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ago11

Tortura em nome da ciência (Parte 61)

Volto a blogar regularmente no Consciencia.blog.br trazendo, como de costume, um post que, embora não anime, nos faz refletir sobre a ética distorcida da vivissecção, que jura de pé junto prezar pela “ética” mas mantém o costume centenário de explorar, torturar e matar animais em laboratório sem o menor pingo de remorso e compaixão.

Nessas semanas em que eu dei férias a mim mesmo, a ciência vivisseccionista não parou de trabalhar dentro dos seus laboratórios mengeleanos. Tanto que eu juntei no último fim de semana a série abaixo de experiências violentas e/ou invasivas proporcionadas por um ramo científico que distorce o conceito de ética ao seu bel prazer.

Abaixo um resumo das violentas pesquisas publicadas pela mídia desde 20/07 (não seguindo ordem cronológica):

***
1. Câncer e imunossupressão em camundongos
Fonte: inominável

Camundongos foram induzidos a câncer (não se especificou em que parte do corpo), provavelmente por transgenia maliciosa (que torna os animais propícios o suficiente para adquirir tumores a qualquer momento) para que fosse feita uma terapia celular com transplantes de leucócitos para que os tumores fossem combatidos. Diz-se que os tumores foram destruídos, mas não se especificou em quantos porcento das vítimas.

 

2. Interrupções do sono, supostamente sem causação de sofrimento
Fonte: G1 e Primeira Edição

Camundongos foram submetidos a um sono fragmentado (o que, segundo a notícia, foi algo que não causou sofrimento, por ter sido utilizada uma técnica “muito, muito sutil de fragmentação do sono”). O resultado foi a debilitação da memória dos animais. O Primeira Edição detalha que:

No laboratório, ela [a vivisseccionista] interrompeu o sono dos animais ao estimulá-los com pulsos de luz a cada 60 segundos. Ela disse que, no dia seguinte, eles [os camundongos] se comportavam como se nunca tivessem visto certos objetos.

 

3. Camundongos ansiosos viciados em nicotina
Fonte: inominável

Camundongos foram viciados em nicotina e sofreram ansiedade em diversos momentos. Em alguns a “necessidade” de nicotina foi diminuída pela supressão transgênica do receptor neurológico Alpha 4, o que fez com que a nicotina já não diminuísse mais a ansiedade a que os animais eram submetidos.

 

4. Camundongos e furões infectados com gripe suína
Fonte: Pernambuco.com

Para testar o anticorpo F16, camundongos e furões foram infectados com o vírus da gripe suína. A mídia não revela aos leitores se esses animais sofrem sintomas com a doença ou são apenas portadores, mas, pelo benefício da dúvida, fica a probabilidade de que há sofrimento em experiências que induzem gripe suína em animais não humanos.

 

5. Malária que mata camundongos
Fonte: Diário da Saúde

Camundongos foram infectados com malária para que fosse visto como a doença infecta o cérebro humano. “O grupo [de vivisseccionistas] descobriu que os animais normais morreram da malária cerebral experimental induzida de 6 a 12 dias após terem sido infectados”, ou seja, sofrimento intenso que nem mesmo veio a ser abreviado com sacrifício.

 

6. Camundongos transgênicos com deficiência muscular
Fonte: Pernambuco.com

Camundongos transgênicos nasceram com propensão a problemas musculares semelhantes a um envelhecimento precoce:

Os pesquisadores fizeram a descoberta ao estudarem os músculos esqueléticos de camundongos jovens e velhos. Eles também demonstraram que camundongos com seis meses de idade com uma mutação que fez seus canais RyR1 vazarem tiveram os mesmos problemas musculares e fraquezas dos apresentados por animais mais velhos.

A intenção foi testar um medicamento que controla o vazamento de cálcio dos músculos das cobaias.

 

7. Camundongos depressivos
Fonte: IG

Mostra o IG:

Existe uma relação entre a capacidade de formar novos neurônios na vida adulta e a depressão. Novo estudo realizado com camundongos descobriu que ao bloquear a criação dos novos neurônios na região do cérebro chamada de hipocampo, os animais adultos passaram a apresentar sintomas de depressão.
[…]
O trabalho […] delineou também a forma como isto acontece ao mostrar que os neurônios jovens amortecem as respostas ao estresse. Ao perder as células cerebrais os animais passaram a responder mais fortemente ao estímulo, liberando mais hormônios relacionados ao estresse e aumentando o comportamento depressivo.

 

8. Ratos transgênicos, induzidos por manipulação celular, sofreram Mal de Parkinson
Fonte: Diário Digital/Sapo.pt

Ratos transgênicos nasceram “programados” para não ter receptores de nicotina (no cérebro?), enquanto outros viveram com receptores íntegros. Em ambos os grupos foi induzida a Doença de Parkinson, por meio de tecido de embriões de rato (alô conservadores “pró-vida”?) que causou a perda de neurônios de dopamina. Foi injetada nicotina no organismo dos dois grupos, dos quais o grupo transgênico sofreu integralmente a doença, enquanto no outro grupo de ratos o conseguiu recuperar algumas células produtoras de dopamina.

 

9. Ratos com sobrepeso
Fonte: O Dia

Ratos foram alimentados com refeições hipercalóricas até que estivessem em situação de sobrepeso. A intenção foi testar a erva Pholianegra como substituta da sibutramina para o emagrecimento humano. Subentende-se que se pretende testar mais adiante a Pholianegra em ratos induzidos a diabetes e a hipertensão.

 

10. Ratos transgênicos com leucemia
Fonte: Portal de Oncologia Português

Diz a notícia:

O estudo, publicado na revista Blood, explica que os ratos analisados foram geneticamente modificados para terem mutações em dois genes designados por PU.1 e Spi-B. As mutações individuais em qualquer um dos genes indicaram poucos efeitos, no entanto, a mutação dos dois genes resultou no desenvolvimento de células B da leucemia linfoblástica aguda em 100% dos animais avaliados.

11. Ratos induzidos a câncer cerebral
Fonte: Portal de Oncologia Português

Não foram dados muitos detalhes sobre a indução, mas é patente que ratos foram induzidos a câncer cerebral e tratados com radioterapia e células-tronco. Estudou-se na ocasião como as células-tronco alivia os efeitos colaterais da radioterapia cerebral.

 

12. Transgenia causou câncer agressivo de pulmão em ratos
Fonte: Portal de Oncologia Português

Ratos transgênicos nasceram sem os genes supressores de tumores p53 e Rb e sofreram um tipo agressivo de câncer de pulmão. Segundo a própria notícia:

O modelo de rato simula o que ocorre no organismo humano, com tumores de pulmão agressivos e ocorrência de metástases no fígado e nas glândulas supra-renais.

Este tipo de modelo permite aos cientistas seguir a progressão da doença do início ao fim, o que normalmente não pode ser feito com seres humanos porque a doença é de rápida propagação e, muitas vezes, diagnosticada tardiamente.

 

13. Ratos transgênicos sofreram derrame cerebral
Fonte: Hype Science

Um estudo causou derrame cerebral em ratos, tendo tido piores danos aqueles ratos que nasceram transgênicos, sem a proteína alfa-B-cristalina.

 

14. Ratos drogados com heroína e viciados

Fonte: Ciência Hoje

Sete ratos foram envenenados e viciados com heroína, para que fosse testada “uma vacina que impede não só que a heroína chegue ao cérebro do usuário, mas que também inibe a ação de outras substâncias químicas decorrentes da droga, como a morfina”. Das sete vítimas, quatro perderam a vontade de usar heroína, enquanto os outros três permaneceram viciados.

 

15. Cadela clonada que brilha no escuro, pronta para ser explorada em experiências
Fonte: Terra

Uma cadela transgênica clonada foi dada à luz há dois anos e foi apresentada ao mundo recentemente. Ela brilha no escuro quando recebe a droga doxiciclina diluída na ração, o que permite que “liguem e desliguem” o brilho com a droga. Há a pretensão de explorá-la em experiências contra o Mal de Alzheimer, Parkinson e outras doenças e modificar geneticamente outros animais de modo que substituam o gene da bioluminescência por “genes que acionam doenças fatais em humanos”.

 

16. Outros animais “fluorescentes”
Fonte: F5/Folha

A reportagem acima é uma lista com diversos animais transgênicos que nasceram com a capacidade de brilhar no escuro e estão sendo explorados por laboratórios, por feiras de biotecnologia que expõem animais como se fossem objetos de exibição e por empresa de biotecnologia que, deduz-se, pretende vender peixes “fluorescentes” para ornamentação. A exceção na lista é a água-viva, que é fluorescente por natureza.

 

17. O dilema bioético dos macacos falantes
Fonte: Terra

Coincidentemente com a proximidade do lançamento do filme Planeta dos Macacos: A Origem, a Academia de Ciências Médicas da Grã-Bretanha está preocupada com a possibilidade de serem feitos experimentos que transplantem células humanas para macacos que lhes permitissem falar e pensar como humanos.

É curioso percebermos que, apenas quando aspectos humanos possíveis de serem reproduzidos em outros animais entraram em jogo na vivissecção, foi dado um alarme ético, enquanto a tal bandeira da “bioética” sempre permanece deitada enquanto experiências altamente violentas, danosas e letais são conduzidas causando sofrimento em cobaias. Em outras palavras, sofrimento e sentimentos não são fatores de respeito à vida para os vivisseccionistas, mas sim unicamente aspectos humanos (como na citada possibilidade de criar macacos falantes), os quais são por sua vez um fator muito forte, tornando patente o antropocentrismo da ciência biológica experimental.

imagrs

2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Fabíola

agosto 9 2011 Responder

A cabela brilhando e do “macaco falante” só mostram como a dita “ciência” inventa qualquer coisa para justificar o abuso contra os animais.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo