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“Sem fé a pessoa se torna muito só”: o preconceito de Christiane Torloni

Em entrevista a’O Estado de S. Paulo, feita semana passada e divulgada ontem à tarde, a atriz Christiane Torloni mostrou ser mais uma preconceituosa entre tantos religiosos no Brasil. Ao ser indagada sobre sua crença religiosa pessoal, ela declarou:

Segue alguma crença? O que é Deus para você?

Sigo os preceitos do budismo, sou católica por formação, gosto de ir à missa e comungar. Também leio a palavra de Cristo e acredito que ele e Buda são duas manifestações de muita luz para o ser humano. Sem fé a pessoa se torna muito só.

Um evidente caso de preconceito contra pessoas sem fé religiosa – porque “fé” no caso foi utilizado claramente no sentido de fé religiosa, não num sentido secularizável de esperança, confiança e apego. A partir da crença dela na essencialidade da religião, sem qualquer dedução obtida por convívio com ateus, agnósticos e outros irreligiosos, ela tirou a “conclusão” de que pessoas sem fé são solitárias.

Ignora ela que pessoas que não têm fé em religiões ou divindades extrarreligiosas personalizadas não têm problemas com solidão em função de sua irreligiosidade. Eu mesmo, ateu, ainda que não tenha hoje o tipo de vida que desejo, não me sinto uma pessoa solitária. Aliás, no passado, quando eu era cristão não praticante, tive diversos momentos de forte sentimento de solidão, o que não acontece mais comigo há anos – o que não quer dizer, porém, que a religião tenha influenciado tal sentimento, mas sim que religião e fé nada têm a ver com solidão.

O fato de adeptos de religiões organizadas viverem em grupos coesos, em que há solidariedade entre os fiéis, enquanto os irreligiosos não contam com grupos unidos por crenças, muitas vezes dá a falsa impressão de que pessoas sem religião são solitárias e gente com religião não é. Mas quem cai nesse mito esquece que os irreligiosos têm companhias: família, amig@s e namorad@s/noiv@s/espos@s. Fé é irrelevante para essas pessoas em seu viver.

Enviemos nossos protestos contra a declaração preconceituosa de Christiane Torloni comentando abaixo da entrevista – há um formulário de comentários, em que pessoas cadastradas podem deixar seus dizeres, e o cadastro é gratuito e rápido.

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10 comentário(s). Venha deixar o seu também.

adriana santos

setembro 28 2012 Responder

não ví nenhum foco de preconceito, ela quis dizer q ela se senteria só sem religião, e concordo plenamente c/ ela e independente disso cadê a liberdade de expressão?? torloni vc é o máximo!!!

    Robson Fernando de Souza

    setembro 29 2012 Responder

    ela quis dizer q ela se senteria só sem religião, e concordo plenamente c/ ela

    E por que isso não é um preconceito?

Valentina

janeiro 10 2012 Responder

Comentário malcriado e ofensivo apagado. Se você deseja ter sua opinião divergente respeitada, traga-a com educação, não como você fez.
E os comentários aqui são moderados pelos motivos que você pode ver em http://consciencia.blog.br/regras

Att,
RFS

Luciana Candido

dezembro 7 2011 Responder

Para aos que não creem em religião,pelo menos fé em si mesmo você tem que ter se você não acredita nem em si mesmo quem vai acreditar? A Fé não está ligada a uma condição religiosa necessariamente.

Essa onda de ver preconceito onde não tem tá um pé no saco, a pessoa tem que estudar 50 vezes antes de falar?.

    Robson Fernando de Souza

    dezembro 7 2011 Responder

    No caso de Torloni, ela estava claramente se referindo à fé religiosa, uma vez que a pergunta dada era sobre fé religiosa e ela não fez qualquer ressalva sobre fés seculares.

M. Eduardo

novembro 13 2011 Responder

Mesmo que eu não concorde com ela, antes de tudo considero que é a opinião dela, e eu respeito.

Talvez mais apropriadamente ela dissesse que sem fé ELA se tornaria muito só. Muitas vezes achamos que nossas convicções devam se estender aos outros, nisso talvez resida o maior equívoco.

Mas não vejo todo esse preconceito: pelo contexto compreendo que ela não deve ter falado por mal, com intenção de ofender alguém. Já aconteceu muitas vezes de eu falar com as palavras menos adequadas e da forma menos adequada, e me arrepender depois, e às vezes mesmo que se escolha as melhores palavras, isso não impede que as pessoas te interpretem pelo lado negativo.

Mesmo que haja esse preconceito, o que pode fazê-la mudar de opinião é uma argumentação consistente, mas evitaria expressões como dizer que ela está errada, porque com isso passaria a mensagem de que eu estou certo, não me colocando no plano dela mas num superior. Isso também pode ser uma forma de preconceito. Para fazer com que me compreendam, antes de tudo eu preciso compreender os outros. Ela tem suas razões e irrazões para pensar assim, como qualquer um de nós.

O preconceito geralmente parte da ignorância, e ignorantes todos somos. A grande arma que pode vencer o preconceito é o esclarecimento, pelo debate de idéias. Inclusive aprendemos muitas coisas escutando o outro lado, e não apenas dizendo. Aprendi muitas coisas hoje visitando este blog, parabéns pelo trabalho.

Vinicius

novembro 12 2011 Responder

Mas é verdade, sou ateu e sempre fui solitário…

Alexander de Andrade Machado

novembro 8 2011 Responder

É no mínimo engraçado tal comentário dessa senhora. No meio religioso muitas pessoas são solidárias, com medo de irem para o que chamam de inferno. Portanto não é um sentimento puro, mas uma reação por medo de “deus”. Ao passo que ateus ou afins, tem sua conduta pautada pelo que acham correto, ético. Portanto seus atos são dirigidos unicamente pelo que acham certo, e não por medo de serem punidos por uma “divindade”. E seria ótimo se os ditos cristãos, seguissem um belo ensinamento: “Cada um segundo as suas obras.” Em suma, serás julgado pelas suas ações. E não se és cristão ou ateu. Traduzindo, pelo que vejo, o céu vai estar cheio de ateus e o inferno cheio de cristãos. E para finalizar, Hitler era cristão. Abraços

Bryght Kapisâba Netto

novembro 8 2011 Responder

Parafraseando a mesma: “É dia de Babaquice bebê”.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo