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“Dê graças pela carne”: tradução do artigo carnista vencedor do concurso do The New York Times

Abaixo, a tradução do texto pró-carne vencedor do concurso realizado pela coluna The Ethicist do The New York Times.

Refutação do artigo abaixo: Resposta analítica ao artigo Give thanks for meat, vencedor do concurso do The New York Times

 

Dê graças pela carne (título original: Give Thanks for Meat)
por Jay Bost, para o The New York Times, traduzido por mim

Como um vegetariano que voltou a comer carne, eu vejo a questão “É ético comer carne?” ressoando na minha cabeça e no meu coração constantemente. As razões pelas quais eu me tornei vegetariano, depois vegano e depois um comedor de carne consciente foram todas éticas. As razões éticas de NÃO comer carne são óbvias: animais são criados e mortos em condições cruéis; os grãos que poderiam alimentar pessoas famintas são usados para alimentar animais; a demanda por pastos fomenta o desmatamento; e comer carne implica matar um ser senciente. Exceto pela última razão, no entanto, nenhum desses aspectos de comer carne estão implícitos em comer carne, ainda que sejam exatamente o que torna antiético comer alguns tipos de carne.  Assim como comer verduras, tofu ou grãos produzidos em certas circunstâncias e consumi-los produzidos em outros meios é antiético.

O que são esses meios “certos” e “errados” de produzir tanto carne quanto alimentos vegetais? Para mim, eles são evocados mais sucintamente na ética da terra de Aldo Leopold: “Uma coisa é certa quando ela tende a preservar a integridade, estabilidade e beleza da comunidade biótica. É errada quando promove o contrário.” Enquanto estudava Agroecologia na Prescott College em Arizona, eu me convenci de que, se aquilo que você está almejando com uma dieta “ética” é o menos destrutivo impacto sobre a vida como um todo neste planeta, então, em algumas circunstâncias, como quando se vive entre campos gramíneos secos e ralos, comer carne é a coisa mais ética que você pode fazer fora subsistir com caça, feijão tepari e pinhões.

Uma vaca bem cuidada e solta e capaz de transformar a luz solar capturada pelas plantas em calorias e proteínas condensadas com a ajuda dos micro-organismos no seu trato alimentar. Sol => diversas plantas => vaca => humano. Isso, numa visão ética mais larga, parece muito mais limpo do que o esquema movido a combustível fóssil que consiste em: campo tratorado => monocultura de soja irrigada => colheita por trator => processamento => tofu => transporte => humano.

Enquanto a maioria da produção de carne nos dias de hoje é uma iniciativa ecologicamente absurda e eticamente errada, felizmente isso está mudando, e há atualmente exemplos abundantes de sistemas baseados em pasto que são ecologicamente benéficos. O fato é que a maioria dos agroecologistas concordam que os animais são parte integral de sistemas agrícolas verdadeiramente sustentáveis. Eles são capazes de ciclar nutrientes, auxiliar no gerenciamento da terra e converter sol em comida por meios que são quase impossíveis para nós sem o uso de combustíveis fósseis. Se “ético” é definido como viver no caminho mais ecologicamente benigno possível, então, em circunstâncias justamente específicas, das quais cada consumidor deve obter lições educativas, comer carne é ético; de fato NÃO comer carne pode ser discutivelmente antiético.

A questão de matar um ser senciente, no entanto, decai. A um ponto em que cada ser humano, individualmente falando, deve reagir perguntando: Será que estou mesmo querendo dividir o mundo entre aquilo que eu acreditei que é digno de ser poupado do inevitável e aquilo que não é digno disso? Ou essa é uma divisão desesperançosamente artificial? Um poema de Wislawa Szymborska, “No elogio da autodepreciação”, vem à mente neste momento. Ele acaba assim:
“Não há nada mais animal
do que uma consciência clara
no terceiro planeta do Sol.”

Para mim, comer carne é ético quando isso faz três coisas. Primeiro, você aceita a realidade biológica de que a morte possibilita a vida neste planeta e toda a vida (incluindo nós!) é de fato apenas energia solar temporariamente armazenada numa forma impermanente. Segundo, você combina essa realização com aquela carinhosa característica humana da compaxão e escolhe alimentos eticamente produzidos – verduras, grãos e/ou carne. E terceiro, você agradece.

Como um vegetariano que voltou a comer carne, eu vejo a questão “É ético comer carne?” ressoando na minha cabeça e no meu coração constantemente. As razões pelas quais eu me tornei vegetariano, depois vegano e depois um comedor de carne consciente foram todas éticas. As razões éticas de NÃO comer carne são óbvias: animais são criados e mortos em condições cruéis; os grãos que poderiam alimentar pessoas famintas são usados para alimentar animais; a demanda por pastos fomenta o desmatamento; e comer carne implica matar um ser senciente. Exceto pela última razão, no entanto, nenhum desses aspectos de comer carne estão implícitos em comer carne, ainda que sejam exatamente o que torna antiético comer alguns tipos de carne.  Assim como comer verduras, tofu ou grãos produzidos em certas circunstâncias e consumi-los produzidos em outros meios é antiético.

O que são esses meios “certos” e “errados” de produzir tanto carne quanto alimentos vegetais? Para mim, eles são evocados mais sucintamente na ética da terra de Aldo Leopold: “Uma coisa é certa quando ela tende a preservar a integridade, estabilidade e beleza da comunidade biótica. É errada quando promove o contrário.” Enquanto estudava Agroecologia na Prescott College em Arizona, eu me convenci de que, se aquilo que você está almejando com uma dieta “ética” é o menos destrutivo impacto sobre a vida como um todo neste planeta, então, em algumas circunstâncias, como quando se vive entre campos gramíneos secos e ralos, comer carne é a coisa mais ética que você pode fazer fora subsistir com caça, feijão tepari e pinhões.

Uma vaca bem cuidada e solta e capaz de transformar a luz solar capturada pelas plantas em calorias e proteínas condensadas com a ajuda dos micro-organismos no seu trato alimentar. Sol => diversas plantas => vaca => humano. Isso, numa visão ética mais larga, parece muito mais limpo do que o esquema movido a combustível fóssil que consiste em: campo tratorado => monocultura de soja irrigada => colheita por trator => processamento => tofu => transporte => humano.

Enquanto a maioria da produção de carne nos dias de hoje é uma iniciativa ecologicamente absurda e eticamente errada, felizmente isso está mudando, e há atualmente exemplos abundantes de sistemas baseados em pasto que são ecologicamente benéficos. O fato é que a maioria dos agroecologistas concordam que os animais são parte integral de sistemas agrícolas verdadeiramente sustentáveis. Eles são capazes de ciclar nutrientes, auxiliar no gerenciamento da terra e converter sol em comida por meios que são quase impossíveis para nós sem o uso de combustíveis fósseis. Se “ético” é definido como viver no caminho mais ecologicamente benigno possível, então, em circunstâncias justamente específicas, das quais cada consumidor deve obter lições educativas, comer carne é ético; de fato NÃO comer carne pode ser discutivelmente antiético.

A questão de matar um ser senciente, no entanto, decai. A um ponto em que cada ser humano, individualmente falando, deve reagir perguntando: Será que estou mesmo querendo dividir o mundo entre aquilo que eu acreditei que é digno de ser poupado do inevitável e aquilo que não é digno disso? Ou essa é uma divisão desesperançosamente artificial? Um poema de Wislawa Szymborska, “No elogio da autodepreciação”, vem à mente neste momento. Ele acaba assim:
“Não há nada mais animal
do que uma consciência clara
no terceiro planeta do Sol.”

Para mim, comer carne é ético quando isso faz três coisas. Primeiro, você aceita a realidade biológica de que a morte possibilita a vida neste planeta e toda a vida (incluindo nós!) é de fato apenas energia solar temporariamente armazenada numa forma impermanente. Segundo, você combina essa realização com aquela carinhosa característica humana da compaxão e escolhe alimentos eticamente produzidos – verduras, grãos e/ou carne. E terceiro, você agradece.

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