01

abr12

Indagações de uma pessoa aflita sobre o Código Florestal

Em meio de tantas esperanças que eu venho tendo e tentando plantar sobre o nosso poder de mudar o mundo, algo vem excepcionalmente me deixando impotente e desanimado: a luta pela preservação do atual Código Florestal, contra a reforma ruralista que querem impor.

O famigerado código já passou na Câmara sem dificuldades realmente grandes, e o Senado dá grandes perspectivas de que, logo quando for votado, ele será aprovado em sua versão atual. Não sei se vai ser caso de voltar à Câmara pra nova votação, mas, se for, deverá ganhar de lavada de novo. Daí só restaria a “boa vontade” de Dilma Rousseff, que todo esquerdista sobrevivente da cooptação empreendida por PT, PSB e PCdoB sabe que é na verdade uma péssima vontade em se tratando de governar para o povo.

Eu pessoalmente não tenho esperança de que Dilma vá vetar o Novo Código Florestal (NCF), porque ela já demonstrou que os clamores do povo que entram em um ouvido seu saem pelo outro, vide Belo Monte, o desenvolvimentismo sem responsabilidade ambiental e a questão da homofobia. Dilma é adversária do meio ambiente desde sua época de ministra-chefe da Casa Civil, e foi sua sanha desenvolvimentista no então governo Lula que fez Marina Silva desistir de ser ministra do meio ambiente.

O NCF talvez seja visto por Dilma como uma grande “oportunidade” de fortalecer ainda mais seu projeto de “desenvolvimento” – mandar grandes fazendeiros e empreiteiras destruírem o que puderem do verde que resta pra fazer o Brasil virar o quanto antes o tal “país rico” do slogan do Governo Federal, seguindo concepções antiquadas de “riqueza” e “desenvolvimento”. Isso sem falar que o próprio governo do PT tem mãos dadas com os ruralistas, desde Lula.

E, se Lula era tão ínfimo em política ambiental, Dilma Rousseff vem sendo um número negativo nesse ponto – vem diminuindo unidades de conservação, exigindo mais e mais hidrelétricas pra inundar a Amazônia, ameaçando reservas indígenas, não dando um piu em termos de preservar ecossistemas como Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e mangues, exaltando a energia suja do pré-sal (o que, inclusive, tinha sido seu grande mote no segundo turno de 2010), entre tantas outras besteiras que só alguém totalmente descompromissado com o meio ambiente é capaz de fazer.

Vejo que tudo o que a mobilização popular, via abaixo-assinados e protestos, vem conseguindo fazer é apenas adiar algo que pode ser inevitável – a aprovação e sanção do temido código. Cedo ou tarde ele será votado. E, por tudo o que eu disse acima, não tenho qualquer esperança que Dilma vete, porque ela odeia o meio ambiente, considera-o um estorvo ao seu “projeto de desenvolvimento” e tem suas paqueras com a bancada ruralista.

Por isso eu venho lhes pedir alguma luz nesse assunto. Será que ainda há chances reais de vermos o NCF ser rejeitado ou vetado? Aliás, o que é, afinal de contas, que ainda nos dá fé na péssima “boa vontade” de Dilma e dos senadores? E o mais importante: o que é que o povo realmente pode fazer, visto que abaixo-assinados e protestos não vêm adiantando muita coisa – e virtualmente não adiantaram no caso de Belo Monte, mesmo reforçados por entidades internacionais?

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