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Band suspendeu Rafinha Bastos porque ele ofendeu mulheres ligadas a homens poderosos

Atualização (03/10/11, 20:33): Incluí o Caso Datena no post, que eu havia tristemente esquecido de inserir. Minhas desculpas aos leitores ateus, que sentiram falta da referência ao ateofóbico mais famoso do Brasil.

A notícia bombástica de ontem foi que o pseudohumorista Rafinha Bastos não vai integrar a equipe do CQC hoje. O que foi comemorado por muitos brasileiros, e com razão.

Mas tem um aspecto extremamente androcêntrico e elitista no acontecimento: ele não se dá porque ofendeu Wanessa Camargo (sobre quem o pseudohumorista disse que “comeria ela e o bebê”), mas sim porque atingiu por tabela o marido dela, Marcos Buaiz, e o sócio de Marcos, Ronaldo. E Marco Luque, colega de Rafinha, havia divulgado nota sexta passada se solidarizando com Marcos Buaiz, não com Wanessa Camargo (que ele sequer mencionou na tal nota). Relevante é o fato, aliás, de que Buaiz e Ronaldo são sócios na agência de publicidade 9ine, que possui clientes que anunciam na Band.

No final das contas, a Band passou uma mensagem bastante perniciosa: ofender mulheres anônimas (vide casos da “piada” do estupro de mulheres feias e da ofensa às mães lactantes) pode. O que não pode é ofender esposas de homens importantes, porque esses homens, não elas, se ofendem.

Aliás, não apenas mulheres anônimas, mas também homens pobres, foram negligenciados pela Band. Diversos blogueiros estão lembrando do fatídico caso das ofensas dirigidas em off por Boris Casoy contra os garis na virada do ano de 2009 para 2010. Caso esse que não deu em nada, tendo “bastado” um seco e inconvincente pedido de desculpas por parte do apresentador para que o incidente fosse esquecido.

E também devemos nos lembrar do fatídico caso de José Luiz Datena, que no Brasil Urgente de 27/07/2010 deu um discurso de puro ódio contra ateus e depois ainda desdenhou várias vezes sobre a resposta da minoria ofendida (ver esse e esse post). E não foi sequer advertido, sequer admoestado pela emissora. Pelo contrário, foi recontratado esse ano pela Band e recentemente, na RedeTV!, desdenhou do processo movido pela ATEA contra ele, também sem receber qualquer puxada de orelha dos mesmos que suspenderam o pseudohumorista.

Quem falou dessa tendenciosamente androcêntrica punição a Rafinha Bastos foi Lola Aronovich, a querida autora do Escreva Lola Escreva. Convido vocês a ler o post dela: Rafinha suspenso do CQC por ofender gente que importa

A Band tenta aplacar a raiva das pessoas cuja inteligência e dignidade o pseudohumorista ofendeu, mas acabou de abrir uma nova desfeita: suspendeu seu inconveniente empregado não por ele ser uma pessoa desrespeitosa que usa o preconceito e a ofensa como ferramentas de trabalho, mas sim porque ofendeu mulheres importantes (Daniela Albuquerque e Wanessa Camargo) ligadas a homens endinheirados (respectivamente Amilcare Dallevo Jr. e Marcos Buaiz).

Ao invés de dar uma lição exemplar de ética na TV, deu uma demonstração mesclada de machismo e elitismo. Rafinha não foi punido por questão de ética, mas sim de interesses. Inclusive publicitários.

imagrs

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Rosenice Muniz

janeiro 4 2012 Responder

LI TUDO!E SÓ CHEGUEI A UMA CONCLUSÃO:A EMISSORA DITA OLHA
PARA SÍ.

Juliana

outubro 22 2011 Responder

Alguem concordou em algum momento q a coisa ganhou uma dimensao totalmente desnecessaria???? Nao defendo ninguem, mas foi uma brincadeira boba como tantas outras q todo mundo faz. Qual a diferenca entre a brincadeira do ratinha das atitudes q os humotistas tem frente a quaisquer mulheres “gostosas”??? Na boa gente…. Q ridicula a importancia q estao dando a isso

Bárbara de Almeida

outubro 3 2011 Responder

Putz, fiquei feliz por um momento, apenas! =/

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