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abr12

Tortura em nome da ciência (Parte 76)

Para encerrar o mês de abril, mais uma amostra de notícias de pesquisas que, dizem, podem trazer grande progresso para a medicina humana, mas tiveram como “preço” o aprisionamento, tortura e morte de milhares de animais não humanos – preço esse que o ser humano não pagou, mas sim roubou dos animais.

Hoje eu pude catar 13 notícias sobre o assunto. Nem é muito necessário discorrer sobre a questão ética das pesquisas científicas, basta que você leia cada uma.

 

1. Camundongos bombardeados com raios ultravioleta para sofrer câncer

Camundongos foram submetidos a testes de ansiedade, que assim consistiam:

Entende-se por camundongos ansiosos aqueles que não se saíram muito bem em testes que mediam o comportamento em motivações conflitivas como a dúvida entre a necessidade de explorar para encontrar comida e parceiros e a necessidade de segurança.

Para descobrir o grau de ansiedade dos camundongos, a equipe colocou os animais em canaletas em forma de cruz, onde um caminho tinha paredes abertas e no outro fechado. A ideia era medir a frequência com que os camundongo se aventuravam para o lado aberto. “É provável que um camundongo com alta ansiedade passe mais tempo na segurança do escuro, onde, na natureza, seria menos provável ser descoberto por predadores”, explicou Dhabhar [um dos vivisseccionistas] ao iG.

A forma com que foi falado desse teste nos deixa a entender que era uma ansiedade natural, não provocada pelos vivisseccionistas, logo não teria havido sofrimento nisso. Mas o experimento não acabou por aí. Em seguida, os animais “ansiosos” e os não “ansiosos” foram bombardeados com “ultravioleta por 10 minutos, três vezes por semana ao longo de 70 dias”, o que lhes causou câncer de pele. As cobaias “ansiosas” tiveram as piores formas da doença, com tumores mais numerosos e invasivos.

Não se falou que destino tiveram os animais, mas fica evidente que foram todos mortos no fim da pesquisa.

 

2. Estresse crônico e câncer contra camundongos

De uma maneira que a notícia não revelou, camundongos foram induzidos a “situações de forte estresse” e ainda por cima foram bombardeados com radiação de íons, capaz de alterar a estrutura física de átomos. Tal radiação lhes causou câncer, tentativamente tratado com a proteína P53. Mas a proteína acabou inibida nos animais que haviam sido submetidos ao estresse severo. Como nada se falou sobre tratamento, é dedutível que morreram sacrificados depois de sofrerem duplamente – com o câncer e com o estresse.

 

3. Drogando camundongos com injeções de cocaína

Pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas da USP forçou um grupo de camundongos a receber diariamente, durante oito dias, injeções de cocaína. Depois de dez dias de abstinência, receberam uma nova injeção. As alterações neurais causadas pela droga fizeram as cobaias se movimentarem mais, talvez freneticamente. Os camundongos adolescentes sofreram mais intensamente os efeitos.

Fala-se na matéria que também houve obscuras induções ao estresse – que potencializaram os efeitos deletérios da cocaína – e ingestão forçada de álcool para outros camundongos.

 

4. Bombardeiro de raios ultravioleta causa câncer em camundongos

Em experimento distinto da notícia nº1, camundongos foram bombardeados com radiação ultravioleta, e alguns contraíram câncer de pele (ao que parece, se um grupo de animais teve 62% menos risco de contrair a doença que outro, quer dizer que 62% menos animais contraíram câncer no primeiro grupo do que no outro). As cobaias que se exercitaram e/ou ingeriram cafeína tiveram menos casos de câncer do que os que não se exercitaram nem tomaram cafeína.

 

5. Ratos induzidos a ataque cardíaco

Ratos foram forçados a sofrer ataque cardíaco, para que fossem depositados “três genes que normalmente guiam o desenvolvimento embrionário do coração diretamente na região danificada”. Fala-se que os corações se recuperaram e voltaram a bater normalmente, mas, como era de se esperar, não se falou se os animais sofreram com o ataque cardíaco ou não.

 

6. Camundongos obrigados a consumir antibióticos por toda a vida ficam mais gordos

Camundongos foram obrigados a consumir antibióticos por toda a vida, desde a infância até a idade adulta, por 30 semanas seguidas. Aqueles que consumiram tais remédios tinham o dobro da gordura que os animais que não foram submetidos aos antibióticos. Em outra fase da pesquisa, camundongos que foram criados presos em ambiente estéril (livre de micro-organismos) e receberam as bactérias do microbioma intestinal dos animais que haviam sido “tratados” com antibióticos, tornando-se 35% mais pesados do que os camundongos do grupo-controle (que não haviam recebido as bactérias).

 

7. Ratos condenados à doença genética Síndrome do X Frágil

Ratos transgênicos foram condenados a nascer com a Sìndrome do X Frágil, cujos portadores “sofrem de um complexo conjunto de sintomas neuropsiquiátricos de gravidade variável, que incluem ansiedade, hiperatividade, déficit de aprendizado e memória, além de baixo QI (coeficiente de inteligência), dificuldade de comunicação e convulsões.” A intenção foi testar um remédio, de nome não divulgado na matéria, que diminuiria diversos dos sintomas da síndrome.

 

8. Cientistas ameaçam animais de lhes forçar câncer

Uma pesquisa in vitro verificou que a proteína TGF-Beta pode estimular ou inibir o sistema imunológico, o que funcionaria em casos de câncer e em pós-transplantes – mas as células testadas eram culturas celulares de camundongos. Agora os cientistas estão ameaçando estender a pesquisa a animais vivos (de espécies não especificadas) – e cumprirão a ameaça.

 

9. Teste de fulereno sobre a sobrevida dos ratos mata diversos animais  [pesquisa completa, em inglês, aqui]

A diluição de fulereno, um composto de carbono puro, na alimentação de ratos promoveu a sobrevida maior dos animais que ingeriram a substância. Mas, conforme o link da pesquisa original, houve outras etapas nesse teste que requereram a matança de diversos outros ratos, para fins de análises fisiológicas.

 

10. Tumores de pâncreas implantados em ratos

Ratos tiveram implantados em seus corpos tumores pancreáticos humanos, para que neles fosse testado um medicamento codinominado TO901317. Apenas em combinação com uma droga chamada gencitabina os tumores diminuíram. Mas não houve cura de nenhum animal, e é dedutível que foram todos mortos no final da pesquisa.

 

11. Ratos enviados ao espaço ficaram lá por 91 dias

Não é apenas em laboratórios que há exploração de animais em nome da ciência. Enviá-los ao espaço para que sofram os efeitos da baixa gravidade também é uma forma muito notória. Ratos transgênicos com fator de crescimento pleiotrofina ampliado e ratos de grupo-controle (normais) foram enviados ao espaço e mantidos lá por 91 dias. Os ratos do grupo-controle perderam mais de 40% do volume ósseo, enquanto os transgênicos perderam 3%. Não se fala se foram mortos no final da pesquisa, mas tudo indica que foram.

 

12. Ratos submetidos a injeções de nicotina desenvolvem depressão e ansiedade

O parágrafo a seguir fala por si só:

Os cientistas chegaram a essa conclusão [de que adolescentes fumantes correm mais risco de sofrer depressão na vida adulta] depois de estudarem ratos jovens, submetidos a nicotina.

Uma vez testados com a substância, os animais demonstraram sintomas de depressão e ansiedade. Segundo os cientistas, a pesquisa também foi realizada com ratos adultos.

 

13. Camundongos jovens são mortos para terem suas células oculares extraídas; outros camundongos são cegados

Vivisseccionistas britânicos mataram camundongos jovens para extrair células oculares fotorreceptoras e cegaram outros roedores – por método que a matéria não fala. Tudo isso para que fosse feito um transplante das referidas células nos olhos de metade dos camundongos cegos (a outra metade foi condenada a permanecer sem visão pelo resto de suas curtas vidas). As cobaias foram então obrigadas a percorrer um labirinto de pouca iluminação e cheio de água. “[O]s camundongos com as células novas conseguiam perceber o caminho que os levava a uma plataforma e os salvava da água. Já os animais que não receberam células só conseguiam encontrar a plataforma por acaso ou depois de uma extensa exploração do labirinto.”

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Fernanda

maio 4 2012 Responder

Tem uns testes que são muito ridículos e óbvios tipo “12. Ratos submetidos a injeções de nicotina desenvolvem depressão e ansiedade” que deveriam ser totalmente proibidos.
Mas quando fala-se que testes em animais é a “única” forma de se saber mais sobre determinadas doenças, como proceder?

    Robson Fernando de Souza

    maio 4 2012 Responder

    Fernanda, nesse caso de a vivissecção ser a única forma de se saber sobre determinadas doenças, isso deveria ser um desafio pra comunidade científica suplantar tal limitação – mesmo que isso durasse algumas décadas de pesquisas e avanços tecnológicos. Mas infelizmente não vemos tal determinação, daí nos resta continuar pressionando a comunidade científica pra que haja essa mudança paradigmática.

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