14

dez11

[OFF] O incentivo à compra de carros é inconveniente

Ontem a Folha.com anunciou que o governo federal pretende voltar a baixar o IPI (imposto sobre produtos industrializados) dos automóveis de modo a incentivar o reaquecimento do mercado de carros e, subentendidamente, ajudar a proteger o Brasil da nova crise euroamericana.

Há três problemas com isso:

a) o de ordem ambiental: é mais consumo de combustíveis-fósseis e emissão de gases-estufa, uma péssima atitude do governo de um país que deveria estar na vanguarda da sustentabilidade. Além também da aceleração do esgotamento das jazidas minerais;

b) o de ordem urbanística: mais carros para entupir as ruas e avenidas do Brasil, já tão combalidas por um mercado consumidor de carros inchado e por uma má gestão de transportes. Num momento em que o ideal seria o investimento em metrôs, VLTs e trens urbanos comuns, a construção de ciclovias e o incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte, mais carros é tudo o que não precisávamos;

c) o de ordem política: mais uma vez o governo Dilma mostra que governa para o patronato, sendo os benefícios (?) à população um mero efeito secundário. Comentou o leitor da Folha.com Paulo Nogueira:

Eu quero saber quando é que vai baixar a alíquota do meu imposto de renda.

Quando é que haverá um acordo para a redução do ISS dos autônomos.

Quando é que os alimentos da cesta básica e a proteína animal* terão isenção total impostos.

Quando é que o imposto para os produtos básicos da construção civil será reduzido.

IPI de montadora? Isso é mamata.

Havendo tantas maneiras muito mais populares de incentivar o consumo – se bem que incentivo ao consumo num mundo em que se pede cada vez mais que o consumismo seja freado de uma vez -, prefere-se beneficiar os grandes empresários automotivos, mesmo causando os dois outros inconvenientes citados e um benefício apenas ilusório para a população em geral.

Isso mostra mais uma vez que o governo Dilma é um governo que tende à direita, por conservar inteirinha a ordem capitalista-consumista existente e beneficiar o grosso da população apenas indiretamente através do amparo aos grandes patrões. Também se mostra um governo que despreza o meio ambiente e os problemas de planejamento urbano.

 

*Como tod@s vocês devem imaginar, discordo por completo da necessidade de se isentar de impostos alimentos de origem animal. Para esse mercado, o ideal seria aumentar as taxas cada vez mais, para desencorajar econômica e culturalmente o consumo dos corpos de animais escravizados e mortos e incentivar a alimentação vegetariana.

imagrs

2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

IPBarrett

dezembro 20 2011 Responder

Em primeiro lugar; o incentivo ao consumo não se dará apenas no ramo automotivo. O abatimento de impostos se extenderá a outras áreas.
Mas enfim, vou dar lugar ao verdadeiro sentido que me leva a escrever.
Observo que muitos jóvens da minha geração se posicionam de forma empática, idealista, idílica até, muitas vezes sem entender a extensão da máquinha que faz este mundo caminhar inexorávelmente por e para a distopia; criticar e apontar para o impossível é muito pouco.

A economia mundial trabalha sob um mesmo imperativo: “crescimento”. Sem “crescimento”, sem consumismo, sem criação de uma demanda para sustentar o “triángulo vicioso” produção/venda/lucro, na conjuntura atual, singnifica a ruina. Sim, significa que você, redator deste blog, ficará sem o sustento para as suas necessidades básicas; e quem sabe até sem interent em casa. Fatos são fatos; sonhos são sonhos.
Acho até bonito quando as pessoas não se rendem a coação heteronima de um mundo que sim, certamente tenta ser racional individualmente num coletivo irracional; o que provoca uma contradição, que pode ser encarada como uma possibilidade para a dialética.
Agora eu pergunto, a síntese ela se dará como? Os problemas apontados aqui são fáceis de identificar, mas e as soluções? Como podemos fazer para que as “massas anônimas” ouçam nós, ilustres desconhecidos, para passar a salvaguardar o que é bom e justo, voltando-se para uma suposta vocação altruísta imanente à humanidade (que se encontra acorrentada e enganada, coitada).

Em definitiva:
As regras do jogo são essas. São injustas? Sim. Podemos mudar-las? Talvez. O que é necessário? Simples, revolução ou reforma; e no caso desta última, como parece ser a única forma de “valentia” da nossa geração fascinada com as suas quinquilharias tecnológicas (e com o dinheiro para possuí-las), há que fazer algo que seja econômicamente condizente com o “crescimento” do bolso dos tiranos e patrões do mundo.

Me temo que estamos numa via de mão única.

Acho que vou curtir alguma coisa no facebook. Certamente não uma daquelas imagens de uma tourada, sendo compartilhada por alguém que tal vez, no mesmo momento, tenha o seu organismo ocupado com a árdua tarefa de digerir uma chuleta de porco, inconsciente, com os órgãos que não consegue sentir, e que com felicidade ignora.

Bárbara de Almeida

dezembro 14 2011 Responder

Aff, retrocesso hein.

Agora, vai explicar isso tudo para o povo que está no meu redor?

TODOS acreditam que só com um carro na garagem serão felizes. Inclusive aqueles que não tem a mínima condição de comprar um, e ficam felizes de depreciar quem pensa como nós.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo