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Indonésia: homem pode ser condenado a 11 anos de prisão por expressar seu ateísmo

O Estado que controla a Indonésia vem escancarando ao mundo um exemplo extremo de intolerância contra ateus. Alexander Aan, ateu, pode ser condenado a 11 anos de cadeia por desafiar a opressora lei “antiblasfêmia”, que proíbe aos indonésios que duvidem ou não creiam no Deus das religiões monoteístas legalizadas no país.

O “crime” dele foi postar no Facebook: “Deus não existe.” E agora ele pode pegar até 11 anos de prisão  – cinco por “insultar” o islamismo, religião principal do arquipélago, e seis por ter usado a internet para “propagar mensagens blasfêmicas”. Diz-se que ele pode estar sendo o primeiro indonésio a ser julgado por ser descrente.

O Estado indonésio, embora não diretamente teocrático, tolera apenas cinco religiões: islamismo, cristianismo (em suas formas católicas e protestantes), hinduísmo, budismo e confucionismo. Criminaliza outras religiões e a descrença em deus(es), conforme um relatório do Departamento Internacional de Liberdade Religiosa dos Estados Unidos.

Sob um Estado intolerante, sua população, historicamente acostumada a não ver vida fora das religiões, acaba demonstrando lamentáveis posturas de ódio contra o diferente. No Facebook, um muçulmano da província de Jambi, declarou seu ódio: “Esses ateus deveriam ser decapitados, é isso que merecem!”

Aan está sob prisão preventiva, aguardando o veredicto do Estado que o proíbe de ser livre para acreditar ou não acreditar no que “quiser”. E já sofreu na pele o que é um caso extremo de ateofobia: foi agredido por detentos, que passaram a odiá-lo porque ele “blasfemou”, e havia sido atacado por um fanático quando ia ao trabalho, logo antes de ser preso.

Taufik Fajrin, um dos cinco advogados que representam Alex Aan no caso, afirmou com propriedade: “O que Alex fez foi exercitar sua liberdade de expressão. Iremos fazer nosso melhor para libertá-lo, mas só espero que receba o mínimo da sentença. Promover os direitos humanos aqui é difícil, porque você enfrenta fanáticos e culturalistas radicais. Mesmo nós, como seus advogados, estamos preocupados que radicais venham ao nosso escritório ou casas e nos apedrejem. Isso é um desafio.”

Aan é moderador da fanpage Ateis Minang (Ateus de Minang) e abandonou o islamismo em 2008.

Desde já o Consciencia.blog.br aguarda que o Avaaz.org crie uma petição para que o mundo defenda que a Indonésia pare de criminalizar a liberdade de crença e descrença e de expressão. Mas neste momento é possível prestar solidariedade a Alexander Aan na fanpage Ateis Minang (é razoável, creio eu, postar mensagens em inglês por lá).

Com informações do Christian Post e do Avaaz

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