16

nov11

Tortura em nome da ciência (Parte 71)

Da próxima vez em que você pensar em exaltar os avanços da ciência baseada na experimentação animal, lembre-se que tais avanços, que prometem salvar vidas humanas do sofrimento e da morte, implicaram justamente sofrimento descomunal e morte em animais não humanos, além de privação de liberdade e sujeição a testes do tipo roleta-russa (ou funciona direito e cura o animal, ou causa efeitos colaterais pesados e letais).

Essa é a verdade que aprendemos e reiteramos a cada notícia que lemos sobre experiências forçadas em animais. Abaixo o resumo de 15 notícias, entre 31/10 e hoje, que escancaram essa violência.

 

1. Câncer implantado nas costas de camundongos: metade deles não foram tratados

Vivisseccionistas implantaram tumores nas costas de camundongos, e apenas metade recebeu tratamento à base de radiação infravermelha. O grupo controle não foi tratado e acabou sofrendo integralmente com o câncer infligido, enquanto os camundongos tratados com o infravermelho tiveram seu tumor reduzido (mas não curado).

 

2. Teste de droga antissenescente em ratos

Uma droga, de nome não informado na notícia, foi injetada em ratos transgênicos idosos para que suas células senescentes fossem destruídas e assim o envelhecimento dos tecidos saudáveis fosse retardado. Presumivelmente não houve efeitos colaterais, mas é possível que tentativas anteriores, incluindo provavlemente testes em ratos normais, tivessem falhado e/ou causado efeitos colaterais graves. É destacável também que a experiência, conforme podemos entender a partir da notícia, teria funcionado apenas nos ratos transgênicos, que haviam sido genetivamente programados para que as células senescentes pudessem ser expurgadas com a droga específica inominada – dando a entender que ratos normais não teriam essa facilidade. Ou seja, pelo menos aos olhos leigos a experiência foi inconclusiva.

 

3. Carne bem-passada causa câncer de intestino em ratos

Camundongos foram obrigados a comer crostas torradas de carne bem-passada e tiveram injetadas em seus corpos quantidade indeterminada da enzima sulfotransferase, que “pode transformar substâncias inofensivas em substâncias cancerígenas” e, nos roedores, só está presente no fígado (enquanto os seres humanos a possuem em diversas partes do corpo). “A incidência de tumores intestinais aumentou de 31% para 80% nos ratos que comiam a crosta de carne aquecida”. Tal experiência tem um destaque superior aqui porque ela pode ser usada por alguns vegetarianos para provar que carne faz mal em algumas condições de cozimento.

Deve-se ressaltar que a experiência não é conclusiva: ela não testou o organismo humano, e sim testou a ação da carne torrada e da enzima em camundongos mediante condições não naturais. Portanto, por ser inconclusiva para o organismo humano e por ter envolvido crueldade contra animais não humanos, recomendo que essa experiência não seja usada e citada na argumentação pró-vegetariana.

 

4. Câncer de cólon contra ratos

Experiência da Texas A&M University estudou os efeitos das fibras alimentares e do ômega-3 no organismo de ratos e concluiu que tais nutrientes reduzem a probabilidade de se contrair câncer de cólon. A notícia parece deixar a entender que o câncer surgiria espontaneamente em parte dos animais, mas é fortemente dedutível que os ratos eram transgênicos, geneticamente propensos a esse tipo de câncer. A pesquisa é inconclusiva para seres humanos, conforme a notícia.

 

5. Seleção genética proposital produz ratos com grave defeito cardíaco

A “produção” excessiva de genes precondicionantes de certos distúrbios cardíacos crônicos causou-os de fato em ratos frutos de seleção genética proposital:

[…] os pesquisadores testaram os efeitos de se aumentar os níveis desses genes nos corações dos modelos de rato.
Primeiro eles geraram linhas genéticas de ratos que tinham atividade elevada de cada um destes genes no coração e, em seguida, cruzaram estes ratos geneticamente para criar descendentes que super produziam os genes em conjunto. Os pais, bem como seus descendentes foram então testados para a função cardíaca e defeitos cardíacos visíveis.
Os ratos que tinham níveis elevados de cada gene separadamente eram, em grande parte, normais. Mas a prole com níveis extra de ambos os genes tinha graves defeitos cardíacos.
Estes defeitos cardíacos eram de dois tipos. O primeiro parecia uma das principais características dos pacientes cardíacos com síndrome de Down, em que o sangue desvia-se entre as duas câmaras atriais do coração através de pequenos orifícios no septo que normalmente isola essas duas câmaras.
O segundo defeito, que não é frequentemente observado em pacientes com síndrome de Down, mas que é uma condição comum e muito séria na população em geral, foi um espessamento da parede do coração, a hipertrofia cardíaca.
“Este espessamento da parede do coração reduz o funcionamento do coração e pode levar a ataques cardíacos fatais, o que de fato foi observado entre alguns dos ratos com superprodução de DSCAM e de COL6A2 [os genes patogênicos] mais seriamente afetados”, disse Bier [um dos vivisseccionistas].

 

6. Células de câncer de mama humano injetado em ratos causa metástase para os seus pulmões

Uma experiência injetou células de câncer de mama humano, dotadas excessivamente ou não da proteína HIF-1, em ratos. Os ratos que tiveram injetadas as células tumorais ricas na proteína desenvolveram metástase nos pulmões. Os pulmões foram examinados 45 dias depois da injeção das células no organismo dos ratos, o que implica ora que as vítimas sofreram bastante com o câncer ao longo desse tempo, ora que foram mortos (caso não tenha sido feito algum método de exame in vivo) para que seus pulmões fossem extraídos e analisados.

 

7. De novo o bisfenol-A é usado para torturar ratos em laboratório

Notícias antigas neste blog (aqui e aqui) já mostravam experiências em que ratos eram torturados com a substância bisfenol-A. Pois mais uma experiência do tipo apareceu:

Agora, uma pesquisa feita na Suécia revela que ratos recém nascidos expostos à substância apresentaram alterações no comportamento espontâneo e uma menor capacidade de se adaptarem a novos ambientes. Na fase adulta, eles se tornaram hiperativos.
Ratos com dez dias de vida receberam diferentes doses de BPA. Eles foram observados por uma hora para que fosse avaliada sua capacidade de adaptação ao serem transferidos para uma nova gaiola, igual à anterior. Os pesquisadores observaram que as alterações de comportamento persistiram na fase adulta, o que indica que o dano do BPA é permanente.

 

8. Melanoma maligno causa sofrimento e morte em ratinhos

Uma experiência bastante cruel verificou que o Viagra alivia o melanoma maligno, uma variedade de câncer de pele. Para chegar a essa conclusão, fez nascer ratinhos transgêncios, propensos a contrair com certeza o melanoma. Um grupo foi tratado com Viagra em pó dissolvido em água e o outro não foi. Os ratos não tratados morreram com o câncer sete semanas antes dos medicados, presumidamente sem terem sido sequer eutanasiados. Mesmo os ratos tratados, no entanto, continuaram com o câncer até a morte (não se diz se foi por eutanásia ou por consequência da própria doença).

9. Ratos transgênicos com Doença de Alzheimer

Pesquisadores da Universidade de Georgetown, em Washington DC, descobriram que se o anticorpo for dado muito tarde pode provocar inflamações no cérebro.Eles testaram um anticorpo chamado PFA1 em ratos criados com sintomas de Alzheimer.
O anticorpo foi projetado para limpar amilóide, uma proteína nos cérebros de pessoas com a doença. Embora o PFA1 tenha reduzido a quantidade de amilóide no cérebro, os ratos que tinham maior quantidade da proteína no cérebro no início do estudo foram mais propensos a mostrar sinais de inflamação após o tratamento.
Aqueles com menores níveis de amilóide não experimentaram o mesmo nível de inchaço e mostraram um benefício significativo da vacina.

10. Glândula pituitária sintética testada em camundongo

Vivisseccionistas japoneses criaram uma glândula pituitária (ou hipófise) sintética em laboratório, confeccionada a partir de células-tronco embrionárias de camundongos, e testaram num camundongo. É altamente supeitável, embora não tenha sido mencionado na notícia, que houve tentativas anteriores falhas, com graves efeitos colaterais. Também é dedutível que o camundongo foi assassinado em seguida para que se percebesse que a hipófise sintética produziu o hormônio corticotropina.

 

11. Toxoplasma, o parasita “pesadelo dos roedores”, injetado justamente em roedores

Que o toxoplasma causa alterações de comportamento severas em roedores, isso já é conhecido. Mas alguns vivisseccionistas infectaram camundongos com o parasita e deixaram-nos infectados por “bastante tempo”. É fortemente suspeitável pela notícia que os camundongos foram mortos para que seus cérebros fossem analisados e fosse constatado neles o aumento na produção e ação da dopamina. Diz a notícia que “em pessoas com imunidade baixa, a toxoplasmose pode causar inflamação do cérebro, problemas de visão e audição e afetar o coração e os rins. Em alguns casos, pode acabar sendo fatal”, o que levanta a possibilidade de que alguns camundongos sofreram muito com a toxoplasmose antes de morrer.

 

12. Nicotina vicia camundongos nela mesma e também em cocaína

Ratos foram induzidos a beber água com nicotina, a substância viciante do cigarro, e dias depois, em uma área específica de suas gaiolas, tiveram injetada cocaína. Tanto o grupo viciado na nicotina como o grupo controle, que havia recebido água fresca ao invés da solução de nicotina, acabaram viciados na cocaína, e o grupo viciado em nicotina reagiu mais intensamente a esta. Tudo isso com direito a excitação frenética e pedir por mais da droga.

 

13. Camundongos transgênicos com mais ansiedade do que o normal

Vivisseccionistas fizeram nascer camundongos transgênicos desprovidos do neuropeptídeo Y. Os pequeninos animais, forçadamente separados de suas mães, tenderam a ser mais ansiosos do que os camundongos normais, e sua ansiedade só se controlava quando eram acolhidos por mães camundongos que faziam carinho nos filhotes.

 

14. Macacos e ratos explorados para teste de droga antiobesidade

Alguns macacos, que não podiam dizer NO! como o ficcional chimpanzé César, foram explorados, sendo forçados à obesidade, para o teste de uma droga antiobesificante. O mesmo foi forçado a ratos. Os macacos perderam 11% do peso em um mês e os ratos, 30%. E teve efeitos colaterais: nos macacos, “foram registrados alguns efeitos nocivos nos rins, que pod[ia]m ser evitados com a redução da dose administrada”.

 

15. Defesa do médico de Michael Jackson pagou para que testassem em cães anestésico que matou o cantor

Os advogados de defesa do médico Conrad Murray, recentemente condenado por homicídio culposo pela morte de Michael Jackson, bancaram um estudo vivisseccionista que explorou cães para o teste das doses orais do anestésico Propofol, cuja overdose matou o cantor. Os testes teriam provado que “seria impossível alguém morrer ingerindo oralmente Propofol”. Porém, os advogados abandonaram a tese em seguida.

imagrs

1 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Sofia D.

novembro 16 2011 Responder

Ratos podem comer madeira, papel, comida estrada e muito mais. Isso não significa que nós vamos comer também.

Porque esse princípio não se aplica ao remédios que “salvam” nossas vidas?

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo