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jun12

Tortura em nome da ciência (Parte 78)

O Consciencia.blog.br está em recesso, embora vá trazer posts de vez em quando antes de retomar a regularidade das postagens. Este post do Tortura em nome da ciência estava planejado para sair ontem antes da declaração do recesso, mas meu computador teve uma peça quebrada que só foi reposta de noite, e assim só tive condições de trazê-lo para cá hoje de manhã.

O Tortura em nome da ciência de junho traz novamente o outro lado da ciência biomédica experimental. Mostra como, por trás de cada promessa da Medicina, há escravidão, aprisionamento, dor, sofrimento e morte violenta. Dessa vez só consegui trazer nove notícias, mas isso infelizmente não quer dizer que o vivisseccionistas estão perdendo sua força nem que finalmente foi desenvolvido um modelo experimental que está substituindo a tortura em laboratórios.

É necessário denunciar esse outro lado de modo que a sociedade e também a parcela ética da comunidade científica vejam que a vivissecção precisa acabar e para isso é extremamente necessário empenho no desenvolvimento de métodos de pesquisa superiores que a substituam.

 

1. Roedores contaminados com nicotina; primatas são ameaçados

Pelo teste de uma vacina, camundongos tiveram nicotina injetada no sangue. O grupo-teste recebeu também a vacina e (dedutivelmente) foi livrado do perigo de vício na substância. O grupo-controle, por sua vez, não recebeu a vacina e sofreu integralmente as consequências da substância, além de sofrer com pressão sanguínea baixa e atividade cardíaca reduzida, o que implicou que a nicotina atacou o cérebro e o sistema cardiovascular. Depois da tortura dos camundongos, primatas estão sendo ameaçados de sofrer o mesmo.

 

2. Camundongos forçados a dieta ultracalórica contraem obesidade e também pré-diabetes e doença hepática gordurosa

Para o teste do ácido ursólico, substância presente na casca da maçã, camundongos foram forçados a uma dieta ultracalórica e gordurosa ao longo de oito semanas. Apenas metade recebeu o ácido ursólico. O grupo-controle, que não o recebeu, ficou obesa, teve níveis pré-diabéticos (ou mesmo diabéticos – a notícia não revelou) de glicose no sangue e sofreu de doença hepática gordurosa.

 

3. Camundongos infectados com vírus da dengue. Eles sofreram? Não interessou para a reportagem

Uma notícia descomprometida com a ética ignora se camundongos infectados com o vírus da dengue sofreram com a doença. Ela fala em seu final:

(…) Apesar de o DENV não afetar roedores na natureza, é possível provocar uma infecção em camundongos modificados para ter uma resposta imune deficiente.
O anticorpo 14c10 diminui a carga viral dos camundongos quando injetado 24 horas da infecção e também quando administrado 48 horas depois dela. E não foi preciso dar doses cavalares; mesmo em concentrações relativamente baixas o anticorpo demonstrou grande eficácia “in vivo”.
O resultado nos camundongos já era visível meras duas horas depois da administração do 14c10. Os pesquisadores já planejam testes clínicos em seres humanos sabidamente infectados pela variante 1 do vírus.

Mas nada fala sobre se as vítimas sofreram sintomas. Para a matéria, o sofrimento delas não interessa. Apenas os possíveis benefícios futuros aos humanos são dignos de atenção.

 

4. Ratos transgênicos contaminados com HIV

Ratos transgênicos, com “medula óssea, fígado e tecidos vasculares humanos” e “um sistema imunológico semelhante ao do ser humano” foram infectados com o vírus HIV, e provavelmente sofreram sintomas similares aos que os humanos imunodeficientes com Aids sofrem.

 

5. Ratos condenados a sofrer dor crônica

Experimento manda às favas a conversa de que a experimentação animal respeitaria o “bem-estar animal”: ratos são induzidos à dor crônica em experimento feito por vivisseccionistas franceses e suecos, para se descobrir que uma proteína está envolvida na doença. Depois de alguns dias sofrendo, os ratos foram tratados “com a interferência de um pequeno RNA (siRNA) específico ou um péptido competitivo, moléculas que interferem com a acção da 14-3-3 zeta”.

 

6. De novo, ratos induzidos ao câncer

Para o teste de uma terapia à base de nanopartículas, ratos foram induzidos ao linfoma de células de manto, um tipo específico de câncer do sistema linfático. Não se falou se houve um grupo-controle que sofreu metástase (tudo indica que houve), nem se os animais foram sacrificados no final da pesquisa (também tudo indica que sim).

 

7. Ratos induzidos ao diabetes tipo 1 sofrem ataques cardíacos e inflamação no coração e muitos morrem por isso

Novamente a conversa da “preocupação com os animais” na pesquisa in vivo é desmentida pela própria vivissecção. Ratos foram maliciosamente induzidos ao diabetes tipo 1, a forma mais perniciosa da doença, e sofreram infartos e inflamação cardíaca. 83% deles sofreram inflamação cardíaca. Muitos morreram por isso – o restante foi assassinado no final da pesquisa.

 

8. Ratos induzidos à Doença de Pelizaeus-Merzbacher e submetidos a dieta rica em alimentos antiéticos

Rato geneticamente manipulados nasceram com um transtorno genético incurável, a Doença de Pelizaeus-Merzbacher. Os portadores dessa doença “apresentam alterações na mielina, uma camada gordurosa que envolve os nervos e que é essencial ao seu funcionamento”. “Por conta de anomalias no revestimento de mielina, as mensagens não viajam pelo sistema nervoso, resultando em uma série de problemas que afetam os movimentos e o raciocínio.”

Os animais vitimados pela doença foram submetidos a uma dieta rica em colesterol, logo repleta de ingredientes de origem animal. Foi um momento em que duas formas de exploração animal – pecuária (e talvez a pesca) e vivissecção – trabalharam combinadamente em explorar e matar animais em nome da ciência.

 

9. Macacos infectados pela variante mais mortal do vírus do ebola

Embora sejam minoria na vivissecção hoje em dia, os primatas não humanos continuam sofrendo muito nas pesquisas in vivo. Macacos da espécie Macaca fascicularis foram maliciosamente infectados com a cepa mais perigosa do vírus do famigerado ebola. Pelo que a notícia deixa a entender, oito macacos foram infectados, e dois deles morreram por terem sido submetidos ao tratamento testado apenas 48 horas depois da infecção.

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2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Juliano F

junho 29 2012 Responder

E é obvio, não consumir de marcas que fazem testes com animais….

Juliano F

junho 29 2012 Responder

Os fins justificam os meios? Acredito que esse problema tem dois pilares, primeiro que somos criados desde pequenos como se explorar animais-não-humanos fosse normal (que loucura!) e segundo os interesses de obter lucro rápido a qualquer custo das grandes industrias farmacêuticas.
Logo, qualquer pessoa com “consciência” deveria apoiar todo movimento para acabar com os testes em animais, apoiar os movimentos para que sejam feitas testes alternativos, como cultivo de células, experiências In Vitro, etc.

O filósofo inglês Jeremy Bentham, em 1789, no cap. XVII de seu livro, Uma Introdução aos Princípios da Moral e da Legislação, descreveu:
“(…) Que outro fator poderia demarcar a linha divisória que distingue os homens de outros animais? Seria a faculdade de raciocinar, ou talvez a de falar? (…) O problema não consiste em saber se os animais podem raciocinar; tampouco interessa se falam ou não; o verdadeiro problema é: podem eles sofrer?”
Já sabemos que SIM.

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