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Cabritos nunca mamam nas mães e cabras são tratadas como máquinas em criação leiteira

A pecuária nos revela inúmeras violências contra os animais, sejam elas ações violentas ou privações de direitos básicos, como a liberdade, a formação de famílias e a vida. Lendo livros de zootecnia e assistindo a vídeos zootécnicos, tomamos conhecimento de mais e mais crueldades que sequer imaginávamos que fossem praticadas.

É o caso deste vídeo do Globo Rural, cuja reportagem mostra uma criação caprina intensiva do interior de São Paulo. Nela os cabritos nunca poderão mamar na mãe, pois são separados de suas mães pouco depois de nascer. Ao invés, recebem leite de vaca na mamadeira, uma vez que o leite de suas mães é considerado comercialmente “valioso” e dá-lo aos cabritos é visto como um desperdício de dinheiro.

Cabritos são proibidos de estar com suas mães e mamar nelas e são confinados em cochos como esses, longe delas. (Foto: imagens de Jorge dos Santos/Globo Rural)

No mesmo vídeo, o veterinário Sebastião Farias Júnior recomenda que os cabritos, nas criações em geral, sejam desmamados a entre 60 e 90 dias de vida, seja se estiverem em amamentação artificial, seja se estiverem juntos da mãe. Afirma-se também que geralmente a ordenha é normalmente feita duas vezes por dia antes do processo de secamento do leite. Mostra-se, adiante, cabras sendo presas numa baia com piso de azulejo recebendo ordenha mecânica por tubos, como se fossem máquinas produtoras de leite.

Perto do final do vídeo, Farias Júnior afirma que, depois que as cabras “leiteiras” têm seu leite totalmente secado e param de produzi-lo antes do próximo parto, elas recebem injeção de antibiótico “para eliminar algumas infecções que ficaram ali e a gente não percebeu”.

Essas situações acontecem porque há uma demanda que consome o leite produzido. Em outras palavras, porque há pessoas que tomam leite de outros animais. É em situações assim que o vegetarianismo enquanto não consumo apenas de carnes se torna eticamente insuficiente, e o veganismo passa a figurar como a única solução individual plausível para que seja enfraquecida até sua abolição essa agroindústria que objetifica a vida animal, separa filhos de suas mães e trata fêmeas como se fossem máquinas produtoras de leite.

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M.Eduardo

junho 26 2012 Responder

Isso me fez lembrar de uma passagem da vida de Gandhi, notório vegetariano, que por razões médicas aceitou tomar leite de cabra. Mas não era produzido desse modo… Aliás, ele evitava leite bovino também por reconhecer algumas violências desse tipo.

Não alcancei o veganismo, embora sempre esteja consciente da necessidade de reduzir os impactos das minhas ações, praticando um consumo consciente. Isso quer dizer que quando não consigo evitar certo tipo de produto, busco alguma alternativa, nem que seja a redução do consumo. Por outro lado reconheço que isso é bem difícil em relação a derivados, porque leite e ovos entram na composição de muitos alimentos.

Acho que chegamos a esse estado devido à alienação provocada pelas formas de produção contemporânea em função da terceirização e da especialização. Em outras palavras, as pessoas consomem sem ter noção de como aquilo é produzido, basta ir ao supermercado e comprar. Se elas pessoalmente tivessem que fazer isso, provavelmente muitas fariam de outra forma ou não fariam.

Outro dia mesmo li um texto seu sobre os problemas da produção orgânica e concordo, especialmente quanto à manutenção da objetificação dos animais. Porém, mesmo que seja longe do ideal, comparando-se com a realidade então existente, já seria um grande passo.

É como o trabalho humano: de um modo geral superamos a escravidão institucionalizada e franca, mas estamos ainda condicionados a uma série de restrições diante do modelo econômico, onde uns exploram os outros para obter riqueza, diante de um capital acumulado que se movimenta, quando muito, em círculos. Mas progredimos em certos aspectos, e não podemos desprezar essa progressão.

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