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A pesca e a “sustentabilidade” que não preserva os seres

Desde algumas décadas atrás, vem-se tentando desenvolver e promover métodos de pesca ditos sustentáveis, que “preservem” o meio ambiente aquático e evitem a exaustão populacional da fauna dos mares, rios e lagos. Ao mesmo tempo, supermercados e peixarias afirmam estar deixando de vender “pescado” obtido por meios predatórios e visando a sustentabilidade. Essa visão, porém, é muito contraditória em se tratando de concepção do que é meio ambiente e o que deve ser preservado. Ela exclui do ambiente ninguém menos que os próprios animais, aqueles a quem diretamente interessa a arte humana de preservar.

A fauna, do todo aos indivíduos, também é parte indissociável e essencial do meio ambiente, não só a flora e a porção abiótica que interage com a biosfera. Cada indivíduo animal é parte da Natureza que os defensores da sustentabilidade tanto almejam proteger e preservar. E uma parte dotada de vontades próprias – continuar vivo e fisicamente íntegro. E essa vontade, inerente a cada animal dotado de sistema nervoso central, é parte da Natureza. Em outras palavras, cada animal é uma porção senciente dela, é ela quase literalmente querendo continuar viva e íntegra.

Portanto, quando se pesca mesmo um único animal, está-se agredindo o meio ambiente subaquático, porque o animal pescado é parte deste. Não só porque se prejudica a grande rede biosférica ou o ecossistema local, mas também porque se mutila e fere a Natureza injuriando e matando cada um de seus seres integrantes, cada ser dotado do desejo de continuar vivo.

Por isso, da pesca em grande escala baseada em redes de arrasto até aquela artesanal baseada em varas de bambu fino, linhas curtas e anzóis, qualquer forma de matar os animais das águas pela desnecessária razão do uso dos corpos dos animais é uma agressão ambiental, uma forma de violar o interesse vívido da Natureza. Ou seja, mesmo a “pesca sustentável” é algo oposto à verdadeira sustentabilidade.

Isso pode ser percebido através de uma comparação entre a pesca e a caça. A caça de animais selvagens, mesmo daqueles não ameaçados de extinção, por povos não indígenas é muito criticada por causar mortes desnecessárias, mesmo quando não ameaça a espécie caçada de desaparecimento e é feita obedecendo a parâmetros ecológicos e reprodutivos. Mas a pesca, por sua vez, que também mata animais silvestres sem necessidade, não recebe tamanha reprovação ético-moral.

Muito dificilmente se fala, por exemplo, de “caça sustentável” de raposas inglesas ou dos proliferados camelos australianos. Mas enche-se a boca para falar de “pesca sustentável” de bacalhaus. De fato, as raposas, os elefantes e os lobos são hoje mais considerados seres essencialmente integrantes do meio ambiente, logo reconhecidamente passíveis de preservação e compaixão, do que os tubarões, os robalos e as sardinhas. Para muita gente, não é ético caçar, mesmo com preocupações “sustentáveis”, mas pescar quase que livremente é aceito sem grandes preocupações fora o medo da sobrepesca.

Deve-se fazer exercícios mentais como a comparação acima, de modo a se perguntar por que os indivíduos sencientes das águas da Terra não são considerados membros plenos, dignos de preservação, do meio ambiente, e por que apenas populações aquáticas como um todo, e não os próprios seres sedentos de vida, o são. Vai-se chegar à conclusão de que qualquer tipo de pesca, no contexto das sociedades modernas vegetarianizáveis, é antiambiental por excelência, e que pesca ambientalmente amigável não existe.

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Bárbara

abril 16 2012 Responder

É complicado falar sobre pesca (algo que as pessoas estão mais acostumadas a praticar do que uma caçada) para pessoas onívoras, e até para vegetarianas, por incrível que pareça.
Quando converso com qualquer pessoa sobre, além de ouvir o clássico “mas nem peixe?!”, além de me decepcionar com ‘vegetarianos’ que comem ‘frutos do mar’, ainda tenho que explicar os porquês de considerar o ato de comer peixes mais prejudicial do que outros tipos de carne.
Antes de mais nada, deixo claro que não estou falando do fator “quão prejudicial ao organismo humano” (que, acredito ser o tipo de carne mais “benéfico” ao ser comparada com as outras), e sim às espécies. Afinal, bois, galinhas e porcos são procriados até a exaustão, não correndo o risco de entrar em extinção tão fácil, mas com os peixes é o contrário: cada vez mais consumidos, cada vez mais perto da extinção.
Agora, num momento desabafo: sabe Robson, eu fico muito chateada. Mesmo com tantas campanhas de conscientização em relação a pandas, araras e etc., estas não tem o mesmo efeito quando relacionada a tubarões, baleias e até no conhecido atum. Quando comento sobre, as pessoas me chamam de radical. É osso viu.

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