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abr12

Leandro Cruz: mensagem aos militares com menos de 30 anos

Encontrar conteúdo antimilitarista em português é bem difícil, mas felizmente há pessoas que, como eu, também repudiam a práxis – e também a existência – das organizações militares (Forças Armadas e polícias militares). É o caso de Leandro Cruz, colunista do Jornal do Povo e autor do blog Viagem no Tempo.

Leandro escreve muito daquilo que eu adoraria escrever – e até poderia escrever algum dia, mas ele já me poupou desse trabalho. Abaixo estão o trecho inicial do primeiro artigo (é uma trilogia de textos) e o link dos três artigos da trilogia.

Militar com menos de 30 em 2012 (parte 1)
por Leandro Cruz

Militar com menos de 30. Não leve a mal nada que eu venha a dizer. Não pode ser desacato à autoridade, pois não falo à autoridade, mas às pessoas. Não me dirijo às fardas, mas às mulheres e homens por baixo das fardas. A pessoas de carne vermelha e ossos quebráveis, que nascem igualmente nus e invariavelmente não podem fugir do destino final comum a todos os homens. Não é dirigida à “classe militar”. É dirigida ao nossos irmãos, humanos, que trabalham para instituições militares (polícias e Forças Armadas). Mas é às pessoas, não ao trabalho delas. Não me peça pra falar com o tenente ou o chefe do tenente. É com você mesmo. Mesmo que você diga: “Eu só cumpro ordens”, eu não quero falar com quem dá as ordens, mas é com você mesmo. Você, militar nascido em 1982 ou depois. Você, barbeado e de cabelo curto. Ou você, mulher de coque e boné. Não é com seu cabelo, nem com sua arma, nem com uma testa franzida. Não é com sua farda.

Ok, talvez você não esteja se sentindo muito à vontade nessa situação. Mas quem te disse que você está nu? Pelo contrário: assim, sem a farda, sem a arma, me dirijo a muito mais respeito, com respeito mais verdadeiro do que a maioria dos que se dirige (ou deixa de se dirigir) a você por causa da farda ou arma. Porque o que se sente ante ameaças (como a simples presença de uma arma, por si só intimidadora) não é respeito, é medo. Bem, eu não tenho medo de outros homo sapiens, meus irmãos (seja por parte de alguma divindade ou por parte de um ancestral comum igualmente bípede d’algum canto da África). Mas tenho um respeito enorme por cada um.

Bem, o que esse reles professor de História (esse outro hominídeo, da mesma espécie que tu, que vive de estudar e pensar e contar história) tem a dizer é que vocês pensam. Isso os torna criaturas ainda mais magníficas e dignas de respeito. Portanto, não aceitem o desacato de dizerem que vocês só devem cumprir ordens. Isso é ultrajante. Contraria até a natureza dos animais que não pensam. Mas vocês, ao contrário, devem ser respeitados como seres humanos que são, como seres pensantes.

Versão completa do artigo Militar com menos de 30: Parte 1 / Parte 2 / Parte 3

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