20

abr12

Canção Nova declara guerra: “Todas as religiões estão unidas para combater a ausência de Deus na sociedade”

Numa afirmação dúbia, o portal da Canção Nova lançou uma afirmação que promete pôr em pé de guerra cristãos e ateus. Foi na notícia intitulada Igreja Católica está aberta ao diálogo com todas as Igrejas, sobre um encontro ecumênico-cristão entre representantes de igrejas protestantes e católicas (ICAR e Ortodoxa Síria). O que deveria ser uma celebração do respeito entre as crenças – o que, por tabela, também se aplicaria às descrenças – tornou-se ao ver da CN uma declaração de guerra, não estando claro se acidental ou de fato confrontativa.

Uma frase, que não se sabe se está relacionada com as palavras dadas por Dom Francisco Biasin à CN, diz tudo:

O Brasil ainda é um país onde a fé, mais que a pertença a uma ou outra Igreja, está muito presente na vida das pessoas. Para saciar esta sede de Deus- destaca o bispo- está crescendo o número de paróquias e igrejas católicas.

Neste sentidos, todas as religiões estão unidas para combater a ausência de Deus na sociedade e a melhor resposta para isso é o testemunho pessoal de unidade.

Isso significa combater a cultura secular, calcada no agnosticismo (quando o comportamento da sociedade ignora se existe ou não um Deus prescritor de regras morais e costumes específicos e recorre a valores propriamente neutros de religião), e o avanço do ateísmo. A própria palavra combater, usada nesse contexto, torna a determinação de religiosos assim muito militaresca e hostil.

É pertinente fazer à Canção Nova algumas perguntas sobre o assunto:
– Como pretendem fazer para “combater a ausência de Deus”? Impondo a religião cristã às crianças e a pessoas crescidas que não compartilham das crenças monoteístas?
– Por que a “ausência de Deus” é necessariamente algo ruim?
– Aliás, o que é a “ausência de Deus” objetivamente falando?
– Ateus são, por excelência, pessoas sem Deus. E muitos ateus militantes vêm fazendo panfletagem online para convencer outras pessoas de que deuses não existem. As pessoas das “religiões unidas para combater a ausência de Deus” pretendem, portanto, combater os ateus também?

Os ateus demandam explicações da Canção Nova sobre a afirmação acima negritada. Tudo o que não se precisa atualmente é de frases tão verbalmente violentas e hostis como essa, que incitam com força a intolerância e até mesmo a violência contra ateus.

É possível entrar em contato com a Canção Nova, exigindo explicações da organização, por esta página.

imagrs

7 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Joaquim

junho 17 2012 Responder

O que o Bispo quis dizer que Deus é amor,se não existir amor vai existir terror. Deus te deu um corpo para ser para ser puro , não para fazermos o que queremos ,por que que á ,tantos crimes, traiçoes , porque não respeitamos uns aos outros .Paz e bem.

Pedro Teixeira

abril 26 2012 Responder

“Ausência de Deus” não tem necessariamente a ver com ateísmo. Faz parte da caminhada espiritual de qualquer pessoa, muitos chamam a isso de “deserto”.Até mesmo Cristo a sentiu na Cruz (“Pai, porque me abandonaste?”). Quem falou em ateismo? A dubiedade aqui fica na responsabilidade do próprio blog, que não fez a leitura correta. O artigo da Canção Nova é jornalístico interpreta apenas o que o Bispo de fato falou, e que a repórter corretamente, interpretou. Mas, como sempre, não se deve esperar “consciência” de quem quer caçar confusão a qualquer custo.
Pedro Teixeira
MTB 48.112

    Robson Fernando de Souza

    abril 26 2012 Responder

    Na época moderna/pós-moderna, “ausência de deus” também passa a significar ateísmo, secularismo ou mesmo não monoteísmo. Não estamos mais naquela época de sociedades tradicionais pautadas estritamente por um código moral cristão. Você lê “ausência de deus” com essa definição, mas os ateus, até por existirem, interpretam de outra maneira.

    E o fato de a matéria ser jornalística não impede que a CN pratique determinada linha editorial e expresse opiniões editoriais de forma indireta.

    Quem ameaçou causar confusão foi a CN, com afirmação tão ambígua e beligerante.

    E o que você acharia se alguém lhe dissesse que a ausência da Deusa precisa ser “combatida”, com você não crendo em uma Deusa?

Ale Galliard

abril 21 2012 Responder

Pra mim é incompreensível que religiosos de todas as crenças e em todas as épocas históricas sempre se sintam no direito de perseguir qualquer grupo que eles considerem como inimigos.

Mas o mais engraçado de tudo é que diferentes ramificações do cristianismo que vivem trocando acusações e competindo por fiéis, se unam pra combater o ateísmo. Talvez a intenção seja eliminar um adversário em comum pra depois combaterem entre si. No mais não me parece que esse grupo aceitaria líderes da umbanda, do budismo, do hinduísmo, do islamismo, do candomblé ou qualquer outro, e esse é só um os fatores que serve como confirmação de guerra fomentada por preconceito.

Enfim, religiosos sempre estarão batendo violentamente contra alguma coisa, quando não é contra ateus é contra outra religião ou contra eles mesmos. Essa mania de achar que se está sempre cercado de inimigos tem um nome: paranóia.

Ricardo Mario Gonçalves

abril 21 2012 Responder

Como um religioso ateísta, ou seja, como budista, eu me sinto discriminado e marginalizado.

reivax argen

abril 21 2012 Responder

Fundamentalismo; suicidio mutuo

Darcy Brega Filho

abril 21 2012 Responder

Todas as religiões unidas para celebrar a Paz, cooperar para a erradicação da miséria material e espiritual, para educar e ser educado para não fazer o mau, fazer o bem, fazer o bem a todos os seres. Basta de usar o nome de Deus para separar humanos, justificar violência de qualquer espécie, sobretudo a violência sutil – nem tão sutil assim – como a anunciada pela CN. Amor!

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo