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jan12

Ex-militares da Guerra das Malvinas: outrora quase assassino e vítima, hoje amigos

A BBC Brasil mostrou hoje uma impressionante reportagem sobre dois ex-militares, um britânico e o outro argentino, que outrora – na Guerra das Malvinas – quase assumiram os papéis respectivos de assassino e vítima e hoje são amigos. Vale a pena ler cada linha do texto – exceto a parte em que celebram sua amizade com um churrasco.

Essa reportagem é mais uma amostra do quão absurdo é o código militar, de matar pessoas não por qualquer sentimento negativo (o que não quer dizer, porém, que matar pessoas por sentimento negativo não seja absurdo), mas sim por ordens autoritárias, apenas porque cometeram os “crimes” de nascer em outro país e ser controlados por “superiores” cujos interesses envolvem, uni ou bilateralmente, o mais puro desprezo à vida humana.

Pessoas matam umas as outras nas guerras mesmo sem qualquer ódio uni ou bilateral. Mas sim apenas porque seguem ordens, na base da obediência cega coagida – quem se recusa a obedecer ordens como matar soldados adversários pode até ser assassinado pelas forças armadas do seu próprio país. Mas fora da coleira chamada uniforme militar e do controle remoto chamado quartel, quase assassino e quase vítima tornam-se amigos, revelam que nunca tiveram absolutamente nada um contra o outro, confessam, direta ou indiretamente, que eram “inimigos” apenas por causa da mão de ferro armada do corpo militar, que os obrigava a matar um ao outro sob pena de prisão ou até mesmo assassinato. Que a diferença de países era o que determinava arbitrariamente que apenas um deles teria um falso direito à vida – a qual poderia acabar a qualquer momento por causa de um ataque de “inimigos”.

Bom seria se mais reportagens como essa aparecessem na mídia, escancarando à humanidade o quão imoral é a existência de forças armadas.

imagrs

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