preocupar enquanto vidas são ceifadas.

Porém, de todas as formas de opressão e violência, a mais relativizada ainda é a cometida contra os não-humanos.

Abandonar uma criança é de infinita importância, porém abandonar ou matar ninhadas inteiras de filhotes é só um ato.

Fazer piada com o sofrimento de uma vaca é um clássico, assim como comparar o Reino animalia com o Reino plantae, jurando que são todos iguais, e que os “ecochatos” estão errados.

A vida humana é sempre infinitamente valorizada, sobretudo se for uma vida branca, masculina, bem sucedida financeiramente, heterossexual, cristã, onívora e motorizada. Essa é a vida com maior poder de consumo, de giro de capital. O resto? O resto é produto, prezadxs, usem como quiserem. Quando cansarem, joguem fora no lixo orgânico.

Se quer se informar mais sobre os muitos mitos anti-veganos, ou para parar de emitir opiniões que fariam corar de vergonha a uma criança de quatro anos de idade, recomendo os seguintes artigos:

F.A.Q Vegan.

Não Quero ser Uma Ativista Limpinha e Cheirosa, guest-post também da Deborah, na Lola

Documentário Terráqueos. A verdade documentada sobre as indústrias da exploração animal.

Deu fome? Não tá afim de beber pus com antibiótico e comer sangue? Vem!

Entenda mais sobre Creofilia e Sociopatia.

imagrs

4 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Fernando Cônsolo Fontenla

julho 18 2011 Responder

Adorei os links indicados! Vou ler agora mesmo o texto do gato verde e do opinião vegana.

Milena

julho 17 2011 Responder

Esse texto é um tapa na cara do pessoal “anti-politicamente correto”. Ou não né, essa gente arruma argumentos ridículos pra combater qualquer ideia que AMEACE tirar os privilégios egoístas deles. Eu andava trocando e-mails com uma garota estadunidense, quando o assunto recaiu sobre a comodidade da classe média e bom, eu tenho tendências esquerdistas, ela é total democrata-liberal no sentido teórico da coisa (estilo “todo mundo tem direito de conquistar o que quiser, vivemos em um mundo capitalista” lol, o pior foi que ela disse isso de verdade hahaha. Esse pessoal não enxerga a diferença entre igualdade teórica e verdadeira, é uma piada). Ela começou a arrumar uns argumentos pra defender essa visão dela, tão malucos, tão fora de realidade, que eu parei de responder.

Cesar Carvalho

julho 17 2011 Responder

A sessão de comentários do artigo original me embrulhou o estômago. Nunca vi tanto creófilo ignorante junto.

    Kaká

    outubro 3 2011 Responder

    “Bom mesmo é quem é macho e bate punheta com um bacon enrolado no pau, que é pra dar destaque na virilidade onívora.”

    Bom mesmo é quem, além disso, faz um site chamado “bucetube”.

    [Link removido. Não estou interessado em favorecer ou participar de qualquer “vingança” contra alfacistas. Por mim eles devem ser ignorados ou no máximo desmascarados em suas ideias. Punidos, só quando a lei criminalizar o alfacismo. RFS]

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo