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set11

Suape, motosserra e fumaça: desmatamento é parcialmente liberado e nova termelétrica será a maior do mundo

Sérgio Xavier bem que tentou me convencer do contrário, mas está claro: nem o Complexo Industrial-Portuário de Suape nem o Governo de Pernambuco nem Eduardo Campos mudaram sua faceta de símbolos do desenvolvimentismo poluente e desmatador. Os últimos dias foram de notícias relacionadas a Suape nada boas para o meio ambiente.

Primeiro, a morte de 13% dos 691 hectares do estuário do Rio Ipojuca, condenados pela lei 14.064/2010, foi decretada pela Justiça, através de assinatura de um Termo de Transação Judicial pelas diretorias de Suape, do IBAMA e da CPRH e pelo Ministério Público Federal de Pernambuco. São aproximadamente 90 hectares de mangue, mata atlântica e restinga, incluindo parte significativa da Ilha de Tatuoca (onde famílias vivem, ou viviam, conectadas à Natureza), que serão destruídos para dar lugar aos tão falados estaleiros Promar e Construcap.

Segundo o Jornal do Commercio do último sábado, os carrascos do verde já estão em ação por ali, destruindo o que veem de verde pela frente, esmagando e soterrando os caranguejos e siris junto com seus lares, derrubando as árvores do mangue, aterrando a restinga. E também, deduzo, despejando as famílias humanas que ali viviam em comunhão com o ambiente natural que hoje está sendo destruído em nome do progresso pregado pelo capitalista presidente do Partido “Socialista” Brasileiro.

Afirma-se que haverá multa de R$2 milhões para Suape e o impedimento de novas autorizações de empreendimentos caso o acordo seja descumprido – deduzo eu, se for desmatado mais do que o permitido -, mais R$100 mil de multa para a CPRH caso esta não fiscalize devidamente a área ou licencie empreendimentos sem autorização. Mas a verdade é que dinheiro nenhum trará de volta a vida que está sendo destruída nos 90 hectares que serão reservados aos estaleiros.

E a segunda “grande”  novidade é que, não bastasse o desmatamento liberado, o outro trunfo da Suape que a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade jura que será uma “referência em porto sustentável” é a poluição e o gasto de combustíveis-fósseis. Porque será construída na mesma Suape aquela que deverá ser a maior termelétrica do mundo: a Termelétrica Suape.

Serão 94 hectares (também roubados do estuário? Veremos nos próximos capítulos) reservados para uma enorme termelétrica movida a diesel que gerará 1.452 megawatts-hora. O protocolo de intenções para a obra foi assinado entre o Governo de Pernambuco e o conglomerado Grupo Bertin (nome muito familiar para quem sabe o nome das empresas que mais matam animais para consumo no Brasil), e ela está orçada em R$2 bilhões.

Eduardo Campos, como era de se esperar, exalta a questão econômica da termelétrica que jogará uma remessa inédita e constante de poluição na atmosfera da Grande Recife:

 A recepção dos leitores do blog Pernambuco Investimento, de onde retirei essa “bela” notícia da termelétrica, não foi nada boa. Dos 48 comentários até às 22h44 de 14/09/11, 39 criticaram com força, enfatizando-se o prejuízo ambiental, a irresponsabilidade da política desenvolvimentista contra-ambiental de Eduardo Campos e o alto custo da energia termelétrica movida a diesel, a nova iniciativa do governo Eduardo Campos.

O que Sérgio Xavier, que vem tentando convencer a população de que Eduardo Campos agora é um homem amigo da sustentabilidade, terá a dizer sobre essas duas “grandes” notícias?

Não adiantou a criação da SEMAS, nem o planejamento de uma “Suape sustentável”, projeto que vi ser apresentado com certa riqueza de detalhes. Com desmatamentos que nem a Justiça consegue deter e monumentos poluentes, aquele complexo industrial-portuário jamais será digno do atributo de “sustentável”.

A termelétrica e os estaleiros talvez serão vistos pela maioria dos pernambucanos como monumentos de um Pernambuco em “desenvolvimento”. Mas para um mundo que demanda mudanças profundas na política, na economia e no meio social para sobreviver, serão para sempre monumentos da destruição da biosfera e da autodestruição humana.

Em outras palavras, Pernambuco começa a se orgulhar de si próprio, mas nesse processo está envergonhando a humanidade.

imagrs

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thayla

setembro 22 2011 Responder

não entendi mas ta legal

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