18

jan12

Tortura em nome da ciência (Parte 74)

O blog teoricamente estava de recesso, mas tecnicamente ele voltou ao normal, visto que desde três dias atrás venho postando todos os dias. Pois bem, o recesso acaba oficialmente dois dias mais cedo com mais um post da sequência Tortura em nome da ciência, que mostra periodicamente que muitos progressos da Medicina Experimental têm um custo altíssimo em forma de exploração e sofrimento de seres sencientes, e que isso deve ser combatido pela comunidade científica com o desenvolvimento de tecnologias bioexperimentais superiores e a subsequente substituição, ainda que gradual, da vivissecção.

Abaixo, as onze notícias que coletei que foram publicadas entre 1º de janeiro e hoje.

 

1. Torturando ratos com diabetes tipo 1 e esclerose múltipla ao mesmo tempo

Ratos foram condenados a contrair diabetes tipo 1 e esclerose múltipla, sofrendo lesões cerebrais com a segunda doença. A esclerose múltipla os faz sofrer também cegueira e paralisia física. Chama a atenção o trecho da notícia que diz: “Pesquisas sobre a cura têm sido difíceis, porque até agora os cientistas não tinham conseguido replicar estes sintomas cerebrais recorrentes em ratos de laboratório.”, por implicar fracassos na vivissecção que causaram sofrimento intenso a outras gerações de ratos.

 

2. Ratos com a vida condenada à brevidade porque vivissectores os fizeram contrair Mal de Parkinson

Um parágrafo fala por si só:

O fenómeno foi observado em animais, para o modelo da doença de Parkinson, e a disfunção mitocondrial poderia leva-los à morte em pouco mais de 30 dias, mas os compostos atrasaram o envelhecimento e prolongaram a vida dos roedores para 60 dias – o que é considerado qualitativamente positivo nesta espécie.

 

3. Ratos induzidos ao medo para teste de soma de antidepressivo e terapia

Vivissectores induziram ratos ao medo de determinado ruído, provavelmente torturando-os com choque elétrico mediante a reprodução do ruído. A intenção foi testar a combinação da fluoxetina/Prozac com terapia de conversação (não ficou claro no texto como a terapia foi adaptada aos animais).

 

4. Impondo sedentarismo em ratos e causando-lhes obesidade e pré-diabetes

Ratos foram obrigados a serem sedentários e contraíram, graças à vontade dos vivissectores, um quadro de obesidade e pré-diabetes. Isso para testar uma droga cujos efeitos são ditos semelhantes aos exercícios físicos à saúde humana.

 

5. Ratos induzidos à progeria (doença que causa envelhecimento e morte precoces)

Equipe de vivisseccionistas fizeram ratos sofrerem de progeria, o que os fez envelhecer rapidamente e morrer cedo. Tal doença normalmente faz ratos morrerem aos 28 dias de vida, e os ratos tratados com terapia de células-tronco morreram menos cedo, aos 66 dias, mas ainda muito cedo em comparação a ratos saudáveis.

 

6. Ratinhos nascem propensos ao diabetes porque suas mães foram mal alimentadas pelos vivisseccionistas

Ratas grávidas foram propositalmente mal alimentadas pelos vivissecctores, e isso fez com que seus filhotes nascessem muito propensos ao diabetes tipo 2 e diversas outras doenças. Estes, por toda a sua vida, não conseguiram acumular gordura saudavelmente no corpo.

 

7. Vacina oral contra hepatite B testada em camundongos

Em mais uma demonstração de que cada remédio que salva seres humanos tem um alto preço em exploração e sofrimento, uma vacina oral contra hepatite B foi testada em camundongos. A vacina teve efeitos positivos, porém é possível que em certa porcentagem dos animais ela não tenha funcionado e a hepatite os tenha matado.

 

8. Milhares de trutas torturadas com câncer

Se experimentos com dezenas de roedores já são antiéticos, o que pensar de um em que milhares de seres sencientes são torturados? Pois uma pesquisa, que diz “questionar os métodos científicos atuais”, vem explorando milhares de trutas-arco-íris, causando-lhes câncer pela exposição a doses muito altas de clorofila.

 

9. Pesquisa causa lesão cerebral em camundongos

A notícia não deixou óbvio, mas é possível concluir, ao lê-la, que os camundongos tiveram seus cérebros lesionados para o teste da proteína betacelulina, responsável pela regeneração de neurônios e células gliais.

 

10. Mais lesões cerebrais contra roedores

Para o teste do implante cerebral de microchips para a correção de danos cerebrais, cientistas causaram-lhes danos cerebrais, que até foram considerados “polêmicos” pela própria notícia. Os danos foram semelhantes aos causados pelo Mal de Parkinson em seres humanos, e foram causados até que os animais perdessem seus movimentos. Retirando-se os microchips (parte da tortura), os ratos perdiam todas as suas funções motoras.

 

11. Camundongos transgênicos nascem com mutação genética perigosa que causa contrações musculares involuntárias

Camundongos foram programados a nascer com mutação no gene RYR1, mutação essa que causa “uma hipertemia maligna, desordem fatal e hereditária da musculatura esquelética (responsável pelo movimento voluntário)”. Esses animais eram mais propensos a contrações involuntárias quando expostos a “altas temperaturas” – deduz-se que entre 30 e 40 graus Celsius, o que já foi suficiente para lhes causar insolação e as contrações. Isso foi para testar uma droga codinominada AICAR, que trata a insolação e detém as contrações.

imagrs

5 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Lilian

janeiro 18 2013 Responder

Faço o curso de Nutrição e hoje fiquei horrorizada com a experiência que foi realizada em um rato. O mesmo foi submetido a um experimento sobre hipotermia que o levou a morte. Foi uma das piores coisas que já vi na minha vida. E estou revolta, como o ser humano pode ser tão cruel. Não é preciso vc sacrificar um animal para dar uma aula sobre hipotermia e ainda mas para um curso de Nutrição, é o fim mesmo. Acho que tudo que passamos de ruim na vida é culpa de nós mesmos, colhemos o que plantamos…

Victor Maia

janeiro 20 2012 Responder

Os argumentos são contundentes, mas fica a questão prática: como avançar sem isso? Que métodos podem ser criados? Doenças podem deixar de ser curadas para respeitar os animais?

Acho que o caminho é utilizar animais em pesquisas e zerar, ou minimizar suas dores. É o que penso.

    Robson Fernando de Souza

    janeiro 20 2012 Responder

    Victor, o processo de luta contra a vivissecção é gradual. Mesmo se toda a comunidade científica concordasse hoje que explorar animais é antiético e deve ser evitado, ainda assim não daria pra abolir já a vivissecção. São necessários ainda vários anos, ou infelizmente décadas, de avanços tecnológicos, incluindo capacidade de processamento e armazenamento de dados, pra finalmente alcançarmos os sonhados métodos superiores de pesquisa bioexperimental.

    A vivissecção não pode ser derrubada a curto prazo, por mais que queiramos. Ainda teremos que ver cobaias sendo brutalmente torturadas e mortas, o que não implica porém que o conformismo e a espera passiva pelo desenvolvimento de substitutos sejam alternativas.

    O caminho ideal não é escravizar animais, mas sim substituí-los.

Alex Sandro

janeiro 18 2012 Responder

Acho que experimentos com animais são intrínsecos ao desenvolvimento da ciência. Sou vegetariano restrito, em respeito aos animais, mas não me digo vegan por apoiar esse tipo de conduta.
Os animais devem, sim, serem respeitados como seres vivos, e devemos sim dividir nosso mundo e cuidar deles. Mas se essas experiências vão ajudar ambos os lados, não vejo nenhum mal em realizá-las.
Digo ambos os lados por que também existem experiências com animais que são para fins veterinários.

    Robson Fernando de Souza

    janeiro 18 2012 Responder

    Alex, experimentos veterinários são exceção em comparação aos inúmeros experimentos voltados pro bem humano. Estes últimos definitivamente não ajudam os animais não humanos.

    Experimentos veterinários são polêmicos hoje, mas no futuro será possível fazê-los sem cobaias.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo