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ago11

A tradução machistamente malfeita do Gtalk

Talvez pouc@s tenham notado, mas o Google Talk (ou Gtalk) tem uma tradução malfeita que não distingue os gêneros dos seus usuári@s, tratando-@s como se fossem tod@s do sexo masculino. Podemos notar quando nossas colegas e amigas ficam online. Elas estão sempre conectados.

E ocupados também:

No inglês é neutro (connected, busy). E, talvez pensando erroneamente que o português também daria espaço total à neutralidade à sua maneira como no inglês – e que as mulheres não se incomodariam em ser cotidianamente tratadas via linguagem como homens -, tentaram copiar e colar na versão lusófona essa neutralidade ortográfica que na prática não existe entre nós. Seria tolerável se essa ortografia androcêntrica fosse apenas na tradução do plural (uma vez que o português culto ainda não usa arroba nem æ para equalizar o plural), mas no singular, situação em que é necessária a flexibilização por se tratar de pessoas concretas, não dá para eu ler o “conectado”/”ocupado” sem me incomodar bastante depois que caiu a ficha.

Nesse caso, seria razoável adicionar a essas palavras um (a) ou flexibilizar o programa de modo a detectar o sexo configurado na conta Google da pessoa. Do jeito que está, pega muito mal. Mas infelizmente creio que o Google certamente vai ignorar este meu apelo – pelo menos no Orkut, os usuários são pessimamente tratados pelo suporte, na base da omissão e da resposta automática.

 

P.S: a quem perguntar se é “frescura”, sim, é “frescura” minha. Porque, segundo quem me pergunta isso, deve ser muita “frescura” querer que as mulheres sejam devidamente tratadas com respeito e igualdade, das grandes às pequenas situações, tendo sua identidade de gênero respeitada – e não negada e anulada como na capenga tradução do Gtalk.

imagrs

3 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Marco Silva

junho 12 2012 Responder

Olá, trabalho no Google vi o post de vocês, vou tentar explicar a razão pela qual a tradução é feita de forma neutra:

Como o sistema base foi desenvolvido em inglês e na lingua inglesa não temos diferenciação isso nunca foi um problema.

Porém ao trazer isso para o Português temos o problema da privacidade, o Google leva a privacidade de seus usuários muito a sério, e essa privacidade inclui simplesmente TUDO que o(a) usuário(a) não aceitou compartilhar, o que envolve também seu gênero (Homem ou Mulher), por isso, não podemos utilizar a informação privada do usuário de gênero para flexionar o verbo.

Pedimos desculpas pelo transtorno que isso possa causar mas ao mesmo tempo esclarecemos que discordamos que isso seja um fator relevante em qualquer esfera.

Marco Silva, relações públicas
Google

    Robson Fernando de Souza

    junho 12 2012 Responder

    Agradeço pela atenção, mas isso justifica não usar um simples “(a)” ao lado de palavras variáveis em gênero?

Thiago Bellini

agosto 27 2011 Responder

Esse é mais um motivo para eu usar apenas Linux e Software Livre.

Se eu acho que tem algo errado com alguma tradução, eu simplesmente procuro onde ela é feita por aquele dado projeto, e então faço uma sugestão melhor! Até mesmo com código eu posso fazer isso, já que o software é livre e o código aberto.

Como exemplo, as traduções do Chromium (versão Open Source do qual o Google Chrome é baseado, e mantido pelo mesmo inclusive) são feitas aqui [1].

Eu sinceramente acho que você gostaria muito se utilizasse Linux, principalmente distribuições com ótimas filosofias como o Ubuntu [2][3]. Tem muito a ver com as suas filosofias de vida! F**k Micro$oft Ruindow$ lol

[1] – https://translations.launchpad.net/chromium-browser
[2] – http://www.ubuntu.com
[3] – http://www.ubuntu-br.org

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