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Guest Post: Deus odeia gays!

O artigo abaixo foi enviado pelo amigo Wellthon Leal, que o enviou também ao site gay1.com.br. Comenta um vídeo, que de tão forte foi removido pelo YouTube, sobre a violência homofóbica induzida pelas igrejas.

 

DEUS ODEIA GAYS!
por Wellthon Leal

Hoje me deparei com mais um vídeo do diretor Fabrício Mira no youtube, e rapidamente instigado com sua próxima façanha fui ver o vídeo. Poucos segundos, poucos diálogos e uma interpretação comovente, sim comovente porque esse vídeo é digno de lamentações.

Há que se lembrar que passamos por um momento delicado não apenas no Brasil, mas no mundo ocidental quanto ao que prefiro chamar de onda “neoconservadora”. Após várias ditaduras em épocas de guerra fria se era dito que os EUA estavam por trás de tudo, Golpes na América Latina, doenças novas matando milhares de pessoas pobres, terroristas e manipulações dentro de governos para se garantir o êxito capitalista… Hoje se sabe que quase todas as suposições eram de fato reais. Não quero me deter em questões políticas mas as uso para tentar comparar um poucos esse conservadorismo atual.

Depois desse processo doloroso e criminoso nada foi feito aos americanos, e se iniciou uma corrida progressista para se garantir direitos tidos como socialistas. Direitos esses que tentavam diminuir as desigualdades vistas a olhos nus e fantasiadas com naturalidade.

Os gays fizeram parte dessa luta, sendo levado por grupos feministas. Os “anormais” começaram a questionar valores impostos por uma ideologia cristão-judaica segregadora que era fixada em manter valores e honra familiar através da procriação, chegando até ao fato de aceitar incestos. Ao decorrer dos anos os grupos que buscavam direitos gays se tornavam cada vez mais fortes, e as críticas as instituições religiosas se vigoravam cada vez mais. Agora vemos uma grande queda de católicos no Brasil, e uma grande alta de alguns autodenominados “verdadeiros cristãos”.

Estes “alguns novos cristãos” tem reagido de modo duro e incansável na busca de um país evangélico, e consequentemente próspero. Como o Coronel Silas Malafaia afirmou: “Os países protestantes são os mais ricos do mundo! Eles prosperaram com a graça de DEUS”. Essa mesma lógica justificaria a desgraça e a miséria da África, tida como satânica e amaldiçoada. Silas Malafaia provavelmente usou um teórico chamado Weber, alemão e filho de protestantes, para seu discurso (neofascista?).  Weber percebe o quanto a lógica de prosperidade está ligada ao surgimento do capitalismo e como ele se estabelece quando a Idade Média cai e o sistema capitalista começa a se desenvolver. Afinal era preciso algo “mais filosófico” para se atrelar o desenvolvimento da burguesia! Eis o protestantismo!

Silas Malafaia realmente parece estar certo, a ganância do capitalismo, a exploração, a exclusão, a criação e manutenção das desigualdades parece ser algo presente em muitas igrejas evangélicas no Brasil. Mas de fato ele esqueceu que Weber explica que após isso a sociedade começa a ter uma frustração por perceber que essas explicações religiosas não vigoram e questiona tudo pela frente. Parece que alguém esqueceu de avisar que os países protestantes foram os primeiros a garantirem direitos gays e são hoje os mais “livres de imposições religiosas”.

Olhando mais um pouco para trás… Os católicos queriam liberdade para pregar na Roma Antiga, chegaram ao poder e queimaram mulheres e curandeiras em toda Europa. No Brasil a Igreja Católica se refugiava correndo dos protestantes, se encontra com alguns holandeses e ingleses tentando evangelizar no Nordeste do Brasil, resultado? mortes. Os evangélicos queriam de fato liberdade religiosa para pregar no Brasil, e mesmo que por outros motivos, o Brasil se torna “laico” e livre para o cidadão ser de qualquer religião. Será agora a vez dos evangélicos chegarem ao poder e quererem a unanimidade? Afinal eles seriam a verdade, a única.

O vídeo do Fabricio Mira é emocionante e mostra em cenas uma um fato comum de se ocorrer no Brasil. É crescente a quantidade de garotos que se descobrem sexualmente e passam por processos como esse, acarretando traumas psicológicos às vezes irreversíveis. Mira torna uma ficção em realidade, porque de fato ela existe. Ela é vivida, sentida e dilacerada. Sou estudante de antropologia e me abstenho da explicação de que esses problemas são resultados do meio social e devem ser visto como normal.

Meus olhos se encheram de lágrimas ao ver o vídeo, logo me vieram ânsias de vômitos apenas porque Fabrício Mira fez algo intrínseco e de mais admirável na arte; ele colocou a emoção e a fez passar através do seu produto. Esse vídeo não é apenas um fato do que ocorre, é um fato real, é uma arte de passar o que se passa todos os dias, é uma denúncia de uma cultura de culpabilização da sexualidade, da castração sexual mental, do dilacerar a possibilidade de se sentir a paz.

“Deus odeia gays” incomoda os que assim acham normal o processo castrador, porque a imagem está dada ali, sem fantasias e sem explicações religiosas para justificar essa violência, que é mais simbólica do que física. Fabricio Mira coloca o podre na sua frente e espera uma reação do outro lado. Me nego a normalizar esse cristianismo castrador, conservador e que cospe os meios para chegar aos fins. Me nego porque eu fui um desses garotos, e jamais como cientista social que serei tomarei essa castração como expressão cultural. Estou aqui e não concordo com a sua estupidez, Silas Malafaia, porque eu faço parte dessa cultura e eu posso modificá-la.

imagrs

3 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Cibele Oliveira

maio 27 2012 Responder

Desculpe, mas, por bom senso, recomendou-se não permitir este tipo de comentário aqui acusando alguém, algo que poderia dar margem a acusações de difamação e calúnia e consequentes processos judiciais contra vc e até contra este blog.

Grato,
RFS

Fernando Cônsolo Fontenla

outubro 20 2011 Responder

Dica: estes videos polêmicos ficam melhor no vimeo pois o youtube apaga todos eles!
Eu não pude ver o video, já está removido.

Fernandinho

outubro 18 2011 Responder

Não, seu comentário desrespeitoso, ofensivo e cheio de palavrões e preconceito não será publicado.

Att,
RFS

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