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mar12

Propaganda do Ministério da Saúde explora elefante

Extraído da ANDA

Um comercial de 30 segundos do Ministério da Saúde, produzido pela agência de publicidade Propeg, usou um elefante nas filmagens, mostrando tanto que o Governo Federal não está nem aí para os animais como que o respeito à ética na publicidade ainda é um sonho distante. A propaganda em questão tenta conscientizar aqueles que brincaram o Carnaval para que façam o teste de Aids caso tenham tido relações sexuais sem camisinha durante a folia.

Provavelmente “obtido” por empréstimo de algum circo, o animal aparece em duas cenas distintas. A primeira cena em que o elefante aparece é quando o protagonista pergunta: “Fala aí elefante! Você que tem a memória melhor do que a minha, usei ou não usei camisinha?”. Logo em seguida, a segunda cena mostra o elefante sendo montado pelo protagonista e levando-o a uma Unidade Básica de Saúde federal.

É pouco provável que o elefante tenha sido gerado por computação gráfica (CGI), visto que isso iria provavelmente aumentar muito o custo do comercial e não aparece qualquer mensagem sobre ele ter sido eventualmente criado por CGI. Sendo real, fica evidente que o animal sabe conduzir pessoas nas suas costas e interagir razoavelmente com pessoas. Assim sendo, há a forte suspeita de que ele tenha sido pego emprestado de algum circo, que evidentemente o havia explorado fortemente ao longo de sua vida.

A exploração de animais em circos vem sendo um debate forte atualmente no Brasil, e vários Estados e municípios já a proibiram. Ter autorizado uma propaganda que usa um elefante provavelmente proveniente de circo mostra que o atual governo federal, que autorizou tal propaganda, se alheia a essa discussão e não reconhece a causa animal como algo digno de uma política pública e um enrijecimento legal.

Tenta-se educar as pessoas a cuidarem de sua saúde, mas tal educação vem acompanhada de um esforço de alienação – o ato de naturalizar a exploração animal e também, indiretamente, a captura de animais silvestres na Natureza, visto que o elefante, além de ser originário de ecossistemas distantes do Brasil, não é um animal doméstico. Também é possível ver que, considerando-se a possibilidade desse animal ter sido “obtido” emprestado de um circo, a agência de publicidade e o governo negligenciam todas as violências existentes no aprisionamento e “treinamento” de animais não humanos para números circenses.

O comercial perde sua legitimidade enquanto mensagem educativa quando deseduca as pessoas em torno da causa animal, passando a equivocada mensagem de que é “tudo bem” explorar animais nos circos e na publicidade.

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