Notícia ótima para os animais, dada pelo Jornal Floripa. Um acordo entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e o Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos foi firmado para que sejam abandonadas as exigências normativas de testes in vivo em animais não humanos para medicamentos e cosméticos.

Uma das diretoras da ANVISA, Maria Cecília Brito, afirma que “a ideia é desenvolver uma metodologia que permita à agência chancelar os produtos de uma forma diferente, sem que os testes com animais sejam realizados em algum momento do percurso”.

Teremos legalizados e oficializados testes alternativos que assegurarão, com eficácia igual ou melhor do que os cruéis testes in vivo, a segurança e qualidade de cosméticos e remédios. A diretora reconhece os avanços da conscientização trazida pela militância mundial de defesa dos Direitos Animais: ”Vários usuários de cosméticos no mundo já não querem produtos testados em animais.”

Mas Brito ainda é deseperançosa sobre o fim dessa modalidade de exploração animal: “Em algumas situações é impossível, mas vamos reduzir a quantidade”. Desconhece ela, no entanto, que impossível é uma palavra que a Ciência e a Engenharia se negam a proferir sem antes empreenderem muito esforço em prol da possibilitação desse “impossível”. Aliás, impossível muitas vezes é apenas uma palavra temporária, que sucumbe conforme a descoberta de novos cálculos científicos e engenhariais – em outras palavras, o que hoje é declarado “impossível” passa a ser “muito provável” dentro de alguns anos ou décadas.

Antigamente o ser humano voando, cruzando os ares, era no máximo uma imaginação mitológica, ou uma fantasia infantil. Hoje é uma realidade corriqueira. Também não se imaginava que a humanidade fosse dobrar a cada 30 anos (não que isso seja necessariamente bom, pelo contrário), mas a Ciência possibilitou isso conforme foi avançando.

Creio eu, a (patológica) dependência da bioengenharia e da biomedicina atuais dos testes em animais não humanos é questão de tempo até que se consiga construir uma simulação de organismo humano complexa o suficiente para o teste virtual de medicamentos – e isso demandará o quanto de tempo for necessário para se multiplicar por, talvez, 1 milhão a atual capacidade de armazenamento dos supercomputadores, o que, no entanto, não demora um tempo tão enorme assim.

Voltando à realidade atual, o acordo da ANVISA é uma notícia altamente positiva para os tantos roedores explorados pela indústria, e promete ser a primeira de muitas iniciativas que, a médio ou longo prazo, porão um fim a todas as exigências normativas de testes em animais da agência e de todos os demais órgãos do Governo Federal. Chegará, talvez mais cedo do que pensamos, o dia em que veremos revogados absurdos como a portaria 15/88 da ANVISA e a 1480/90 do Ministério da Saúde.

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