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jul11

Mais um incentivo à pesca predatória no Rio Grande do Norte

Mais uma da Atlântico Tuna e da imprensa em prol da pesca predatória. Tecnologia japonesa poderá impulsionar a pesca em grande escala no Rio Grande do Norte e no Brasil.

Uma parceria entre a referida empresa pesqueira e a Japan Tuna, maior empresa de pesca do Japão, poderá elevar os resultados da pesca do atum de 4,6 mil toneladas/ano a 68 mil toneladas/ano. Em apenas uma pescaria, foram levados do mar para Natal 120 toneladas de corpos mortos desses peixes. Diz o Diário de Natal:

Três embarcações – Shoei Maru, Tawa Maru 88 e Kinei Maru 85 – apontaram na capital potiguar e aumentaram as expectativas de elevar a participação do país na pesca da espécie, passando dos atuais 1,5% para 25% da produção mundial.

A Comissão Internacional do Atum Atlântico tenta ressalvar que:

em 2008, das 272.900 toneladas de atum das espécies albacora branca, albacora lage e albacora bandolim, possível de serem capturadas de maneira sustentável no Atlântico, a frota nacional capturou apenas 4.194 toneladas, representando só 2% das capturas. O Brasil tem outorga para capturar cerca de 12 mil toneladas/ano de atum. Com a vinda dos japoneses, o Rio Grande do Norte estará apto a alcançar essa meta.

É sabido, no entanto, que indústrias pesqueiras dificilmente são preocupadas com sustentabilidade, e que eventuais campanhas permanentes de incentivo ao consumo de carne de peixes serão capazes de elevar o consumo a muito além dessas doze mil toneladas e, mundialmente, bem além das 272.900 toneladas.

E é exatamente essa pesca que vem recorrendo a águas mais profundas que a médio ou longo prazo ameaça a população global total dos atuns. Se hoje os atuns vêm decaindo a patamares alarmantes no Mar Mediterrâneo, foi por causa de iniciativas similares à dessas duas empresas pesqueiras – iniciativas de fazer a “produção” disparar e atender a mais e mais consumidores onívoros e piscitaristas.

Isso sem falar que pesca industrial é na prática sempre um zoogenocídio, em que cada pescaria mata milhares ou mesmo milhões de animais, que são sequestrados de seus ambientes naturais e submetidos a dolorosas asfixias ou formas “humanitárias” de abate. Deixam de ser seres livres e vivos para se tornarem cadáveres sob propriedade de pescadores. Toda notícia que incentiva a pesca e a vê com olhos puramente econômicos, como a do Diário de Natal e a da Folha.com, é um incentivo para mais matanças no mar em prol de uma alimentação inconsequente e nada sustentável.

O consumo de carne de peixes é tão insustentável e zoogenocida quanto a pecuária, mas poucos olham por esse lado. Enquanto notícias assim continuarem incentivando a intensificação de uma atividade que já ameaça num prazo de 40 anos todas as populações de peixes “pescáveis”, a vida marinha continuará em sérios apuros. E não haverá ONG ambientalista que detenha tal dizimação.

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