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maio12

Quando atividades consideradas inofensivas também são formas de explorar animais

Diversas atividades de exploração animal estão sendo cada vez mais repudiadas, e com razão – rodeios, vaquejadas, vivissecção, pecuária, pesca, fur farms, “fábricas de filhotes” etc. Mas certas outras ainda mantêm um prestígio entre a população, embora também sejam formas de explorar animais, ainda que sem causação de sofrimento físico e psicológico patente. São “funções” em que os animais parecem ser respeitados e reconhecidos como importantes, mas que eles não escolheram estar ali e não se sabe se gostam ou não de tais trabalhos.

Honrosas aos olhos humanos, mas forçadas para muitos animais, são as atividades dos cavalos e elefantes de guerra; dos cães-guia; dos farejadores de drogas, bombas e minas; dos terapeutas (cães e cavalos principalmente) e dos cavalos de hipismo e três-tambores. Nelas – à exceção da exploração bélica de cavalos e elefantes, que praticamente são apenas parte do passado e de fato infligiam tormentos aos animais – não há aquilo que se chame de crueldade.

Cães-guia, farejadores de drogas, terapeutas e cavalos de hipismo ou três-tambores geralmente não sofrem quando estão em atividade. E muitas vezes ainda são considerados “irmãos” ou “filhos” de seus “usuários”. Mas estão ali à revelia do poder de aceitarem ou recusarem estar ali. E, dependendo de sua personalidade, podem estar sendo forçados a algo que detestam fazer.

Quando se bota um cão para servir de farejador ou um cavalo para treinar hipismo, não se sabe se ele quer estar ali, se ele vai gostar ou não. E ao se obrigar o animal a fazer tais coisas pelo resto da vida, ainda sem saber se ele gosta ou não daquilo, a situação se torna mais delicada. Torna-se uma forma sutil e não agressiva de escravidão, em que o ser ali está por vontade alheia e contra o seu gosto pessoal.

E torna-se um maltrato. Porque, para algo ser assim considerado, é preciso não necessariamente que haja violência física ou psicológica e/ou privações óbvias envolvidas. Basta forçar, por interesse humano – logo alheio ao animal –, um ser senciente a algo que ele não manifestou querer fazer ou que ele de fato não quer. Se estamos forçando uma criança a um trabalho braçal sem ela querer fazer aquilo, estamos maltratando-a. Se obrigamos um jovem a cursar Medicina quando ele quer fazer Ciência Política, há também o maltrato, o atentado aos interesses próprios dele. E o mesmo se aplica a um animal não humano.

Por isso, o hipismo, o três-tambores, o uso de cães-guia, o uso terapêutico de cães e cavalos, a exploração do fato canino em ações policias e outras atividades em que se usa animais sem que se saiba se irão ou não gostar devem ser discutidos sob o olhar do abolicionismo. Pelo mesmo motivo que discutimos e condenamos as formas modernas de escravidão ou semiescravidão humana e a contrariação arbitrária da vontade das pessoas.

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Pedro Arboés

maio 26 2012 Responder

E os filmes de cachorros “hiperespertos” que jogam futebol ou aqueles q simplesmente encontra-se um cão-ator? Será que são bem tratados? Alguma evidência de abuso? Tava assistindo o filme “Sempre ao seu lado” um dia desses e fiquei me perguntando…

    Robson Fernando de Souza

    maio 26 2012 Responder

    Bem lembrado também, Pedro.

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