Ateofobia sentida na pele
Imagine você paquerando alguém e a pessoa, depois de alguns dias de conversas saudáveis, lhe mandar um SMS dizendo que você “perdeu o encanto” ante ela e que ela não te verá mais do mesmo jeito simplesmente porque ela descobriu que você não acredita em Deus, e que não aceita que você seja ateu. Foi o que aconteceu comigo essa semana.
Eu já havia sofrido com o preconceito ateofóbico antes, mas essa foi a primeira vez que sofri uma discriminação explícita. Uma discriminação que impediu uma pessoa de continuar se relacionando saudavelmente comigo e gostar de mim simplesmente por eu ser ateu.
Não vou entrar em mais detalhes para não escancarar mais sobre minha vida privada, mas já dá para ter uma ideia resumida do que aconteceu.
Eu pessoalmente não me abalei com tal desfeita, embora eu tenha me sentido bastante ofendido e magoado – de modo que resolvi cortar todos os laços com a pessoa preconceituosa. Mas isso me foi uma espécie de lembrete, a avisar que não tenho liberdade total de me assumir ateu perante a sociedade, que não é porque eu não tenho mais sofrido situações de preconceito que os ateofóbicos deixaram de existir por perto.
Foi o lembrete de que, por mais ético, bom, humilde, admirável enquanto pessoa e realizador de boas obras que eu seja, nunca serei integralmente aceito nesta sociedade de maioria religiosa, e o preconceito contra ateus por parte dessa sociedade motivará que meu reconhecimento seja limitado e até maculado. E também de que, se eu concorrer a algum cargo político eletivo, serei boicotado por inúmeros eleitores – e, tudo indicaria, não seria eleito – só por ser ateu, mesmo que eu divulgue todas as minhas ações pelo bem comum.
Mas isso não diminui minha integridade como pessoa. Quem não me aceita do jeito que eu sou não será aceit@ por mim. E não importa se uma, duas, dez ou cem mil pessoas se decepcionarão comigo por eu não lhes compartilhar a crença religiosa, continuo ateu com orgulho.
E ganho mais força ainda para lutar contra o último preconceito largamente aceito da sociedade brasileira: a ateofobia. Torna-se mais forte ainda perante mim o imperativo de lutar à minha maneira para que o preconceito pare de impedir pessoas de se gostarem umas das outras, pare de bloquear amizades e amores, não interdite mais relacionamentos.
Sou ateu e não sou menos gente por causa disso.
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16 respostas a Ateofobia sentida na pele
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Bem vindo ao clube!
Nunca senti isso na pele. Provavelmente por viver em um meio científico, onde praticamente todos são ateus.
Assim como o Diego aí de cima, estudo e trabalho no meio científico, onde – pelo contrário – os religiosos são os que sofrem preconceito. Apesar disso, já recebi olhares tortos de pessoas de fora da minha universidade quando me dizia atéia. Inclusive de pessoas da minha própria família. É complicado, mas devemos sempre lutar pelo que acreditamos – ou não acreditamos.
Essa semana comecei algo no facebook: cada post que via dos meus amigos falando sobre deus, postava um pensamento ateu. Só de teste. Resultado: Censura. Dizendo que eu não estava respeitando a religião do outro O.o Não postei NADA contra deus. Apenas alguns pensamentos ateus. Enfim, o preconceito ainda é muito grande.
Acontecem coisas do tipo: “Matou os filhos pq não ama deus.” “Charlie Chaplin não era ateu. Ele era maçom. Como todo maçom preza pelo bem, ele amava deus.”Zorra! Não amo deus nenhum e nunca mataria ninguém… Mas, infelizmente a ignorância e o preconceito ainda fazem parte da maioria religiosa…
É amigo, e essa não foi e nem será a última situação de preconceito ateofóbico que irá enfrentar. Como disse o colega :
Bem vindo ao Clube
Veja só: eu sou teísta e acho uma estupidez alguém deixar de se relacionar com outra pessoa por falta de crença em Deus. è por isso que esse mundo está assim: caótico, desumano, violento. Onde está a tolerância e o respeito pelo o outro? Em que a não-crença (ou o seu contrário) prejudica a humanidade?
outro dia recebi uma mensagem de uma garota falando assim pra mim ” do que adianta ter um rostinho bonitinho se nao tem ideologia pra viver”
hahahahaha eu falei assim….eu sou muito mais feliz e eu tenho muito mais capacidade de viver do que vc q vive num mundo matrix e numa idade da pedra mental!!!
coitados a primeira coisa q um religioso aprende é respeitar o proximo seja la quem seja!
Sem dúvida é uma situação ruim, péssima. Mas sabe (não sei se vou levar pedrada ao dizer isso), o meu ateísmo é uma parte importante da minha personalidade e no meu estilo de vida. Provavelmente eu não gostaria ou não conseguiria me relacionar com uma pessoa crente, que vá na igreja todo domingo e que acha que se fizer isso ou aquilo vai para o inferno. Tentando olhar por esse lado, até dá para entender a menina que acha que você ‘perdeu o encanto’.
(Já pensou? Eu chamo a pessoa pra tomar umas cervejas e ela não pode porque é pecado. Sexo antes do casamento é pecado. Se rolar sexo não pode isso ou aquilo porque é pecado. Quando eu apresentasse meus amigos gays ou não quisesse acompanhar a pessoa em algum culto importante pra ela, a pessoa morreria de desgosto… É, não dá… Tem coisa que é incompatível mesmo… Ainda bem que já sou casada e meu marido me acompanha nas ideologias mais importantes na minha formação…)
Abraços,
Lídia.
Pois é, mas eu sou ateu, sempre fui, ainda que minha mãe não acredite até hoje, e nunca escondi isto da minha esposa, que não é atéia, ainda que não seja praticante fervorosa de uma religião, e te digo que podemos levar o relacionamento muito bem, simplesmente um respeitando o espaço do outro.
Eu sou capaz de acompanhá-la em uma igreja, mas ela não tem interesse em me levar porque sabe que eu estarei lá escutando um monte de histórias em que não acredito (estou sempre aberto a escutar, prestar atenção e pensar no que é dito sobre tudo).
Enfim, nos respeitamos e assim temos um relacionamento fantástico!
[...] letra abaixo também é uma “homenagem” à recente paquera fracassada que “perdeu todo o encanto” por mim apenas porque não acredito em [...]
Lamento muito pelo ocorrido…e só para expor meu ponto de vista como cristã protestante;essa não é maneira correta de AMAR AO PRÓXIMO como a TI MESMO;pois este é o maior mandamento que Cristo nós deixou;podemos não concordar com pontos de vistas,comentários maldosos sobre nossa opção religiosa;Mas isto não nos dá ao direito de maltratar ou tratar com discriminação uma outra pessoa por que esta mesma não crê no que nós cremos… Apenas ore e mostre que a ama e que sempre amará independente de opções religiosas…Isto sim é o que Cristo faria…Abraço a tds.
Daniela, obrigado pela solidariedade, mas como é que um ateu vai orar?
Não você né?!Mas quem estiver incomodado com sua opção de não crer.
Sim, porque não ficou claro anteriormente. Realmente pareceu que você sugeriu a este ateu orar.
[...] as famílias homossexuais duas vezes no mês – aqui e aqui – Breve desabafo meu sobre um caso de ateofobia que senti na pele – Reacionários pró-Belo Monte usam de racismo contra indígenas para tentar atacar aqueles que [...]
ridiculo mesmo.
Sou ateia (esse é o termo certo?) e diversas vezes tive q ouvir aquelas ladainhas religiosas, de que eu precisava de deus pra viver, de que a pessoa em questão não acreditava em ateu, q iria pro inferno… afff penso assim se vc precisa acreditar em deus otimo, mas eu não acredito e ponto e sou feliz assim.
Tbm já me aconteceu algo parecido, eu ficava com um menino evangelico, que quando soube que eu era ateia, parou de ficar comigo. Ele disse abertamente isso, fiquei tão puta que acabei conseguindo fazer ele ser demitido ( ele trabalhava pro meu tio) bem-feito.