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[OFF] Alex Castro: o racismo sutil e a “normalidade” de ser branco

Um outro texto me fez pensar e pegar a mim mesmo no flagra com uma atitude discriminatória que fui acostumado a ter. É a trilogia de textos de Alex Castro, do blog Papo de Homem, em que ele denuncia o pensamento, muito recorrente na sociedade, de que ser branco é ser o brasileiro padrão, é ser “normal”, e ser negro é uma exceção, é algo “fora do normal”.

E de fato, quando me pedem para pensar em um ser humano, acabo pensando num homem branco. Quando me pedem para imaginar que pessoa seria um boneco-palito, penso no homem branco. Quando me falam de uma brasileira, penso inicialmente que ela é branca. Infelizmente tenho esse pensamento de vez em quando, e nada melhor é para mudar isso do que admitirmos essas falhas a que fomos acostumados a cometer, e também passar a policiar nossa mente, de modo que paremos de ter esse (pre)conceito do branco como sendo o “normal”, o padrão.

Abaixo, o trecho inicial da primeira parte do texto de Alex Castro, e os links dos três segmentos completos.

 

O privilégio de não ser negão (Racismo e normalidade – Parte 1)
por Alex Castro

De repente, aparece o Simonal e ela diz, empolgada:

– Meus deus, que negão lindo.

Daqui a pouco, de novo:

– Olha o charme desse negão, ele é o dono da plateia!

Eu não digo nada, mas abro os ouvidos. Ela também é fã do Roberto:

– Caramba, Alex, olha como esse homem era lindo. O que o tempo faz com as pessoas, meu deus?

Era batata. Quase todas suas referências (sempre elogiosas) ao Simonal destacavam sua raça – não chamando-o de “negro” (claro que não, aí pega mal) mas de “negão”, uma palavra que, dependendo do tom, virou apelido carinhoso.

Já em suas referências elogiosas ao Roberto, ele nunca foi chamado de “branco“, “brancão” ou mesmo “capixaba” ou “perneta“. Não: Roberto era sempre “ele”, “esse homem”, “esse cara”, “o rei”.

Assim como podemos extrapolar a existência do mar a partir de uma gota d’água, também podemos deduzir toda a desigualdade racial do Brasil só de ouvir atentamente uma típica brasileira falando sozinha durante um documentário.

 

“Sou racista por me referir ao Simonal como negão?”

Se fosse interpelada, minha amiga ficaria imediatamente na defensiva:

– Pô, Alex. Sou fã do Simonal. Fomos ver o documentário da vida dele. Eu disse que o cara é lindo, fodão, dono da plateia, etc. E você vem me chamar de racista?

E eu responderia:

– Claro que não. Não chamo ninguém de racista. Isso não faz nenhuma diferença. Eu também falo assim. Quase todo mundo fala assim. A questão é que tipo de sociedade faz com que seus membros falem assim.

– Mas qual é o problema? Não posso chamar o Simonal de negão? Gente!, ele não era negão?

Então, vamos lá. Eu explico.

Textos completos:
O privilégio de não ser negão (Racismo e normalidade – Parte 1)

Qual é a cor da Turma da Mônica? (Racismo e normalidade – Parte 2)
Vamos nos livrar da normalidade (Racismo e normalidade – Parte 3)

imagrs

1 comentário(s). Venha deixar o seu também.

ruth iara

junho 11 2012 Responder

Para os íntimos pode pegar bem ser chamado disso ou daquilo e as vezes as pessoas acabam aceitando não serem chamadas pelo nome. Os termos podem demonstrar intimidade. Fora desta intimidade em ser parente ou amigo podem demonstrar uma intimidade de fã. Neste caso o racismo pode estar nas convenções sociais e não nas pessoas. Mas, a sociedade está mudando, se transformando. E mesmo em casa, entre parentes talvez não seja bom chamar agluém por uma alcunha denotiva de suas características físicas.

Fora da intimidade e sem a conotação carinhosa de fã, os termos: negrão, negrona,judeu, judia, alemoa, alemão, japa – podem ser ofensivos e sendo usados ofensivamente são expressões que demonstram o racismo dirigido a alguém. Neste caso cabe alegar racismo ou injuria conforme o contexto.

Mas, eu não considero o termo negro, apesar da origem prenconceituosa um termo negativo. Acho que negro é uma palavra bonita. O eufemismo “moreninho” para um negro pode ser excesso de cuidado ou demonstrar que existe mesmo o preconceito.

Por outro lado ser chamado de alemão por ser loiro é muito chato ao meu ver. E por isso ser chamado de negrão não é bom.

Acho que a socidade deve rever seus conceitos neste sentido. E felizmente, os preconceitos estão deixando de ser preconceitos para se tornarem novos conceitos, muito mais evoluídos.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo