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set11

Frigoríficos: a miséria animal não humana casada com o sofrimento humano

O Instituto Humanitas Unisinos divulgou uma entrevista que dobra o caráter exploratório e antiético da indústria da carne. Siderlei de Oliveira, membro da Central Única dos Trabalhadores CUT, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação CONTAC e dirigente da União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação UITA, faz denúncia de alta importância para quem consome carne.

Suas revelações comprovam algo perturbador para a consciência dos onívoros:  a indústria da carne não “apenas” escraviza e mata animais não humanos, como também superexplora os próprios seres humanos, com condições de trabalho altamente insalubres e causação de doenças e invalidez laboral em poucos anos.

Uma das informações que Siderlei passa é que:

Essa produção [de carne] aumentou muito nos últimos anos e, junto com ela, aumentaram as doenças. O ritmo é intenso, insuportável. As pessoas têm uma vida útil de trabalho muito curta hoje no setor. Antigamente, um trabalhador de frigorífico levaria 15 anos para aparecer com uma doença, por exemplo, pelo frio, como uma pneumonia, ou um reumatismo, além de alguns cortes que eram comuns na época acidente em frigorífico era corte , e algumas contaminações biológicas. Hoje não.

Ou seja, se você, ao comer carne, ignora o sofrimento e a escravidão dos animais não humanos, já tem motivos de sobra para, ao vislumbrar aquela carne assada suculenta no prato ou na churrasqueira, começar a pensar no sofrimento humano que a indústria frigorífica inflige.

Abaixo a introdução da entrevista do Instituto Humanitas Unisinos, junto com o link dela.

A ‘moderna’ indústria brasileira da carne. Produção à custa da saúde e da vida dos trabalhadores. Entrevista especial com Siderlei de Oliveira

Ao analisar a situação da produção bovina e avícola no Brasil, Siderlei de Oliveira põe acento na difícil situação dos trabalhadores desse ramo da indústria. Ele destaca como ponto positivo o fato de que “temos o maior frigorífico do mundo, a Friboi, com as fusões, e o segundo maior frigorífico do mundo, a Marfrig, além do maior produtor e exportador de frango, a BRF, todas empresas brasileiras. Então, é um setor em que nós temos ponta no mundo e que emprega muita gente”. No entanto, continua, na entrevista concedida por telefone à IHU On-Line, “esse setor se desenvolveu muito em cima da produção, da competição, se organizou para competir com as outras indústrias internacionais, neste caso as europeias. E ganhou os mercados porque produz uma carne muito barata, no caso da avícola, em cima do ritmo e da exploração da mão de obra. Além disso, pagam um salário baixo, com uma produção muito alta por homem. Essa produção aumentou muito nos últimos anos e, junto com ela, aumentaram as doenças. O ritmo é intenso, insuportável, as pessoas têm uma vida útil de trabalho muito curta hoje no setor”.

A entrevista foi feita em parceria com o Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – Cepat.

Siderlei de Oliveira, membro da Central Única dos Trabalhadores CUT, é presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação Contac e dirigente da União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação UITA.

Confira a entrevista.

 

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