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jan12

Homofobia, machismo e elitismo: a Idade Média das brincadeiras futebolísticas (Parte 3)

Novamente o ato de tratar homossexualidade como piada fez a cabeça de muitos torcedores do Sport. Dessa vez no domingo passado, depois do jogo Sport 4 X 3 Náutico. Encontrei as imagens abaixo, cada uma comentada:

Ok, um beijo gay na torcida do Náutico. Um momento de um casal do mesmo sexo comemorar o gol do seu time. Me pergunto o que isso tem de mais para ser objeto de atenção pública ou gozação. Também me pergunto o que impede que tenha havido vários beijos entre casais homossexuais na torcida do Sport, e o que a torcida que faz troça da orientação sexual alheia acharia se descobrissem que houve manifestações de paixão homoafetiva entre os rubronegros.

Rosa, cor culturalmente feminina no Brasil, muitas vezes usada para ilustrar homossexualidade masculina (embora já haja o arco-íris como multicor homossexual). O “Ui” também é bastante ouvido em representações caricatas de gays na televisão e na internet. Sem falar na Barbie, brinquedo feminino muito visto como símbolo de feminilidade.

O comentário que faço é: primeiro, o que o hexacampeonato estadual do Náutico tem a ver com a cor rosa, com a boneca Barbie e com o trejeito do estereótipo gay? Segundo, o que leva tais torcedores e torcedoras do Sport a caçoar da mitológica (porque é falsa) feminilidade da torcida alvirrubra – aliás, usar feminilidade como meio de depreciar pessoas? Terceiro, não é com homofobia e machismo que o Sport vai se tornar hexacampeão e igualar a sequência do Náutico, mas sim na bola, com seis anos de grandes vitórias no Campeonato Pernambucano (o Sport acabará com o “luxo” do hexa no mínimo em 2017, isso se em nenhum ano fraquejar como no ano passado.)

O salto alto seria simbolizando suposta arrogância de jogadores do Náutico? Não! Novamente simboliza feminilidade e ilustra o estereótipo do homem gay afeminado – considerando também que a “chuteira” em questão é rosa e preta e o escudo alvirrubro está alvirrosa. Ou seja, de novo o ato de tratar homossexualidade e feminilidade como motivos de troça, piada, ridicularização.

***

Não sou torcedor do Náutico (sou rubronegro, como já falei em outros posts), mas não tolero que se use machismo e homofobia para brincar com o time dos outros. A verdade é que “brincadeiras” assim só são praticadas hoje porque machismo e homofobia não são crimes. É previsível que piadas machistas e homofóbicas contra o Náutico desaparecerão rapidamente quando (ou se) o PLC122/2006 em sua original for aprovado e sancionado (o que infelizmente não vai acontecer tão logo).

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