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Os iranianos e israelenses que querem a paz e os militares robotizados sem humanidade

Uma notícia comovente marcou a semana passada entre israelenses e iranianos: pessoas das duas nacionalidades trocaram mensagens de paz e simpatia mútua, mostrando que não querem nenhuma guerra e rejeitam as hostilidades que vêm crescendo entre os Estados de Israel (compadreado pelos EUA) e Irã. Por outro lado, as máquinas militares de cada Estado se esquentam, com soldados coagidos pela disciplina robótica imposta e pelo medo de punições severíssimas.

É evidente nesse e em tantos outros casos que as vontades do Estado e de sua máquina armada são distintas dos povos governados – isso quando a mídia que apadrinha o primeiro não manipula o suficiente a opinião pública para fazê-la artificialmente apoiar a “opção” do conflito armado. A população diz não à guerra, à ação assassina das forças armadas, mas estas não querem nem saber. Afinal, democracia – seja ela em sua versão faz-de-conta baseada em eleições, partidos e representatividade, seja aquela em que o poder realmente é do povo – e corpo militar excluem-se mutuamente.

Os civis, parcialmente livres, demonstram que não têm absolutamente nada contra os estrangeiros que seu Estado ameaça de morte. Que não há qualquer razão objetiva para que os israelenses declarem ódio aos iranianos e vice-versa, que os dois povos se matem um ao outro. Já os militares, encoleirados pela disciplina casernal e pelo medo, lavados em seu cérebro pela ideologia interna totalitária defendida pelos “superiores”, nada podem opinar. Só podem obedecer cegamente às ordens de ferir e matar seres humanos.

Ai daquele que ousar fazer qualquer objeção dentro da caserna: será preso ou mesmo executado por insubordinação. Se cometer o “grave crime” de defender que os soldados das tropas consideradas “inimigas” não são pessoas ruins, que seu grande “pecado” é ser forçados a obedecer às ditas “ordens superiores”, e não merecem morrer, será punido com todo o rigor de uma lei fascista que distingue militares de civis como sujeitos morais e provê aos primeiros direitos de mentirinha e totalitários deveres.

Se o soldado israelense defender os direitos dos iranianos à vida e à paz, criticar o ultradireitismo beligerante e genocida do governo que o controla e se negar eticamente a ir a uma guerra que ele considera – com razão – desnecessária, será cruelmente castigado. O mesmo acontecerá ao subordinado iraniano que se recusa a apoiar o confronto armado entre as duas nações e considera Ahmadinejad um louco que não aceita a paz como solução para a humanidade.

O mesmo acontece quando o assunto do dia é uma dissensão entre diplomatas. Em última análise, se o cônsul de um país xinga o do outro, a ofensa pessoal se torna motivo para os robotizados soldados já serem prontamente armados e comandados a estar a postos para sair matando milhares de seres humanos que não têm nada a ver com a rusga entre os diplomatas. Quem discordar, “leva fumo” de uma das piores maneiras possíveis.

A humanidade, a racionalidade, o discernimento, a ética, tudo isso que poderia impedir que um Estado entrasse em confronto armado com o outro, é violentamente reprimido dentro do quartel. Prevalecem, ao invés, a obediência robótica – pior do que a obediência canina, porque nesta o cão pelo menos “corre o risco” de não atender imediatamente ao que o seu tutor ordena e nem por isso ser punido –, a irracionalidade, a automatização maliciosa do ser humano – este encoleirado a um “controle remoto” baseado na disciplina militar e no medo de ser humilhado, desonrado e confinado numa prisão.

A troca de amistosidades entre os dois povos, a simultânea surdez dos cruéis exércitos ante a população civil e a mãodeférrica censura interna de qualquer posicionamento dos indivíduos militares em favor da paz torna a vontade (?) das forças armadas – e, por tabela, dos Estados que controlam os soldados e os oficiais e governam o povo civil – totalmente distinta da vontade popular. E realça fortemente que as Forças Armadas não servem ao povo, ao interesse popular, e sim aos interesses privados, muitas vezes movidos por puro lunatismo e/ou ganância econômica, de governantes mal intencionados, seja nas ditaduras, seja nas “democracias liberais”.

O fato referido fortalece a convicção de que forças armadas mais Estados interesseiros e povo mais democracia excluem-se mutuamente.

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2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Bárbara

abril 13 2012 Responder

O comentário foi antes de eu terminá-lo, droga, e agora perdi o “fio da meada”. Culpa do botão “Notifique-me de novos comentários via e-mail. Você também pode se inscrever sem comentar.”, no qual cliquei e publicou o comentário! haha, temos que rever isso ai, produção ;)

Bárbara

abril 13 2012 Responder

Só isto nos prova, mais uma vez, de que Povo e Estado (israelenses ‘vs.’ israelenses e iranianos ‘vs.’ iranianos) não conversam entre si.

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