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mar12

Tortura em nome da ciência (Parte 75)

Depois de algum tempo de ausência, está de volta a sequência de posts Tortura em nome da ciência. Dessa vez pretendo postar um post da sequência no final de cada mês, cada post com 15 resumos de notícias que mostram como as primitivas ciências biológicas experimentais atuais não conseguem se desvencilhar da dependência de métodos bastante exploradores e antiéticos de pesquisa.

Cada notícia adiante é um convite à reflexão, para que nos perguntemos o que é melhor a se fazer: “agradecer” a quem tortura e mata animais em nome da ciência, conformar-se em ser refém de uma ciência fundamentalmente baseada na ausência de ética nas relações unilaterais de seres humanos para animais não humanos ou fazer o possível para pressionar a comunidade científica para que a aposentadoria da vivissecção aconteça num futuro menos distante possível, precedida do desenvolvimento de modelos de pesquisa superiores e realmente éticos.

E para engrossar, como Yuri Grecco revela, todos os animais explorados nas experiências abaixo são mortos ao final de cada pesquisa.

1. Camundongos transgênicos com Mal de Alzheimer e diabetes tipo 2

Camundongos foram condenados a nascer e viver com diabetes tipo 2 e Mal de Alzheimer, visto que foram geneticamente programados para viver “sem a capacidade de ativar as vias da insulina”. O propósito foi testar os efeitos da droga exenatida, usada para controlar a glicemia sanguínea em diabéticos, na evolução da doença de Alzheimer.

A pesquisa é inconclusiva, visto que a notícia afirma:

Os resultados do estudo abrem portas para um novo tratamento, mas ainda é preciso mais pesquisas para entender sua ação em pacientes com Alzheimer. Apesar de ter sido aprovado para diabéticos, o uso da exenatida deve ser avaliado em pessoas com resistência à insulina apenas no neurônio, evitando efeitos colaterais do excesso de atividade desse hormônio em células como as do músculo ou do fígado.

 

2. Transplante forçado de coração diminui tempo de vida e causa sofrimento em camundongos

Um experimento forçou o transplante de coração em camundongos – e a intenção não era livrá-los de qualquer doença cardíaca -, transplante esse que causou rejeição e diminuiu o tempo de vida dos animais. O sofrimento de alguns dos animais foi diminuído com a introdução de música clássica, que aliviou a rejeição imunológica ao órgão transplantado e prolongou um pouco a sobrevida deles. Mas houve grupos que ora não ouviram nenhuma música (grupo controle), ora ouviram música new age, ora sons não musicais, grupos esses que, não experimentando qualquer alívio, sofreram integralmente com a rejeição fisiológica do coração.

 

3. Camudongo condenado a comer sem parar, sem saciedade

Vivisseccionistas “fizeram” um camundongo transgênico desprovido do gene “Bdnf”, e acabaram descobrindo que esse é o gene que regula a transmissão neural da saciedade (quando o corpo está suficientemente alimentado e a vontade de comer é interrompida até o próximo momento de fome). Como consequência, o camundongo comia sem parar, sofrendo uma fome insaciável que presumivelmente o fez contrair obesidade em pouco tempo.

 

4. Camundongos-fêmeas grávidas expostas à radiação eletromagnética de celular dão à luz filhotes hiperativos

Camundongos-fêmeas grávidas receberam um bombardeio de radiação eletromagnética proveniente de um celular ligado em chamada (que não tinha voz). E o resultado foi que seus filhotes nasceram com alterações cerebrais causadoras de Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade – e também com os problemas comportamentais consequentes.

Chama a atenção o trecho final da notícia:

De qualquer forma, afirma ele, a limitação da exposição do feto parece ser algo a ser necessariamente feito.

Nesses casos, a transposição dos resultados para os seres humanos deve se basear em pesquisas com animais, uma vez que nenhuma comissão de ética aprovaria pesquisas com mulheres grávidas que possam, ainda que eventualmente, resultar em danos aos seus filhos.

O que quer dizer que a “ética” dessas comissões não permite que sejam causados danos a bebês humanos, mas é totalmente permissiva à danificação do organismo de camundongos filhotes.

 

5. Ataque cardíaco contra camundongos

A aditivação da proteína Quinase de Adesão Focal diminuou em 50% os danos causados por ataques cardíacos em camundongos. Mas, para que isso acontecesse, foi preciso causar os ataques cardíacos nos animais.

 

6. Ratos de neurônios controlados são torturados com choques elétricos em gaiolas

Ratos transgênicos nasceram com neurônios que, segundo a notícia, “pudessem ser ativados, controlados e monitorados”. A notícia prossegue:

Os bichinhos, então, foram condicionados a ter medo de uma gaiola específica: cada vez que eles entravam nela, levavam choques. E, quando os ratos estavam em outra gaiola, eles recebiam um químico que ativava a mesma parte que estimulava o medo nos animais, como se eles realmente estivessem assustados.

Os ratos, então, passaram a se comportar como se tivessem formado uma memória misturada da gaiola que dava choques e da outra gaiola, agindo de forma assustada nas duas. Isso significa que a lembrança do medo foi transferida sinteticamente para a outra gaiola, que não dava choques, misturando as duas experiências. Para eles, apenas uma gaiola passou a existir.

Chama a atenção este trecho, próximo do fim do texto: “Parece macabro? Talvez para os bichinhos […]”.

 

7. Diversos tipos de câncer contra diversos grupos de ratos

Um medicamento que inibe a proteína CD47, presente em células cancerígenas, conseguiu diminuiu ou destruir diversos tipos de câncer (ovário, cólon, cérebro, fígado e bexiga). Mas, para isso acontecer, foi necessário causar essa doença em vários grupos diferentes de ratos.

 

8. Camundongos contraem doenças inflamatórias porque gaiola e comida eram excessivamente limpos

Camundongos aprisionados em gaiolas superlimpas (esterilizadas) desde nascença acabaram, por conta da superlimpeza de sua prisão, sofrendo doenças inflamatórias. Segundo a notícia, “os camundongos sem micróbios tiveram índices mais altos de inflamação dos pulmões e do colón, semelhantes à asma e à colite”.

 

9. Camundongos infectados com gripe suína

Experimento infectou camundongos com o vírus da gripe suína, metade deles transgenicamente “programados” para nascer e viver sem o gene produtor da proteína IFITM3. Segundo os vivisseccionistas autores da experiência, “camundongos que não têm a IFITM3 apresentam pneumonia viral fulminante quando inoculados com um vírus da gripe normalmente benigno, espelhando a destruição infligida pelo vírus da gripe espanhola de 1918”.

 

10. Câncer de pele contra ratos

Para o teste de uma imunoterapia baseada em “uma combinação genética do [DNA] humano a partir de células do melanoma e um primo do vírus da raiva”, ratos foram infectados com câncer de pele. 60% dos ratos acabaram curados, o que quer dizer, por outro lado, que os 40% restantes sofreram integralmente com a doença até serem sacrificados.

 

11. Mais Alzheimer contra roedores

A droga epotilona, usada em tratamentos contra câncer, melhorou a memória de ratos portadores de Mal de Alzheimer. Isso só foi possível porque esses animais já nasceram geneticamente propensos à doença.

Chama a atenção também o fato de que “mais pesquisas precisam ser feitas para verificar se um tratamento mais longo seria nocivo” – ou seja, mais animais serão explorados, provavelmente sendo submetidos a sofrimento intenso por causa dos possíveis efeitos colaterais de tratamentos mais longos. E, no final da notícia, uma ressalva que os defensores dos Direitos Animais já conhecem: “especialistas alertam que os modelos em ratos nem sempre são traduzidos com sucesso nos testes com pessoas”.

 

12. Camundongos alcoolizados por vivisseccionistas sofrem danos cerebrais

Nessa notícia, o parágrafo final fala por si só:

As imagens de ressonância magnética obtidas no estudo norte-americano mostram que os camundongos submetidos ao consumo diário de uma solução com 20% de álcool durante seis meses sofreram atrofia do cérebro, de modo geral, e um encolhimento específico do córtex cerebral naqueles indivíduos com falta de receptor de dopamina D2.

 

13. Vivisseccionista portuguesa ganha prêmio do Parlamento Britânico

Uma vivisseccionista portuguesa ganhou do Parlamento Britânico o “certificado de prata” do prêmio anual “Science, Engineering and Technology”. Seu feito foi fazer uma experiência que explorou ratos e coelhos causando-lhes ataques cardíacos. A premiação observou a possível importância de sua experiência para seres humanos, e ignorou por completo a exploração e sofrimento causados contra as cobaias.

 

14. Camundongo recebe sistema imunológico humano: cientistas prontos para explorar mais animais

Vivisseccionistas conseguiram “produzir” camundongos dotados do sistema imunológico humano. Um vivisseccionista apoiador da pequisa afirma que esse método “produz versões personalizadas [sic] dos roedores”. O experimento, porém, “é vulnerável a críticas éticas, pois utiliza tecido retirado de fetos humanos abortados no quinto mês de gestação e vendidos pela empresa Advanced Biosciences Resource, com sede nos EUA”. Porque a “ética” predominante vigente nas ciências biológicas experimentais valoriza apenas seres humanos.

 

15. Ratos recebem excesso de vitamina E e contraem osteoporose

Depois de descobrirem que ratos transgênicos “programados” para sofrer de deficiência de vitamina E têm densidade óssea maior, cientistas exploraram outros ratos dando-lhes doses muito altas do nutriente. “Os ratos desenvolveram osteoporose após oito semanas seguindo esta dieta, com altos níveis de vitamina E, significativamente maior do que a dose encontrada na dieta normal de um roedor.”

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