12

out11

Tortura em nome da ciência (Parte 68)

De dez em dez dias, um pacote de notícias que parecem boas para seres humanos, mas infligiram exploração, aprisionamento, dor, sofrimento e morte violenta para milhares de animais não humanos, desde ratos e camundongos até primatas.

Os resumos das notícias podem convidar você a refletir sobre a (falta de) ética na biomedicina experimental.

 

1. Prêmio Nobel de Medicina para alguém que explorou animais

Um dos três ganhadores do Nobel de Medicina 2011, Bruce Beutler, chegou à sua descoberta premiada explorando camundongos:

Trabalhando com camundongos, Beutler descobriu que alterações em um gene dos roedores os tornava resistentes à presença do LPS, o que impedia que esses animais se protegessem das ameaças.

Esse gene era muito parecido com o gene Toll, da mosca-de-fruta. No inseto, o gene Toll produz proteínas que servem como “alarmes” para o LPS encontrado nos parasitas. Ao detectar as ameaças, os animais começam a provocar inflamações para proteger o corpo.

 

2. Vacina contra coqueluche testada em camundongos

A futura (?) vacina do Instituto Butantan contra coqueluche para bebês foi testada em camundongos. Não se informou a porcentagem de sucesso nem a possibilidade de ter havido efeitos colaterais nos animais. Mas é fácil perceber que foi uma roleta-russa para os roedores. A vacina deu certo neles (ou na maioria deles), mas, se tivesse falhado, teria acarretado graves efeitos colaterais e/ou até a morte sofrida dos animais.

 

3. Camundongos autistas

Manipulação genética fez vivisseccionistas proporcionarem o nascimento de camundongos transgênicos portadores do autismo, ocasionando consequências desastrosas que foram além do autismo dos pequenos camundongos:

A pesquisa demonstrou que os camundongos alterados apresentaram comportamentos similares aos observados em pessoas com autismo: hiperatividade, dificuldade para dormir, para se adaptar a novos ambientes e a execução de movimentos repetitivos.

“Os camundongos com a supressão agiram de forma completamente diferente dos camundongos normais”, explicou Guy Horev, outro cientista.

Os pesquisadores também descobriram que aproximadamente a metade dos camundongos autistas morreu pouco após seu nascimento. Estudos futuros poderão revelar se este déficit genético pode estar relacionado com mortes inexplicáveis de bebês, segundo a experiência.

 

4. Obesificação de camundongos

Bloqueando a ação dos receptores de estrogênio alfa nos cérebros de camundongos, vivisseccionistas acabaram fazendo com que eles engordassem muito, passando a consumir mais e queimar menos gordura. Não foram informados os efeitos posteriores dessa obesificação dos animais. Nem se afirmou se os animais foram submetidos, depois da experiência, a regime de emagrecimento.

 

5. Experiência invasiva em macacos os faz mover braço biônico

A vivissecção em primatas é hoje em dia mais polêmica perante a opinião pública do que a exploração de ratos e camundongos. E foi o grande assunto do filme O Planeta dos Macacos: A Origem. Mas isso não inibiu o famoso vivisseccionista Miguel Nicolelis de explorar macacos em experiência recente relativa a membros protéticos controlados pelo cérebro de macacos.

 

6. Câncer de pulmão contra ratos

Mais um experimento inoculou tumor em ratos, tendo sido dessa vez um câncer de pulmão. A notícia deixa a entender que o bloqueio do chamado oncogene ocasionou a regressão do câncer, mas não deu qualquer detalhe sobre em quantos porcento dos animais houve essa regressão e se houve cura, nem se os animais foram sacrificados.

 

7. Alcoolização de ratas causa danos permanentes em fetos

Um teste toxicológico dos efeitos do álcool de bebidas alcoólicas explorou ratas grávidas. Uma única dose excessiva de álcool nas ratas foi o bastante para provocar danos permanentes nos fetos, tendo os filhotes nascidos “com danos sérios, […] com anomalias na cabeça e face e com deficiências mentais”.

 

8. Orexina e a exploração de ratos

Foi realizado um teste em que ratos transgênicos nasceram sem o hormônio orexina e foram submetidos, junto a um grupo controle, a uma dieta rica em gordura. Os ratos transgênicos engordaram 45% do seu peso corporal com a dieta, em comparação aos 15% dos animais dotados do hormônio. Depois amostras da gordura marrom foram recolhidas dos ratos, o que dá a entender que eles foram mortos para a sua extração.

 

9. Ratos com diabetes tratados com NMN

Foi testado um tratamento com o mononucleotídeo nicotinamida (NMN) para o tratamento do diabetes tipo 2, tendo sido induzidas à doença diversos ratos. O NMN deu certo nas fêmeas, não tendo causado efeitos colaterais, mas nos machos a tolerância á glicose não voltou completamente ao normal. Deve-se observar que, mesmo tendo dado certo, houve um enorme risco de o experimento causar efeitos colaterais severos ou mesmo mortais, e experimentos fracassados que causaram efeitos desastrosos nas cobaias geralmente não são divulgados pela mídia.

10. Fosfato causou problemas cardíacos em ratos

Diz-se que alimentos ricos em fosfato podem fazer mal ao organismo humano, mas isso foi constatado a partir de experiência com ratos:

No estudo, três grupos de ratos foram alimentados, cada um, com um uma dose diferente do elemento. Após 20 semanas, os animais foram analisados. Os pesquisadores descobriram que os ratos que receberam uma alimentação mais rica em fosfatos tiveram 40% a mais de sinais de problemas cardíacos, como entupimento nas artérias e inchaço.

 

11. Alzheimer “injetado” em ratos contagia doença

Uma experiência contagiou a Doença de Alzheimer de cérebros humanos para cérebros de ratos:

Os pesquisadores injetaram tecido de cérebro humano de pacientes sofrendo de Alzheimer em ratos de laboratório. Esses animais acabaram desenvolvendo danos cerebrais semelhantes aos causados pela doença. Com o tempo, esse dano se espalhou por todo o cérebro dos ratos. Os animais que receberam injeções de tecidos saudáveis não apresentaram os mesmos problemas.

 

12. Forçando ratos a correr até a exaustão

Ratos foram forçados a correr em esteira até a exaustão. Os efeitos foram perversos:

A descoberta foi surpreendente: uma única sessão de treino intenso foi capaz de estimular a apoptose, uma espécie de suicídio, desses animais. Em resumo, concluiu a pesquisa, o esforço físico demasiado diminui a resistência contra gripes e resfriados. Além disso, ele­va concentração dos radicais livres, moléculas que, em altas doses, são nefastas ao sistema imunológico. 

 

13. Leucemia contra ratos

O agente químico I-BET151 foi testado em ratos que tiveram leucemia induzida pelos vivisseccionistas. A notícia deixa a entender que o tratamento deu certo no que tange a impedir a ativação de genes causadores de leucemia em bebês e parar a doença, mas não dá a porcentagem de sucessos.

 

14. Câncer de próstata e quimioterapia intensiva contra ratos

Ratos foram induzidos a câncer de próstata e, divididos em dois grupos, foram submetidos a tipos diferentes de quimioterapia. As vítimas submetidas à quimioterapia convencional “sofreram efeitos secundários mais severos, que levam à perda óssea e de cabelo”.

 

15. Diabetes dos dois tipos contra ratos

Cientistas provocaram diabetes dos dois tipos em ratos diferentes para testar um tratamento que colava no pâncreas das vítimas uma folha de colágeno com células-tronco expostas a uma proteína relacionada com insulina. Os animais tiveram taxas de insulina normalizadas, mas voltaram a sofrer com a doença depois que as folhas de colágeno com células-tronco foram removidas e o tratamento foi parado. Foi uma experiência muito invasiva, envolvendo extração de células do canal olfativo e cirurgias.

 

16. Heroína injetada em ratos

Para o teste de uma vacina contra dependências químicas, foi injetada heroína em ratos, de modo que a vacina pudesse tentativamente reduzir os efeitos da droga. Os ratos vacinados “não experimentaram os efeitos analgésicos da heroína”, o que pressupõe que foram submetidos a estímulos dolorosos, e “pararam de procurar a droga, presumivelmente porque deixaram de sentir qualquer efeito”.

 

17. Leucemia contra ratos, de novo

Um primeiro grupo de ratos expressando um gene de fluorescência serviu como doador de células da medula óssea. A medula óssea fluorescente doada foi injectada num segundo grupo de ratos cuja medula óssea foi destruída pela radiação. Permitiu-se que as células da medula transplantadas proliferassem durante oito semanas. Então, as células do cancro do cólon foram injectadas nos mesmos ratos e tumores formaram-se nas três próximas semanas.

Monitorizando o crescimento do tumor com imagiologia óptica, os cientistas descobriram que havia neles diversos tipos de BMDCs [células derivadas da medula óssea]. Particularmente, também descobriram que o crescimento do tumor é menor nos animais que receberam o transplante de medula óssea em comparação com os ratos hospedeiros que não o receberam.

imagrs

Seja a primeira pessoa a comentar

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo