02

set11

INPE confirma que pecuária é mesmo a maior vilã da Amazônia

Deu na Folha.com o que os veg(etari)anos já tinham certeza há tempos (porque conheciam outros relatórios que faziam tal acusação): o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais confirma que a pecuária é a maior causa direta do desmatamento na Amazônia. Direta porque mesmo aquele agronegócio que destina 70-80% da soja e do milho que planta para a pecuária semiextensiva e intensiva brasileira e estrangeira tem uma participação diminuta nesse cenário – o que não quer dizer, deixe-se claro, que o agronegócio agrícola seja bonzinho e não tenha merecido a investida do Greenpeace na época do relatório Comendo a Amazônia, cinco anos atrás.

O levantamento do INPE divulgado hoje, intitulado TerraClass, mostra que 62,2% dos cerca de 720.000km² que foram destruídos até hoje na Floresta Amazônica foram ocupados por pastagens. Ou seja, cerca de 115,76 milhões de hectares de floresta foram derrubados para que fossem estendidas no solo desmatado criações extensivas do gado cuja carne se come cada vez mais nos lares, nos restaurantes, nos churrascos e nos fast-foods do Brasil e do exterior. Esses números são o total que foi desmatado até 2008 (segundo o site do INPE), contabilizado em todos os nove estados da Amazônia Legal.

Segundo o instituto, a maior parte dessa área é ocupada atualmente por pasto limpo. “É aquela área em que houve efetivamente um investimento. Ela representa uma intervenção deliberada humana, com bastante cabeça de gado, com a intenção de intensificação de produção”, disse Gilberto Câmara, diretor do Inpe.

Gilberto Câmara ressalta em seguida que a agricultura ocupa apenas 5% dos ~720 mil km², o que deu ao diretor a imagem de que a agricultura, mesmo aquela voltada à alimentação animal não humana, não é um vetor poderoso de desmatamento.

Esse levantamento eu dedico àqueles que tantos nos perguntam, de forma reacionária e desdenhosa, quando falamos dos impactos ambientais do onivorismo: “E a tua soja, que é tão ou mais destruidora pra Amazônia?”.

Tão relevante quando o TerraClass será uma outra pesquisa, que por sua vez vá abordar a devastação do Cerrado, hoje um patinho-feio para a política ambiental brasileira – considerando-se que nem mesmo a própria Constituição o respeita tanto quanto respeita biomas como a Amazônia e a Mata Atlântica.

imagrs

5 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Mercedes Ferber

setembro 28 2011 Responder

Parabéns pelo blog!
E parabéns pelo post!
Estou me formando em Engenharia Ambiental e é uma luta diária para mim ser vegetariana..
Quanta ignorância ainda há a respeito desse asunto!!
Precisamos incentivar os meios de comunicação que possuem apelo “mais verde”, uma linguagem mais voltada às quetões do ambiente..

Enfim.. Parabéns pelo trabalho!

Estou começando meu blog também.. Se quiser fazer uma visita e sugerir algo, agradeço!

Abs,

    Robson Fernando de Souza

    setembro 28 2011 Responder

    Obrigado Mercedes =) Vou visitar seu blog logo logo.

    bjs

Bárbara de Almeida

setembro 14 2011 Responder

Bem, olhando pelo lado bom, agora eu tenho uma “base teórica” para poder afirmar o que já era fato :) Isso pelo motivo de, como ao menos os vegs engajados podem dizer, mesmo sendo quase senso comum a destruição da Amazônia para a prática da pecuária, ninguém admite nossa razão neste ponto.
Como qualquer outro argumento “verde”(por mais óbvio que esse seja), temos que ter 1512 estudos para provar, 1512 pesquisas para exemplificar, 1512 médicos/nutricionistas/paidesantos para atestar, hehe.
Agora nós precisamos mesmo é continuar nos unindo para mudarmos essa situação!

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