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maio12

Estética e preconceito: para português Mário Cabral, ateus não teriam senso de beleza

O preconceito da vez vem de Portugal, das mãos do colunista Mário Cabral, do jornal online A União. Em seu artigo intitulado 24. Via Pulchritudinis, ele fala mal dos ateus, lhes imputando uma falsa insensibilidade estético-artística. E ao contrário de outros autores preconceituosos denunciados por aqui, ele fala diretamente sobre/contra os ateus.

Algumas frases do texto são destacáveis:

“Se o mal pode tornar-se um embaraço para o crente, a existência da beleza é uma pedra no sapato do ateu.”

“A Estética começa logo aqui: na existência concreta de seres. Muitas religiões são adeptas do niilismo e ficam tão embaraçadas quanto os ateus com o encanto do mundo, que declaram ilusão.”

“É música, é pintura, é arquitetura, é literatura, é escultura… é dum tudo! Que seria do Ocidente sem as obras inspiradas pela fé cristã?!”

“Sem Deus, não há Belo nem obra de arte. Cai-se no cada um tem o seu gosto e ninguém avalia ninguém.”

Observa-se o tradicional credocentrismo cristão, quase sempre presente em textos que destilam preconceito contra os ateus. O autor tenta imputar ao cristianismo, sem qualquer fundamento teórico a respaldar, a propriedade sobre a cultura estética ocidental. E nega a capacidade dos ateus de enxergarem beleza, aprazibilidade estética, no mundo.

Realimenta-se em tal texto o tradicional e infundado preconceito de que os ateus não veriam graça na existência, na vida, no mundo, e, dada sua descrença em divindades, não teriam qualquer capacidade de ver sentido e beleza nas coisas. E que ver graça e sentido no mundo seria algo próprio de religiões e religiosos.

Protestos devem ser enviados ao e-mail auniao@auniao.com.

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