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nov11

Prova de concurso do IBGE fez apologia a androcentrismo e rodeios

O concurso do IBGE me rendeu duas surpresas desagradáveis: duas questões muito inconvenientes.

A primeira questão inconveniente foi essa:

Pior que a resposta certa é mesmo a letra B: homem como o gênero humano, a humanidade.

A segunda foi ainda pior: uma apologia aos rodeios:

Me deu uma enorme vontade de deixar essa questão absurda em branco, mas me obriguei a responder, uma vez que uma questão em branco representaria um sério revés para quem está numa prova duas vezes mais concorrida do que vestibular para Medicina. E seria extremamente difícil aplacar uma objeção de consciência a posteriori que me livrasse de ter que responder a isso.

Fica a sugestão para a Consulplan, organizadora do atual concurso do IBGE para agente de pesquisa e mapeamento: pensem direitinho antes de inserirem nas provas assuntos antiéticos como se fossem coisas naturais e normais.

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17 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Alberto

novembro 2 2011 Responder

O fato da questão não criticar o uso do termo não a torna uma apologia ao uso do mesmo. É uma questão de interpretação de texto, não de ética.

    Robson Fernando de Souza

    novembro 2 2011 Responder

    Ele tanto não critica como meio que “incentiva” o seu uso como sinônimo de ser humano. Seria coerente que simplesmente dispensassem a questão em vez de colocá-la lá e polemizar com as mulheres, historicamente excluídas pelo androcentrismo linguístico.

      Alberto

      novembro 2 2011 Responder

      Como é que a questão incentiva o uso do termo?

        Robson Fernando de Souza

        novembro 2 2011 Responder

        De forma sutil e indireta, naturalizando acriticamente a definição “ser humano”/”espécie humana” de homem.

          Alberto

          novembro 3 2011

          MAs quem faz isso é o personagem, não a prova.

      Alberto

      novembro 3 2011 Responder

      Mas citar uma obra de ficção sem questionar a moral de seus personagens é apologia ou incentivo ao comportamento dos mesmos.

        Alberto

        novembro 3 2011 Responder

        Eu quis dizer “…não é apologia…”.

        Robson Fernando de Souza

        novembro 3 2011 Responder

        É naturalizar a coisa.

Alberto

novembro 2 2011 Responder

Eu entendo e concordo que é androcentrismo chamar a espécie humana de homem. O que eu disse que não entendi foi como o personagem da tira (um guerreiro medieval, não é?) entender homem como espécie humana é apologia a androcentrismo.

Quando alguém diz “o homem está destruindo o meio-ambiente” eu entendo que a pessoa que disse isso quis dizer “a espécie humana está destruindo o meio-ambiente”, isso me torna androcentrista?

    Robson Fernando de Souza

    novembro 2 2011 Responder

    Alberto, uma coisa é dizer, sem saber da polêmica do uso, “o homem” como ser humano em um evento qualquer. Outra coisa é colocar “homem = espécie humana” como resposta certa de uma questão de português, induzindo à assimilação acrítica desse tipo de vício linguístico.

      Alberto

      novembro 2 2011 Responder

      Mas, pelo que eu entendi, o objetivo da questão, que é de interpretação de texto, é que o candidato perceba que O PERSONAGEM da tirinha entende homem como espécie humana, por isso essa é a resposta certa, e não porque as pessoas responsáveis pela questão acham que é certo chamar a espécie humana de homem.

        Robson Fernando de Souza

        novembro 2 2011 Responder

        O problema é que a única palavra que realmente varia de significado é “pão”. Não se questiona ali o uso de “homem”.

          Alberto

          novembro 2 2011

          Robson, desculpe, mas não estou vendo apologia nenhuma aí.
          Antes você disse que colocar “homem = espécie humana” como resposta certa é apologia ao uso do termo. Mas questão pergunta o que o personagem entende como homem, e ele entende espécie humana; a questão não está perguntando o que é homem e pedindo para o candidato identificá-lo como espécie humana, como se o candidato, ao escolher a resposta, estivesse concordando com a identificação.

          E não entendi o seu último post. Como assim só pão varia de signficado? E também não entendo porque o fato da questão não questionar a moral do personagem é uma apologia ao comportameno dele.

          Robson Fernando de Souza

          novembro 2 2011

          O personagem não entende “homem” como homem, pessoa do sexo masculino. Isso não é tocado pela questão. E sequer temos uma alternativa entre as cinco que diga que “homem” é o homem propriamente dito.

Alberto

novembro 2 2011 Responder

Não entendi porque a primeira questão faz “apologia” ao androcentrismo.

Rafael

novembro 1 2011 Responder

Festa cheia de música e diversão etc! aff

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