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Eu fui “marcada” em publicação no Facebook: reflexão sobre linguagem androcêntrica

Essa acabou de “cair do céu”: fui marcada em uma publicação no Facebook. Estranhei na hora, uma vez que meu sexo lá é configurado como masculino. Mas imediatamente me lampejou uma breve reflexão sobre o androcentrismo da língua portuguesa. Porque senti na pele por poucos instantes o que dezenas de milhões de mulheres lusófonas sofrem a todo momento por toda a sua vida: ter seu gênero anulado pelas normas ortográficas do idioma. E olha que no meu caso foi um mínimo erro de tradução do Facebook, enquanto no caso delas o problema é norma.

Eu fui “marcada” no Facebook, mas, em redes sociais e softwares traduzidos do inglês em cuja tradução não foram adaptados para distinguir entre homens e mulheres, elas são tratadas como homens – “Fulana está conectado”, “Cicrana foi citado em uma mensagem”, “Beltrana foi adicionado como amigo“…

 

A maioria nem liga quando é incluída entre os xxxxx: os amigos, os alunos, os cidadãos, os cristãos, os ateus… Mas deve ser bastante constrangedor ou até mesmo ofensivo e ultrajante ser vista de forma singular como um homem por traduções inflexíveis ou malfeitas do inglês, quando quem traduz já sabe que o masculino é o gênero padrão, “neutro”, do português.

É caso de mulheres e homens refletirem, tanto para elas se reconhecerem como pessoas simbolicamente oprimidas e demandantes de mudanças como para eles se solidarizarem e participarem da luta (pelo menos os homens que compreendem e simpatizam com o feminismo).

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