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Miguel Rios: O macaco tá certo

Abaixo o trecho inicial de um artigo de que gostei muito, que mete o dedo no calo de muitas pessoas que esbanjam hipocrisia no que tange à limitada solidariedade de grande parte das pessoas para com as causas defendidas por oprimidos. Foi publicado por Miguel Rios, dono da coluna “O papo é pop” do NE10, sob a luz do filme Planeta dos Macacos: a origem, que vai ser lançado aqui no Brasil próxima sexta.

No entanto, adianto uma crítica: faltou ao texto algo crítico, fundamental: referências aos Direitos Animais, ao veganismo e ao abolicionismo animal – ficou parecendo que não existe uma luta constante de muitos humanos que defendem aqueles que, justamente por não poderem falar e se defender da opressão, se beneficiam da solidariedade humana.

 

O macaco tá certo
por Miguel Rios

Bem faz César que não esperou por uma atitude humana para se libertar. Esperaria muito e para nada se pusesse nas mãos dos outros a resolução de seus problemas. Mofaria na jaula. O chimpanzé viu que podia pensar, que não era inferior, que era explorado. Quis justiça, tomou coragem, reuniu os semelhantes, foi para o confronto. Venceu. Não fizesse, os símios de Planeta dos macacos: a origem, teriam outro fim: mero divertimento, cobaias, descartáveis, presos na corrente, correndo perigo de extinção, tal qual os de fora da tela.

Quem liga para macacos? A maioria de nós, trancada em si, nem demonstra abalo pelo sofrimento de humanos. No máximo, nos inquietamos. No máximo, protestamos com um “Que absurdo!”, de leve, dividido com o mais próximo.
No calor das denúncias de que alguém está sofrendo, sendo abusado, escravizado, surgem conversas, mobilizações, combates, postagens, correntes via e-mail. Um vozerio danado.

Mas acaba. Demais em um dia, menos no seguinte, quase nada no outro. Morna, esfria, é digerido, cede espaço a outro, que cede a outro, mais outro, chega o fim de semana, se aproxima um feriadão. Morre de vez. E a vítima acaba engavetada.

Seria assim com César, caso existisse na vera. Se não gritasse por ele, não fosse para o fight, teria morrido na tristeza, na inércia, no abatimento, largado à própria sorte.

Teria sido assim com Spartacus, com Zumbi, caso rejeitassem ir para a paulada. Com qualquer outro que escolhesse a subserviência, a nulidade, a dependência da boa vontade da circunvizinhança.

Se a briga era dele, ele teve que resolver. Poucos de nós encampam a causa alheia, a abraçam, a levam consigo, a tornam sua, por ser insuficiente apenas se indignar.

Não bastar ser um abolicionista de tendência, de mesa de bar, de hashtag,  revolucionário de citações. Poucos tomam posições, as cumprem, custe o que custar, dia a dia.

Poucos mesmo. Cada vez mais raros, neste cada vez maior cada um por si, neste cada um por si cada vez mais fingido, onde nos mostrar preocupados impressiona, arrebanha seguidores e refresca a culpa de nem estarmos tão apreensivos assim.

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