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Tortura em nome da ciência (Parte 67)

De dez em dez dias, trago pacotes de notícias que parecem boas para seres humanos, mas dentro dos laboratórios infligiram muita dor, estresse, sofrimento, privação de liberdade e perda violenta da própria vida a animais cuja incapacidade de aceitar ou recusar tal situação é explorada por quem os vê como meros instrumentos de pesquisa.

Abaixo doze notícias datadas dentre 21/09/11 e hoje. E um breve convite à reflexão no final.

 

1. Ratos com câncer de cólon intestinal em metástase

Em pesquisa que descobriu que um peptídeo da soja impediria a contaminação do fígado por metástase de câncer, ratos foram adoecidos com indução de câncer de cólon intestinal até a metástase. Um dos grupos de animais vitimados não recebeu qualquer medicação – era grupo controle -, sofrendo com a doença alastrada por semanas (no mínimo 28 dias) até serem sacrificados. Nos outros três grupos a metástase se alastrou menos, mas ainda assim houve sofrimento por causa do câncer até o sacrifício.

 

2. Tortura em andamento para testar nova quimioterapia com anticorpos

Estão em andamento testes das substâncias pertuzumab, trastuzumab e docetaxel em ratos infectados com câncer de mama. Não se sabe se dará certo nos animais, mas o que se sabe é que eles estão sofrendo por causa da doença e possivelmente sofrerão ainda mais por possíveis efeitos colaterais inesperados.

 

3. Exploração dupla: substância extraída da casca do camarão aplicada em ratos com medula espinhal lesionada

Instituto biomédico português está lesionando a medula espinhal de ratos para testar uma terapia baseada em quitosan, substância obtida da casca de camarões. Uma crueldade dupla: mata-se camarões e tortura-se ratos para testar uma substância de origem animal, extraída dos primeiros.

 

4. Ambiguidade gramatical: ratos estão sendo torturados com câncer ou é uma experiência com culturas de tecidos?

A Prensa Latina noticiou um tratamento sobre a redução dos efeitos colaterais da quimioterapia com ambiguidade gramatical:

Em ensaios da farmacologia experimental, os pesquisadores analisaram a eficácia desses compostos em células de ratos com tumores subcutâneos e de humanos.

Surgem duas perguntas na cabeça do leitor: estão sendo explorados ratos infectados com tumores subcutâneos ou estudadas culturas de tecido doentes com células de rato? Esses tumores subcutâneos foram extraídos de animais cancerizados e assassinados ou induzidos na própria cultura de tecidos?

 

5. Assustando ratos com odor de predadores

Uma experiência que visou testar a reação do olfato de ratos a diversos estímulos atiçou os animais a diversos cheiros. Entre eles, odor de raposa. Segundo a notícia:

Se sentem as substâncias de um predador, como uma raposa, eles tremem no canto de suas gaiolas.

Ou seja, o odor de raposa oferecido no experimento causou medo nos animais, que não podiam fugir para fora das grades de suas gaiolas. Prisão e terror marcaram a miséria dos animais nessa pesquisa.

 

6. Exploração de ratos com labirinto e aprisionamento em caixa

Uma experiência expôs ratos a “situações de confusão”, perturbando sua mente e provavelmente causando-lhes estresse e angústia:

Os pesquisadores montaram um labirinto e uma caixa especial. Os animais foram treinados para reconhecer meticulosamente cada parte do labirinto e enquanto andavam sobre ele, eram aprisionados na caixa e depois soltos em outra parte.

[…] Os pesquisadores descrevem a técnica como se os ratos tivessem sido ‘teletransportados’ de um lugar para outro. Monitorando as ondas cerebrais, os cientistas tiveram certeza de que os animais estavam confusos. Eles não sabiam imediatamente onde estavam, assim como uma pessoa fica confusa ao descer do elevador no andar errado ou está em quarto que não reconhece por alguns instantes ao acordar.

 

7. Pholia Negra: depois da exploração de ratos, médicos aconselham que explorem mais animais

Um estudo pré-clínico em ratos aprovou a Pholia Negra, substância herbácea, para emagrecimento. Presumivelmente não houve efeitos colaterais. Mas esse estudo não foi suficiente para atestar a eficácia da erva:

Para médicos consultados pelo G1, o estudo pré-clínico é insuficiente para que os pacientes recorram ao fitoterápico. “Enquanto não comprovar no ser humano, não vale nada esse estudo dizendo que a Pholia Negra emagrece”, afirmou Márcio Mancini, endocrinologista e ex-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

Agora médicos e toxicologistas estão recomendando que animais maiores, sem ser roedores, sejam explorados no teste da Pholia Negra para que a eficácia dela seja comprovada. Ainda assim, será necessário um teste final em humanos, que poderá confirmar a eficácia do herbáceo ou tornar em vão a exploração de todos os animais no histórico de testes.

 

8. “Ratos-robôs” e experiência invasiva: implante de cerebelo eletrônico em ratos

O cerebelo eletrônico foi implantado em ratos, tornando-os controláveis:

eles têm a possibilidade de induzir os neurônios motores a executar movimentos no corpo das cobaias, o que significa que esse grupo de cientistas criou uma espécie de rato robô.

Não bastasse explorar animais torturando-os com cânceres e remédios de efeitos colaterais possíveis e imprevisíveis, a vivissecção, não se contentando com isso, também tenta tratar os animais não humanos como robôs, levando às últimas consequências a visão cartesiana de animais não humanos como seres autômatos.

 

9. Quimioterapia dolorosa e neuropatogênica contra camundongos

Foi imposta a camundongos uma quimioterapia muito dolorosa, à base de paclitaxel, que causa neuropatia, a danificação dos nervos, o que lhes causou dores, dormências, formigamentos e inflamações. A intenção era testar o canabidiol, que conseguiu prevenir as dores dessa quimioterapia em alguns animais.

 

10. Hepatite B contra ratos

O teste da squalamina, substância encontrada no corpo de tubarões e lampreias (mas que os laboratórios afirmam saber como produzir sinteticamente), foi o objeto de uma experiência que infligiu hepatite B em ratos e hamsters, de modo a se tratar a doença com a substância.

 

11. Dieta com muita gordura contra camundongos

Uma dieta rica em gordura foi dada a camundongos para testar a influência de exercícios físicos nas artroses:

Dois grupos de camundongos, então, foram alimentados de maneira diferente: o primeiro grupo recebeu comida rica em gordura e o segundo recebeu comida normal. O primeiro grupo foi o mais prejudicado: os camundongos ganharam peso rapidamente, passaram a processar mal a glicose e apresentaram um nível alto no sangue de moléculas causadoras da inflamação crônica associada à artrose.

 

12. Embriagando camundongos

Para testar uma pílula que mantém consumidores de bebidas alcoólicas sóbrios, foram oferecidas a camundongos doses embriagantes de álcool, “uma quantidade suficientes de álcool para fazê-los tropeçar e mesmo cair”. Não foi informado se alguma vítima adquiriu dependência de álcool.

***

Cada pacote de notícias sobre experiência vivissecionistas deveria ser encarado como um convite a se refletir:
– É válido que continue se pensando nos laboratórios e na Academia que os fins justificam os meios e que os animais não humanos são meros objetos cedidos pela Natureza para servirem aos humanos?
– Será que as ciências biológicas experimentais realmente são e serão eternamente incapazes de se libertarem da situação de depender do sofrimento e da violência para atingir resultados duvidosos? Será que a tecnologia, cujas realizações contemporâneos seriam encaradas por pessoas de 200 anos atrás como obras sobrenaturais, realmente não tem a mínima condição de, nem mesmo a longo prazo, criar modelos de pesquisa biológica experimental superiores ao “modelo animal”?
– Por que os cientistas que exploram ratos, camundongos, primatas, coelhos, cães e outros animais não realizam testes também com os animais de estimação que tutelam?
– Por que é quase sempre preferível dizer “Vai você se oferecer de cobaia, se tem tanta ‘peninha’ das cobaias!” a pensar sobre os fundamentos éticos (?) da experimentação animal?
– É ético impor a toda a humanidade uma dependência vital de um sistema regido por prisão, tortura e assassinato, de modo que bilhões de pessoas dependam de remédios produzidos à base de muita crueldade para se livrarem de doenças de incômodas a tortuosas ou mortais?
– É ético impor a toda a humanidade uma obrigação passiva – depender da vivissecção para manter sua integridade físico-biológica – sem que haja qualquer direito à objeção de consciência?
– Por que a biologia experimental se mantém numa acomodação ética e tecnológica que não se vê em nenhuma ciência natural ou engenharia?

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