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Ateísmo ideológico e Direitos Animais

Obs.: Este artigo se encontra na categoria “Preconceito contra ateus”, mas não aborda o problema do preconceito, e sim um assunto pertinente ao ateísmo. Essa categoria de posts é onde atualmente categorizo tudo que fale de ateísmo, mas tem como prioridade abordar a ateofobia.

 

Introdução

Encontrar pontos de convergência entre os Direitos Animais e o ateísmo é um desafio. Porque, se se considerar o ateísmo puramente como a descrença em deuses, não há nada que ligue essa mera descrença ao ideal da libertação animal. E há uma enorme diversidade de pensamentos, ideologias e convicções entre os ateus, não havendo nenhum “mandamento ateísta” que exija ou recomende o respeito aos animais não humanos.

Porém, há uma vertente ateísta, em franco crescimento hoje em dia, que, não implicando apenas o não crer em divindades, converge todo um ideário que, no final das contas, acaba tendo sim uma ligação relevante com os DA. Essa corrente é que será abordada neste artigo.

 

Ateísmo e diversidade de pensamentos

O ateísmo, desde sempre, é marcado por uma enorme diversidade de pensamentos, de ideologias, de hábitos, de identidades culturais, até mesmo de crenças espirituais. No que tange ao pensamento, há ateus otimistas, há os pessimistas, há os realistas, há os que alternam seu astral com frequência. Há aqueles que acreditam fielmente no amor, há os que não acreditam mais, há os céticos que só acreditarão no amor de namorad@ quando começarem a senti-lo… Há os que adoram dinheiro e bens materiais, há os que preferem a simplicidade, há os que só querem dinheiro com moderação…

Nas ideologias, há ateus de esquerda, de direita, de centro, de extrema-esquerda etc. Há ateus socialistas, liberais, conservadores ao molde americano, libertários de direita, libertários de esquerda, anarquistas, anarcocapitalistas, simpatizantes de regimes autoritários, e assim por diante. Tem os ateus pró-laicismo, tem aqueles que sonham em ver o Brasil se tornar um Estado confessional ateísta, tem os que são em cima do muro. Tem os que querem que a liberdade religiosa continue como está, tem os que querem a religião ser proibida por lei, tem os que desejam muito que a religião seja regulamentada por lei – ainda que isso demande uma nova assembleia constituinte no caso do Brasil…

Na Filosofia, há ateu de tudo quanto é tipo: materialista-marxiano, idealista-hegeliano, kantista, platonista, epicurista, maniqueísta, niilista, cientificista, metafísico, positivista, existencialista… Há aqueles também que acham a Filosofia uma perda de tempo.

Também mesmo em termos de espiritualidade, há uma enorme diversidade de crenças entre ateus. Há aqueles bem materialistas, que não acreditam em nada que não seja detectável pelo método científico, não creem em nada sobrenatural ou transcendente. Há também, por outro lado, os ateus que creem no sobrenatural – por exemplo, em espíritos, em reencarnação espiritual de humanos a humanos, em hierarquia de evolução espiritual, em fantasmas, nas chamadas “ciências alternativas” etc.

Há aqueles que creem que morreu, acabou; há os que acreditam em reencarnação, uns de uma forma, outros de outra. Há os que se inspiram em religiões como o budismo e o taoísmo para delinear sua filosofia de vida, e há os que se baseiam puramente em valores irreligiosos. E assim por diante.

E, dentre os ateus, vem se destacando uma divisão cada vez mais conhecida hoje em dia: os chamados neoateus, que defendem que as religiões sejam erradicadas das sociedades modernas por tudo que suas vertentes fundamentalistas e cleros fizeram ao longo da História humana. Defendem que isso seja feito não com violência, leis draconianas ou outros atos impositivos, mas com pesados investimentos em educação laica; em divulgação do pensamento ateísta, da Ciência e da Razão; na multiplicação de debates – que muitos neoateus infelizmente tratam como batalhas argumentativas perde-ganha ao invés de como processos dialéticos de aprendizagem mútua – entre ateus e religiosos; no incentivo à cultura secular; entre outras providências.

E outra diferença muito notável entre os ateus é a própria divisão sua entre ateus veg(etari)anos que zelam pelos Direitos Animais e ateus onívoros/carnistas que fazem pouco caso do tema – além de existirem vegetarianos que não ligam muito para os DA e onívoros interessados na questão. Há inclusive aqueles ateus que divulgam o veg(etari)anismo e os DA e também aqueles que, fazendo a contraparte conservadora, defendem a continuidade do livre consumo de alimentos de origem animal e tentam argumentar por que o veg(etari)anismo pelo animais não faria sentido.

 

O ateísmo ideológico

Além dos neoateus, a outra grande categoria ateísta que chama a atenção, dessa vez com menos reações discordantes e mais aceitação entre o universo ateísta, é uma que combina e unifica diversas correntes de pensamento: o ateísmo em si, o humanismo secular, o ceticismo científico, a filia à Ciência e à Razão e a defesa do Estado Laico – chamada neste texto de ateísmo ideológico. A combinação é tão forte que alguns teóricos [1] hoje dão, pautados nela, uma definição ao ateísmo bem mais ampla do que a de simples ausência de crença em divindades.

De fato conseguem criar algo próximo a uma definição paralela de ateísmo, ou pelo menos uma categoria muito forte, que consiste:

a) na descrença em deuses, envolvida em ricas razões e contextos;
b) no humanismo secular, pautado em causas como a defesa dos Direitos Humanos, das liberdades individuais e da cultura de paz – alguns o estendem ao antimilitarismo;
c) no respeito devotado à Ciência e à Razão como fundamentos do intelecto humano;
d) no ceticismo científico, oposto a crenças mitológicas, superstições e pseudociências;
e) na defesa do Estado Laico, garantidor da liberdade de crer e não crer no que quiser em termos de religião e não ser molestado pelas religiões por isso e dos direitos de minorias direta ou indiretamente prejudicadas por lobbies religiosos.

E de fato, pelo que se pode aferir quali-quantitativamente nas aglomerações de redes sociais e fóruns de internet, essa é a parcela de ateus que mais vem crescendo entre todas as ideologicamente diversas categorias ateístas. Em números e em notoriedade intelectual. Vem crescendo bastante o número de blogs e associações que, tendo muitos membros ateus, prezam pelo humanismo secular, pela divulgação da Ciência e do pensamento racionalista e pela militância pró-laicidade.

É essa categoria que tem mais a ver com os ideais abolicionistas, ainda que os Direitos Animais não sejam parte integrante dessa nova “definição estendida” de ateísmo. Para apontar as conexões entre essa categoria de ateísmo e o DA, este artigo foi escrito.

 

Ateísmo ideológico e Direitos Animais

Nunca foi nem nunca será prerrequisito ser vegetariano para ser um ateu dessa categoria. Mas é difícil negar que há conexões entre os diversos aspectos do ateísmo ideológico e os Direitos Animais – e que, no final das contas, torna-se questão de coerência um ateu dessa categoria se tornar veg(etari)ano e simpatizante ou defensor da causa abolicionista animal.

Cada aspecto citado do ateísmo ideológico tem algo que combine com a ética animal:

a) Descrença em deuses (e em códigos morais absolutistas)

A inexistência de deuses e a irreligião implicam que não existe uma ética/moral absoluta e de origem divina regendo a conduta dos seres humanos. Nisso os ateus se deixam reger por uma ética exclusivamente secular, que muda ao longo dos tempos – e são suscetíveis a analisar, aprovar e assim aceitar as mudanças progressistas nessa ética.

Essa ética secular, que Richard Dawkins chama de zeitgeist moral, vive em permanente mudança, há milênios, e continuará se transformando até a extinção da humanidade. Antigamente legalizava a opressão oficializada de minorias (mulheres, estrangeiros, pessoas de outras religiões etc.), inclusive permitindo a escravidão de seres humanos. Pouco a pouco foi (e vem) derrubando uma a uma as regras morais permissivas à opressão, com implantação da democracia, abolição de leis racistas, conquista de direitos pelas mulheres, mundialização dos Direitos Humanos, aceitação jurídica integral da homoafetividade, regulação legal das relações entre o ser humano e a Natureza a que ele pertence…

E o próximo passo desse progresso ético tende a ser o reconhecimento cada vez mais abrangente e consistente dos animais não humanos como sujeitos de direito, na sua condição de pacientes morais suscetíveis às consequências das ações dos humanos agentes morais. Negar esse avanço e crer que os animais não humanos não podem, ou não devem, ser eticamente respeitados é subestimar a mutabilidade do zeitgeist moral secular, ou mesmo duvidar dela.

Portanto, a descrença em deuses e, por tabela, em códigos morais absolutos facilita bastante o entendimento de que a incorporação dos Direitos Animais ao paradigma ético vigente é parte da incontível evolução do nosso sistema ético-moral [2].

b) Humanismo secular

Este, pelo visto, ainda é limitado à espécie humana, e poderá ser sucedido aos poucos por um supra-humanismo que inclua tanto os animais humanos como os não humanos como sujeitos morais. Mas mesmo hoje ele já possui semelhanças muito fortes e numerosas com o ideal do abolicionismo animal: a oposição a opressões seja quais forem; o estabelecimento de uma cultura de paz e respeito aos vulneráveis; a rejeição do “direito” dos mais fortes de dominarem os mais fracos e lhes imporem suas vontades; a oposição a atos desnecessários de violência; a reivindicação de direitos integrais a categorias oprimidas; a preocupação com a sobrevivência futura e harmonia da humanidade – considerando-se que a pecuária está ajudando a comprometer o futuro da espécie humana, através do seu enorme impacto ambiental –; entre outros aspectos.

Analisando-se bem a proposta dos DA, é possível concluir que, considerando-se a exploração animal algo que atenta, ainda que indiretamente, contra os pilares do próprio humanismo, o veganismo e a adesão à luta pela abolição desse sistema de escravidão acabam sendo praticamente um imperativo ético aos humanistas seculares, sob pena de estarem sendo incoerentes e contradizendo seu próprio ideário.

Afinal, se os animais não humanos são tão ou mais oprimidos do que os seres humanos pelos quais o humanismo tanto zela, por que não se preocupar com eles também? Por que continuar consentidamente participando, por via do consumo, de um sistema que oprime seres que deveriam ter direitos, quando se é humanista e desejador do fim de todo e qualquer paradigma que negue direitos a quem os merece?

c) Filia à Razão e à Ciência

Os Direitos Animais possuem bases racionais e científicas cada vez mais fortes. Seja no que tange os estudos sobre senciência, consciência e comportamento animal, seja nas sólidas bases fincadas na Filosofia da Ética, seja na factualidade das denúncias contra as atividades de exploração animal, seja nos estudos dos impactos ambientais da pecuária e da pesca, os DA possuem uma forte, e cada vez mais difícil de negar, estrutura racional e científica.

As recorrências a apelos sentimentais orais ou gráficos são apenas uma faceta periférica da militância animalista. Há em contrapartida essa robusta fundamentação filosófica e científica, e o pelotão de filósofos e cientistas abolicionistas só vem aumentando ao redor do mundo e fortalecendo essa base intelectual do vegano-abolicionismo.

Por outro lado, o especismo e o carnismo vêm sendo dissecados por esse movimento e denunciados como carentes de bases racionais fiáveis. E é possível perceber na internet que a maioria dos formadores de opinião que ainda estão do lado antropocêntrico não vem conseguindo sustentar seus argumentos ou mesmo simplesmente argumentar sem que recorram a ideias contraditórias, ofensividade de linguagem, manifestação de paixões deletérias – como o prazer viciado do paladar em torno das carnes – e/ou evidências científicas questionáveis e precárias, contrariando tanto a Razão como a Ciência.

Em suma, a racionalidade e cientificidade, que marcam o ateísmo ideológico, estão cada vez mais a serviço dos Direitos Animais, tanto respaldando-o como desmontando os argumentos do lado oposto – carnismo e especismo.

d) Ceticismo científico

Ainda é pouco comum na internet brasileira que ateus declaradamente céticos se invistam em desconstruir os argumentos e preconceitos do carnismo e do especismo, tal como se faz muito com técnicas pseudocientíficas como a homeopatia e a clarividência, com crenças religiosas e com lendas de internet. Mas há um enorme potencial para que o ceticismo científico se alie permanentemente com os Direitos Animais, no que se refere a questionar e desmontar as crenças antropocêntricas.

Tal como pseudociências, o carnismo e o especismo são, como é possível verificar em análise crítica rigorosa das suas justificativas, sustentados por teorias científicas ultrapassadas, falácias lógicas e preconceitos contra vegetarianos e veganos. São um prato cheio para trabalhos de ceticismo, em especial no que tange a aposentar argumentos como “O ser humano precisa de carne” ou “A ‘lei da sobrevivência’ nos obriga a criar e matar animais para proveitos nossos” e apontar falácias [3].

Está ficando cada vez mais difícil ser ao mesmo tempo verdadeiramente cético e carnista militante sem ser fortemente questionado, visto que tal posição é muito contraditória e, conforme se flagra hoje em dia, compromete seriamente essa qualidade de cético.

 

Considerações finais

Ainda é possível ser ateu e especista ao mesmo tempo, mas o ateísmo ideológico, pautado em valores como o humanismo secular, a racionalidade militante e o ceticismo científico, tem conexões e semelhanças muito fortes com os Direitos Animais. Tanto que se torna complicado não ver contradições no pensamento de alguém que é ateu, humanista-secular, cético, racionalista e pró-científico mas segue pensamentos baseados em preconceitos, teorias científicas vencidas, paixões (como o prazer do paladar) e até falácias lógicas.

Dado esse grande potencial de aliança entre os DA e o ateísmo ideológico, já selada por muitos ateus veg(etari)anos, é possível afirmar que há tantas ou mais razões para ateus dessa categoria se tornarem simpatizantes ou defensores dos DA quanto/que para hindus e jainistas serem vegetarianos. Não há obrigação coercitiva nem mandamento divino que determine que ateus ideológicos devam se tornar vegetarianos e considerar os animais não humanos sujeitos morais plenos, mas há sim o respeito coerente ao complexo ideológico que esse tipo de ateísmo traz consigo.

Afinal, não convém a um humanista secular apoiar ou consentir com um sistema que oprime seres vulneráveis e nega direitos a quem os merece. Idem a um cético usar falácias e teorias científicas ultrapassadas. A um racionalista e amigo da Ciência defender algo deletério na base da paixão, da reação adversa visceral e de dados cientificamente duvidosos. A alguém que não acredita em deuses e em suas morais absolutas defender que a Ética não mude a ponto de incluir os animais não humanos como sujeitos morais.

Ser “vegano porque ateu ideológico” não é exatamente como ser vegetariano porque hindu. Não é uma ordem divina. Ou uma regra cuja violação acarreta punição. Mas é uma recomendação da Razão e também da consciência ética. É uma correção das qualidades de humanista secular, cético, racionalista, amigo da Ciência, reconhecedor da mutabilidade da ética humana, negador de morais petrificadas. Enfim, de ateu ideológico.

 

Notas:

[1] Åsa Heuser [http://bulevoador.com.br/2010/06/13581/] e Camilo Gomes Jr. [http://bulevoador.com.br/2011/07/24623/] são dois exemplos de ateus que defendem que o ateísmo transcende a simples não crença em deuses e inclui o humanismo secular e o ceticismo científico.

[2] É perceptível que alguns carnistas questionam os Direitos Animais como se sua eventual sanção fosse a imposição de uma moral absolutista. Porém, nenhum teórico de Direitos Animais consideram os DA como o limite ou auge da evolução ética das sociedades modernas. Encaram-nos sim como apenas mais um passo importante na eterna mutação do zeitgeist moral, que será sucedido por outros avanços futuros (como, prevejo eu, a legalização da poligamia e do nudismo casual).

[3] Há inúmeros tipos de falácias lógicas, que podem ser contados às dezenas, na argumentação carnista-especista. A saber: falácias do espantalho, falácias naturalistas, ad hominem, falsas dicotomias, falsas analogias, apelos à autoridade anônima, non sequitur, reductio ad absurdum, apelos ao ridículo, declives escorregadios, distorções de fatos, tu quoque, apelos à autoridade, generalizações apressadas, apelos à tradição, apelos à multidão etc.

Resposta dada ao artigo: “Do humanismo ao veganismo: non sequitur”
Réplica minha: “Reiterando as relações entre o ateísmo ideológico e os Direitos Animais”

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13 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Leandro

agosto 20 2012 Responder

Olá,já faz algum tempo que este tema foi postado,mas passei aqui só para dizer que,sua perspectiva e atitudes a caráter do Vegetarianismo e do Ateísmo,são no mínimo memoraveis!
Adorei à iniciativa e também a coragem de expor com tamanha clareza,assuntos ainda tão descompreendidos e carentes de divulgação e aprofundamento.
Eu por exemplo,sou Ateu e Vegetariano.Mas à princípio não sou um pelo outro,na verdade estes foram atribuidos separadamente.Porém hoje,percebo como estes se complementam e se elevam de uma maneira quase que dogmática.
Parabéns mais uma vez!
Abraços!

    Robson Fernando de Souza

    agosto 21 2012 Responder

    hehehehe Obrigado Leandro =) Abração

Luis Martins

fevereiro 24 2012 Responder

O ateísmo tem tudo a ver com a defesa dos direitos animais, sejam esses animais humanos ou não-humanos. O ser humano raciocina, logo entende que não deve fazer aos outros aquilo que não deseja que lhe façam a si mesmo. É um principio ético que toda a gente conhece e entende. A empatia, ou se quiserem, a bondade, é um conceito ético, racional, humano, não divino. Claro que a religião e os crentes, tentam fazer crer que essa condição está ligada ao divino. Que é preciso acreditar em algo superior ao Homem, a alguma filosofia teológica para se ser bom. E isso é completamente falso.

    lucabi brasil

    agosto 17 2012 Responder

    Gostei do comentário , se possível visite o blog http://gog.dihitt.com.br, talvez ache interessante o assunto, ao final o ateísmo passa a ação!

Rafael

fevereiro 22 2012 Responder

Concordo que um tratamento mais “humano”, que implique menos sofrimento aos animais de abate e de pesquisa, seja inevitável. Mas não consigo enxergar uma mudança tão grande no zeitgeist que nos leve da negação do sofrimento animal ao respeito de igualdade pela vida animal.

Mais que isso, considero que essa questão é absolutamente inócua para a decisão individual de consumir ou não carne. O zeitgeist atual aceita o consumo de carne. A suposição de que uma mudança futura irá abolir esse consumo não serve de incentivo para a mudança ocorrer.

Não vejo no humanismo ou no ateísmo motivação para deixar de comer carne. Mesmo reconhecendo que eu poderia ter uma dieta saudável sem carne, estou contente com a minha dieta atual. Afinal, esse consumo não vem da necessidade, mas porque eu me enraizei em uma cultura de consumo e não vejo motivos para abandoná-la.

Acho legal que haja pessoas apontando a existência de empresas que matam animais de forma “desumana”. Também acho importante que haja pessoas apontando os perigos do consumo excessivo. Concordo que o pastoreio seja um perigoso contribuidor para o aquecimento global e para o desmatamento. Acho interessante que se reduza o consumo de carne. Mas, até aí, também acho interessante que se reduza o consumo de plástico, de água e de eletricidade. Ninguém está falando em abolir o consumo de plástico, água ou eletricidade.

    Robson Fernando de Souza

    fevereiro 22 2012 Responder

    Rafael, lhe sugiro que pesquise sobre Direitos Animais. Isso vai mostrar que o problema vai muito além do simples “bem-estar” animal.

    Sugestão: http://www.pensataanimal.net/

    Abs

Eliana Angel Fontes Silva

fevereiro 19 2012 Responder

Sempre achei incoerente um ateu agir de forma apaixonada quando defendia o consumo de animais para alimentação.Com este texto tomei conhecimento dos diferentes tipos de ateus e que a evolução do ateísmo será para o ateismo ideológico!

Ruth Iara

fevereiro 19 2012 Responder

Gostaria de deixar claro que a questão da compaixão faz parte de todo ser humano que é bondoso independente de sua religião, não religião ou mesmo ateísmo. A pessoa bondosa não age de uma forma ou de outra porque tem alguém espiando o que ela está fazendo e sim porque algo dentro de si a impulsiona.

É certo que existem ateus e religiosos com característica muito diversas uma das outras e alguns religiosos como alguns protestantes são vegetarianos. Hare Krisna não são veganos, mas são vegetarianos. O vegetarianismo não só deve abarcar grupos ligados a grupos organizados e unidos entre ateus como também indivíduos de vários grupos e crenças, embora na origem destas culturas não seja cultuado o vegetarianismo e haja ali permissão do grupo para se comer carne.

Preciso salientar, também que se estamos num grupo e concordamos item por ítem com as crenças deste grupo podemos ser fanáticos. Há sempre alguns dogmas de uma doutrina com a qual não concordo. Não concordo, portanto, item por item com nenhuma doutrina.

Também defendo, Robson que se quiseres experimentar a Cabala por exemplo, se for tua vontade pode experimentar dizendo que és ateu e se um mestre não concordar com isso pode procurar outro mestre que concorde. Certamente todos os que estão no grupo encontram alguma crença dentro de um conjunto de crenças com a qual não concordam e assim alguns judeus, por exemplo acreditam e re-encarnação e outros não.

Não faço parte da chamada “não crença” atéia, mas, você sabe, sou vegetariana, acho que os veganos têm mais razão do que eu em seres veganos e estou contigo em tudo que possa melhorar este mundo véio sem fronteiras.
Ah, pode ser atéu sim, tudo bem.

Não sabia que existia ateus que crêem em fantasmas e em re-encarnação. Que curioso isso. Como é diverso o ser humano !

Mile Cantuária

fevereiro 19 2012 Responder

É legal ver o vegetarianismo como uma consequência lógica ao ateísmo ideológico, é uma visão nova pra mim, pois eu segui o caminho inverso, primeiro virei vegetariana e depois ateia. O vegetarianismo me fez começar primeiro a questionar o cristianismo (fui educada em uma família cristã) e a sua incoerência de amor ao próximo excluindo os animais desse amor, afinal pra mim “não matarás” deveria ser extendido para “não matarás animais humanos ou não”, “amai ao próximo como a si mesmo” deveria incluir também “amai humanos e não-humanos igualmente” e tantos outros exemplos… Depois do primeiro passo que foi me libertar do cristianismo que eu aprendi desde criança, todos os outros questionamentos fluiram mais facilmente. Hoje em dia sou ateia e meu vegetarianismo nunca teve tantos motivos para existir quanto antes, pois não consigo ver diferenças entre os nossos direitos à liberdade e à vida e os dos outros animais, não tenho motivos “divinos” que justifiquem porque uma espécie é melhor do que a outra. Somos seres racionais e não precisamos de carne em nossa alimentação, então qual o sentido de se alimentar do sofrimento de outros animais? Adorei o texto, adorei o blog, fiquei muito feliz em saber que não sou a única que associa veg(etari)anismo e ateísmo em suas ideologias.

    Robson Fernando de Souza

    fevereiro 19 2012 Responder

    Obrigado, Mile =) Fico feliz que você também veja essas semelhanças entre o ateísmo ideológico e os Direitos Animais.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo