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fev12

Leitor da Folha de S. Paulo acha que vivissecção continuará forte em 2101

Não é algo tão relevante quanto as experiências que torturam animais todos os dias ao redor do mundo, mas é uma pequena amostra de como as pessoas, do alto do senso comum, acham que não há nada de mais em fazer isso. Um/a leitor/a da Folha de S. Paulo enviou uma “notícia” que, de acordo com  a proposta do jornal de imaginar a capa dos sonhos dos brasileiros (ou simplesmente dos paulistas) que seria idealmente publicada em 19 de fevereiro de 2101 (90+90 anos da Folha de S. Paulo). E essa tal “notícia do futuro” se trata dessa manchete:

Ciência

Chip para aumentar a capacidade cerebral é testado em animais com sucesso; próxima fase: humanos

Um futuro distante, mas aprisionado à mentalidade de um passado ainda mais longínquo. Um começo de século 22 com a mentalidade especista dos séculos 20 e 19 (ou mesmo do século 17, quando Descartes falou ao mundo que animais não humanos eram nada mais que autômatos estúpidos). Para esse leitor/a anônim@, como não haveria nada de errado ou mesmo falho em explorar animais para fins científicos, ela poderá continuar ad aeternum, e a comunidade científica não precisa pensar em substituí-la a longo prazo.

Imagino que não passou pela imaginação do leitor o aprisionamento a que esses animais seriam submetidos por toda a vida; a ação de imobilizá-los, extremamente tensos, em mesas de cirurgia antes de anestesiá-los; os eventuais erros na operação de implantação do dispositivo; os pesados efeitos colaterais das etapas alfa e beta da experiência, em que o chip poderia (ou não) causar sérios problemas neurológicos, até mesmo a morte dolorosa das cobaias; a possível dor constante que os animais sentissem depois que o chip tivesse sido implantado; entre outros problemas. Sem falar na alta probabilidade de fracasso da fase humana do experimento.

Os abolicionistas concordam integralmente que o futuro da ciência é um futuro sem exploração animal, e com um método superior à vivissecção a dirigir as pesquisas de medicamentos, implantes cerebrais, próteses mecanizadas, testes de comportamento, entre tantos outros temas pertinentes à Biologia Experimental. Mas, pelo visto, isso não passa pela cabeça de outras pessoas – até porque muitas vezes são manipuladas (aqui também). Para estas, a ciência que existirá em 2101 será tão “normalmente” escravocrata quanto a ciência de 1900.

Isso reforça aos abolicionistas a demanda popular por educação pró-Direitos Animais, destacando-se a conscientização sobre por que a ciência deve mudar de modo a passar a respeitar integralmente os interesses próprios dos animais não humanos e não tratá-los como propriedade.

imagrs

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