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Gorila passou 27 anos solitário e triste em zoológico de Belo Horizonte

Deu no IG ontem. O gorila Idi Amin viveu nada mais que 27 anos de solidão e tristeza, encarcerado em zoológico de Belo Horizonte. “Ganhará” dentro de algumas semanas duas companheiras, trazidas de zoológico da Inglaterra, na tentativa de lhe curar a tristeza do cárcere.

No entanto, quem entende de Direitos Animais percebe que a única “coisa” que o faria deixar de ser triste seria não companheiras de cercado, mas a liberdade que os zoológicos censuram aos animais que são seus prisioneiros.

A tristeza de Idi Amin deveria ser motivo de reflexão para os visitantes, de como ser confinado num espaço para servir de objeto de exibição traz diretamente consequências muito nocivas para a vítima do confinamento. Não de alegria e diversão como o vídeo acima linkado mostrou.

Com licença para subjetivar a questão, lamento pela educação que recebem essas crianças, que são ensinadas pelas escolas e por suas famílias a naturalizarem situações hostis aos animais não humanos, a participarem de um sistema de sistemas de exploração animal, em que animais cujo grande “pecado” foi não terem nascido humanos são reduzidos a objetos de uso humano – desde como objetos de exibição em zoológicos até como pedaços de carne a animar ocasiões sociais e almoços em família.

Agora elas estão aí, inocentes que são, comportando-se no zoológico como se aquilo lhes fosse um ambiente divertido e alegre, não como aquilo que esse tipo de lugar realmente é – uma penitenciária de inocentes condenados à privação perpétua de liberdade, à tristeza e ao estresse.

Atualização (21/08/11, 19:10): O leitor Bright CapiXaba Netto me alertou para um detalhe bem importante: Idi Amin foi o nome do maior genocida da história de Uganda. O zoológico foi cruel ao quadrado: além de deixar um animal 27 anos solitário, ainda ganhou o nome de um megacriminoso cujo nome ficou para a história por ter sido um tirano que oprimiu e matou em seu próprio país.

imagrs

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Raquel

agosto 23 2011 Responder

Não acredito que li esse texto até o final. O autor não teve o mínimo de critério para escrevê-lo.

Apenas quem trabalha no Zoo-BH sabe o quanto ele é BEM TRATADO, o quanto ELE É MONITORADO, e o quanto OS VETERINÁRIOS, BIÓLOGOS E TRATADORES CUIDAM BEM do Idi – e de TODOS os animais daquele zoológico.

Existem sim zoológicos que não visam o bem estar animal, no entanto, a Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte (FZB-BH) não é desse tipo. A ideia da FZB-BH é a CONSERVAÇÃO da espécie. Existem vários projetos e pesquisas que visam a reprodução dos animais, com o intuito de preservar a fauna. Inclusive, a FZB-BH é referência de zoológico na América Latina!

Enquanto as pessoas não tiverem consciência sobre o risco de extinção e sobre caça predatória, continuarei defendendo que animais ameaçados de extinção devem se reproduzir em cativeiro, onde terão assistência médico-veterinária e de biólogos constantemente.

Se tiver a oportunidade, visite a FZB-BH, converse com os tratadores, os veterinários, biólogos, estagiários… Qualquer pessoa vai te AFIRMAR que NENHUM animal é maltratado. As biólogas de lá fazem um trabalho espetacular com enriquecimento ambiental para evitar o comportamento estereotipado (comportamento de animais enjaulados); tem veterinária que atua na nutrição dos animais, balanceando a dieta de CADA UM DELES; os tratadores seguem a risca cada informação recebida; e se os animais ficam internados, recebem o melhor atendimento veterinário e cuidados de enfermagem que você possa imaginar.

Att,
Raquel

    Robson Fernando de Souza

    agosto 23 2011 Responder

    Raquel, acredite sim. E devo lhe esclarecer que não me importo nem um pouco se tratam os animais presos em zoológicos como se fossem “reis” (ou, mais adequadamente, como princesas aprisionadas em torres). O que me importa de verdade é que os zoológicos tratam animais como se fossem objetos de exibição, ganham dinheiro através da imposição de um regime carcerário de inocentes.

    Muitas tribos indígenas estão ameaçadas de extinção, mas nem por isso “bons samaritanos” pensam em confiná-los em cercados pra preservá-los e permitir-lhes a reprodução continuada.

    Defendo sim os santuários, onde os animais que não podem voltar ao habitat natural vivem em liberdade, distantes de olhares de curiosos, sem serem tratados como peças de museu, até seus últimos dias. Cativeiro, só pra animais em processo de recuperação e que podem ser devolvidos ao seu habitat de origem – e longe de quaisquer fins lucrativos.

    Defendo a abolição da exploração animal, não sou partidário de qualquer providência que vise puramente o “bem-estar”. Quero animais livres, não tratados como princesas encasteladas.

      Raquel

      agosto 24 2011 Responder

      Como o zoo é da Prefeitura de BH, o preço para visitá-lo é bem acessível. Esse valor é convertido em melhorias dos recintos, campanhas educativas, enriquecimento ambiental… O dinheiro não é usado para lucro, e sim para manter o zoo. Aliás, escolas públicas, idosos (dentre outros) não pagam entrada para visitar a FZBBH. Tem um dia da semana que a entrada é de graça para TODAS as pessoas – isso é apenas para te mostrar que o intuito dos zoos não é o lucro.

      Os zoos tem áreas de manejo, onde os animais tem total liberdade para se esconderem do público – inclusive, os recintos são incrivelmente grandes, permitindo que os animais escalem árvores, entrem em lagos, balancem em brinquedos… Sem contar que o número de animais por recinto é limitado, impedindo superpopulações como em prisões.

      Antes de introduzir um animal no zoo, várias exigências são atendidas, como: espaço mínimo, alimentação ideal, medicações, frequência que o animal será avaliado… As coisas funcionam de modo bem organizado, e o bem estar animal é o primeiro pensamento da FZB-BH.

      Inclusive, foi devido à essas exigências que as gorilas demoraram tanto para chegar a BH. A burocracia pra trazê-las foi muito grande, e veio uma pessoa da Inglaterra junto com elas para monitora-las durante todo o trajeto. O gorila Idi ficou sem namorada não foi por punição ou maldade (pra ver quanto tempo ele aguentaria a solidão). Ele ficou sem namorada devido as burocracias para trazê-las!

      O mundo seria perfeito se conseguíssemos colocar os animais em santuários (aqueles que não podem retornar ao habiat natural), mas infelizmente, as coisas não funcionam assim. Enquanto os humanos forem egoístas e sanguinários, temos que preservar nossa fauna e flora da forma que sabemos: reprodução em cativeiro.

      É totalmente utópico a ideia de que veterinários, biólogos, tratadores e afins trabalhem em qualquer lugar (santuário, zoo) sem receber. O mundo é movido por dinheiro. Não estou dizendo com isso que devemos ganhar dinheiro a cima de qualquer custo. Estou dizendo (novamente) que o dinheiro que os zoos recebem é para manutenção e melhoria das condições dos recintos.

      Idealizo que um dia todos os animais sejam livres também, mas é apenas isso: um ideal. O real não é viável. Algumas populações animais já foram extintas do habitat natural, e (re)introduzi-las seria o mesmo que leva-las para a morte.

      O processo de readaptação / reintrodução é muito gratificante, porém demanda tempo, demanda energia, demanda as boa saúde do animal (é um processo muito estressante), e principalmente, demanda dinheiro. Mesmo que todos os zoos resolvessem reintroduzir os animais ao seu habitat natural, isso seria impossível, pois existem hierarquias entre os animais, não aceitando novos membros ao bando.

      Att.

        Robson Fernando de Souza

        agosto 24 2011 Responder

        Isso não tolhe dos zoológicos sua função original. Mesmo que não sirva pra propósitos lucrativos, continuam aprisionando animais em áreas limitadas e tratando-os como objetos de exibição, atos que, se fossem impostos a seres humanos, não seria admitido pela maioria da sociedade.

        O mundo seria perfeito se conseguíssemos colocar os animais em santuários (aqueles que não podem retornar ao habiat natural), mas infelizmente, as coisas não funcionam assim. Enquanto os humanos forem egoístas e sanguinários, temos que preservar nossa fauna e flora da forma que sabemos: reprodução em cativeiro.

        Aqui você acaba confessando que zoológicos enquanto cativeiros perpétuos só existem porque seres humanos são “egoístas e sanguinários”. Na suposta falta de condições de cumprir o ideal dos santuários, a solução é mantê-los presos em cercados?

        Quanto aos profissionais, eles são pagos pelo Estado, não precisariam da arrecadação de zoológicos.

        Sobre os ideais, são por eles que lutamos. Conformar-se e aceitar que, por exemplo, os animais continuem aprisionados em zoos é um erro.

BrightCapiXaba Netto

agosto 21 2011 Responder

Pô, “idi amin”?Deveriam parar de nomear os nossos familiares com os piores exemplos de humanidade.
Será que não existe nenhuma organização em defesa dos primatas que possa resgatá-lo?

    Robson Fernando de Souza

    agosto 21 2011 Responder

    Boa sacada, Netto. Eu não sabia quem era o Idi Amin humano. Foi um ditador genocida que matou milhares e milhares de inocentes em Uganda!

    Agora fiquei revoltado ao quadrado com esses imbecis do zoológico de Belo Horizonte.

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